(Threads de autoria de @hbredda, originalmente publicadas em 11 e 23/02/2020 em seu perfil, com algumas alterações minhas para o Vida Destra)


 

Por @sssilveirado – Santa Catarina, 24/02/2020

 

Moeda forte é CONSEQUÊNCIA, e não causa de riqueza. Riqueza vem de reformas, educação, competitividade, produtividade. O REAL ERA CARO por incompetência dos nossos sociais-democratas que destruíam nossas contas públicas, obrigando nossa SELIC a ser nível de usura; agiotagem, no popular.

E como se conserta tudo isso? Como se coloca o país nos trilhos se um Big Mac aqui custa o triplo (é, 3x mais caro!) aqui que em outros países emergentes, se roupa aqui custa 3 vezes mais (sim, o triplo!) que lá fora, ou se jantar em São Paulo está tão caro quanto em Londres? Isso certamente não se deve por sermos top no mundo.

O conserto vem justamente via reformas macro, do setor educacional, para que isso seja propulsor do aumento da produtividade e competitividade. Mas tem uma transição aí. Quando você endereça os problemas fiscais, os juros pornográficos somem e deixam de atrair rentistas para o Real.

Com o fim dos juros pornográficos, GRAÇAS à Reforma da Previdência, a volta da credibilidade, ao time econômico e ao cenário externo, nossa moeda volta para o valuation¹ de onde ela absolutamente não deveria ter saído. Ela estava ARTIFICIALMENTE valorizada, por causa de rentistas globais.

Conseguimos tirar a camada especulativa da nossa moeda. Essa “desvalorização”, se fosse crise cambial, não levaria nossos juros reais e nosso risco país para recordes de baixa. Algo está diferente das outras altas do dólar dessa vez, não? Claro que sim! O carry trade ²  (rentismo) morreu.

Sabemos que nos livros uma moeda forte tem mais capacidade de importar máquinas/bens de capital, melhorando a produtividade e a qualidade de vida do país. Mas isso vem depois. É consequência de um país nos trilhos. Nosso Real ficou forte um bom tempo e nossa indústria só sucateou. E por quê?

Porque no mundo real, quem carrega o país nas costas são as empresas. São elas que criam, geram empregos, investem em tecnologia, dão sentido às pesquisas, pagam impostos, trazem divisas para o país, exportam, competem no mundo. São as empresas que produzem riqueza.

E como estavam nossas companhias ultimamente? As “não-amiguinhas” dos social-democratas estavam sufocadas com sindicatos, custo de capital pornográfico (estratosférico, caso prefiram) por culpa dos incompetentes gastões no setor público, e sendo obrigadas a ter um custo altíssimo pelo Real caro, também por culpa dos gastões.

Agora mudou. Tiramos a camada artificial de valorização de nossa moeda. Bom para quem produz no Brasil. Além disso, finalmente um custo de capital menos extorsivo. Nossas empresas vão respirar um ar menos poluído pela 1ª vez. E pela 1ª vez podemos ter um círculo virtuoso!

Caso tenhamos um Real valorizado, sem que isso seja consequência de uma taxa de juros pornográfica, não será algo ruim, mas sim natural. Moeda valorizada como CONSEQUÊNCIA de país reformado, com credibilidade, produtivo, competitivo, aí sim passa a ser motivo de comemoração.

Esse é o passo-a-passo: i) Reformas com responsabilidade fiscal; ii) Juro estrutural mais baixo; iii) Fluxo especulativo rentista sai; iv) Moeda deixa de ser valorizada artificialmente; v) Empresas passam a respirar, crescer, investir e a competir globalmente; vi) Capital global começará a voltar.

E aos que quiserem ver outras consequências das mudanças estruturais em curso, passamos a elas.

Os economistas, em sua maioria, não entendem a mudança estrutural em curso. Assim como não acreditavam em vida com SELIC abaixo de 6% (embora agora aceitem), também não entendem o período de transição que estamos passando.

A mudança na lógica de alocação de recursos é brutal. O Estado é importante para proteger as fronteiras, prover segurança física e jurídica para os cidadãos, regular algumas atividades profissionais, mas é um completo estúpido para alocar recursos em empresas e negócios.

O Estado é um grande desperdiçador de dinheiro quando se trata de negócios. É uma verdadeira máquina de rasgar dinheiro da população quando finge ser empresário.

Quando nós brasileiros deixamos acontecer, lá no passado, a irresponsabilidade fiscal, quando escolhemos ser gastões irresponsáveis, nós condenamos o nosso setor produtivo. O preço que pagamos pela falta de responsabilidade com o dinheiro do contribuinte foi trilionário.

