Educação (Parte 1)

 

As crianças entraram eufóricas na sala de aula. A algazarra e arrasta-arrasta de carteiras indicavam que alguns alunos haviam faltado e a disputa pelas carteiras maiores era quase que uma reza.
A professora entrou, colocou os livros sobre a mesa e aguardou alguns instantes até que todos estivessem em seus lugares. Ela iniciou a aula com a seguinte problemática:
Pessoal, vocês sabem o que é Educação?
Os alunos ficaram em silêncio que logo foi rompido por alguém lá no fundo da sala, que ergueu a mão e disse: Acho que é não gritar. Outro arriscou: É não jogar papel no chão…E assim foi…Cada um foi dando sua definição, almejando ser o sortudo que ganharia um bombom.
A professora explicou que as respostas estavam certas, para insatisfação de todos, pois o “prêmio” era só para o que desse uma resposta acertiva e não sugestiva como fizeram.
Ficaram meio ‘no vácuo’, como diziam…mas cada um defendia sua própria opinião. Não houve interrupção na vaguidão das ideias da turma. Percebia-se nitidamente que apenas repetiam, como papagaios, a opinião de outrem.
Sabiamente, a situação foi sendo conduzida, então, ela mudou a pergunta: Se você fosse descrever a Educação, quais seriam suas palavras ou qual imagem vem à sua mente?
Os alunos receberam uma folha de papel a fim de expressar suas ideias sobre o tema.
Ao terminarem as anotações, a professora começou a leitura de cada uma das redações.
A de Lucinha ficou uma graça…ela dizia que se tivesse que dar nome à Educação, ela daria o nome de dona Norma, uma mulher muito ‘elegante’, sua vizinha, que falava pausadamente, com voz aveludada.
Para Luizinho, Educação seria uma senhora bem velhinha, andando de bengala, que ninguém conhece, mas de quem todo mundo vive falando.
Carlinhos, que era considerado o ‘Nerd’ da turma fez uma colocação totalmente fora do contexto e alguém lá na fileira da janela foi logo rebatendo…’Nada a ver’…
As manifestações eram constantes entre uma redação e outra.
Quando chegou a vez de Aninha, alguns torceram o nariz. É que a menina era a mais pobrezinha da sala. Havia chegado naquele ano e foi apadrinhada por alguém para que, segundo sua mãe, recebesse o melhor ensino acadêmico porque desejava, ousadamente, ser médica. Acho que pensavam que ela não tinha ‘nada a declarar’.
Por um instante, só se ouvia o som do ventilador pendurado na parede, que travava entre idas e vindas espalhando o calor.
Mesmo desaprovando a aparência da garota, todos queriam ouvi-la, nem que fosse pra rir ou fazer piadas sobre a opinião dela.
Levantou-se, respirou fundo e começou sua leitura com voz melodiosa…

Continua…

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