(Artigo de autoria do Prof. Cristian Werner Neumann, publicado na Revista Portuária – 17/maio/2019, disponível em: https://lnkd.in/dDeG2pf)

Por @sssilveirado – Santa Catarina, 21/05/2019

Comparativamente nos últimos doze meses (maio de 2017 a abril de 2018 e maio de 2018 a abril de 2019), as exportações passaram de R$ 217 bilhões para R$ 224 bilhões, com aumento de 6,2% e as importações de R$ 160 bilhões para R$ 180 bilhões com 12,8% e corrente de comércio na ordem de R$ 384 bilhões para R$ 418 bilhões, aumento de 9%.

Somos a nona maior economia do mundo, o 21º maior exportador e o 29º maior importador, com 1,2% do comércio exterior mundial. O Brasil é o país mais fechado para o comércio exterior dentre todos os integrantes do G20 e ocupa o 153º lugar em termos de abertura comercial.

Temos ainda uma dependência das commodities e semimanufaturados nas exportações. Em 2002, correspondiam a 43% da pauta e, em 2017, a 61%. Já nas importações temos praticamente a mesma média tarifária de 1996 com 13,4%.

Todos estes números servem para mostrar um breve raio x da situação atual. Os que vivem o mercado internacional como nós, no dia a dia, querem urgência nas reformas. Porém, temos aspectos externos e internos para ajustar antes de seguir.

Primeiro internamente, podemos notar que o foco do Governo está totalmente voltado à Reforma da Previdência, que somado a ajustes na economia, trarão um câmbio mais competitivo. O Ministro Paulo Guedes afirma que a abertura comercial será realizada gradualmente e em compasso com a redução dos impostos, buscando não prejudicar a indústria nacional e retomar o seu crescimento com juros baixos, reformas fiscais e desburocratização. Investimentos públicos e privados em infraestrutura de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Facilitação, agilização e automatizações das operações de comércio exterior.

Em segundo lugar as diretrizes voltadas ao mercado externo, com acordos comerciais em mercados como União Europeia e Estados Unidos, além de outros países estratégicos. Fortalecer a abertura comercial, a promoção comercial brasileira no exterior, financiamento às exportações, importações e a defesa comercial com apoio da Camex e Apex.

O Governo parece ter alinhado as políticas econômicas e de comércio exterior. Um plano bem estruturado com objetivos de longo prazo e um cenário econômico interno ajustado será capaz de modificar o pífio resultado das políticas internacionais que presenciamos nestas últimas décadas. Estivemos focados nas exportações de itens básicos e nos fechamos ao mundo. Os acordos firmados tiveram bases ideológicas especialmente com a América Latina e África, com objetivos escusos para fortalecer países que pudessem nos “dar” algo em troca.

Segundo o Secretário Especial de Comércio Exterior e Relações Internacionais do Ministério da Economia, o Brasil precisa “parar de fugir da globalização e fazer inserção competitiva”.

Precisamos de ações efetivas e claras que nos coloquem novamente em lugar de destaque na economia mundial. Estabelecer parcerias multilaterais com nações e blocos econômicos fortes. Fazer acordos comerciais bem desenhados que possibilitem a redução das tarifas de importação em bens intermediários e bens de capital, criando condições de modernização e competitividade da indústria. Aumentar a participação da exportação de produtos de valor agregado, permitindo menor dependência da volatilidade das commodities e do câmbio.

Em tempos de crise, o comércio exterior sempre reage e cresce. Não devemos ter dúvidas que o objetivo do Governo é, tão logo sejam adiantadas as reformas, estabelecer uma agenda positiva de ajustes que o comércio exterior precisa. Temos um grande desafio pela frente, já que a maioria dos nossos parceiros comerciais não deve crescer economicamente. Mas como nós gostamos de desafios, vamos superar todas estas barreiras e continuar contribuindo com o desenvolvimento do Brasil.

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