Déficits fiscais estratosféricos fizeram os juros dispararem, encarecendo enormemente o custo de capital. Isso provoca um genocídio no setor produtivo. Inviabiliza projetos, aumenta a aversão ao risco, deixa o capital vagabundo e improdutivo vivendo na sombra do CDI.

Para compensar essa destruição no setor produtivo, o Estado acaba elegendo (com critérios nem um pouco republicanos) algumas empresas “amiguinhas” para receberem dinheiro subsidiado do BNDES, para que algum investimento seja minimamente viável.

Com custo de capital de 20, 30% ao ano, nada fica de pé, mas com os juros camaradas do BNDES de 3, 4% ao ano, muita coisa fica interessante. Esse subsídio provoca rombos cada vez maiores no orçamento, piora o custo de capital para milhões de empresas, para beneficiar alguns poucos.

Com o fortalecimento das empresas amiguinhas do rei e a condenação de milhões de outras companhias, se acelera o processo de oligopolização nos setores. A concorrência diminui em nossa economia, com capital barato irrigando os líderes setoriais.

Poucas empresas dominam tudo. O resultado é destruição da competição, aumento de preços, aumento da inflação, tudo resultado do processo de oligopolização fomentado pelo Estado.

Enquanto isso, a destruição das finanças do Estado faz com que a taxa de juros aumente para níveis de agiotagem. O nível absurdo dos juros atrai o capital estrangeiro rentista apreciando demais a nossa moeda, deixando o Real caro, funcionando como prego no caixão do setor produtivo.

Ou seja, está dada a receita para o prejuízo trilionário ao país: custo de capital ridiculamente alto e moeda caríssima. Misture tudo e espere estourar.

Tudo porque o Estado é um grande irresponsável que pouco se importa com os pagadores de impostos.

Gastos indiscriminados no lombo do trabalhador provocam uma cascata de destruição de valor inestimável. Felizmente, a partir de 2016 e 2017, essa mentalidade começou a mudar.

O pontapé inicial com Temer/Ilan/Meirelles começa a ser dado: TLP, teto de gastos, lei das estatais e a tentativa frustrada da Reforma da Previdência começam a endereçar a pior desgraça da economia brasileira: a irresponsabilidade fiscal. Mas o melhor estaria por vir.

Um governo com apoio popular no final de 2018 encampa as ideias liberais de Paulo Guedes, que se revela um gênio para o público. Paulo Guedes já é visto, por quem o conhece de perto, como um craque.

Mas os antigos donos do poder, que foram os responsáveis pela destruição fiscal do país, torciam o nariz para Paulo Guedes, o então “engodo” e “inexperiente em assuntos estatais”.

O fato é que o Paulo Guedes, e não os antigos ministros da fazenda, foi o único que conseguiu se comunicar com eficácia com a população.

A Reforma da Previdência do Guedes, com Economia 2 vezes maior que a do Meirelles, foi um golpe duro contra o rentismo, apesar da resistência do Congresso. O Congresso (sempre ele) fez o possível para atrapalhar e desidratar. O sucesso do Guedes é o fracasso da velha guarda do Congresso.

A resistência política foi, é, e ainda será enorme contra as reformas do Guedes. Mas, finalmente, estamos tendo uma chance. Agora o jogo está invertendo. Não teremos mais os déficits fiscais estratosféricos crescentes nos próximos 10, 15 anos.

Com o aumento da credibilidade e do saneamento das contas públicas, os juros não precisarão disparar mais. E juros em patamares civilizados tornam o custo de capital mais decente. O genocídio no setor produtivo fica interrompido.

Com a diminuição dos subsídios, o Estado para de selecionar companhias amigas com critérios nada republicanos para dar dinheiro de graça. A mentalidade atual do governo entende que o Estado é extremamente incompetente para se meter em empresas e em alocação de capital produtivo.

Com custo de capital ficando entre 4% e 6% ao ano, vários projetos de infraestrutura, ampliações de produção etc., passam a ficar atraentes. O processo de oligopolização deixa de acelerar e o empreendedorismo começa a nascer no país.

O aumento da concorrência em nossa economia faz com que preços e custos baixem pelo aumento da produtividade e pelos investimentos em novas tecnologias e soluções. O resultado é o nascimento de um capitalismo de verdade, e não o capitalismo de araque das últimas décadas.

Passamos a incentivar o indivíduo a ser dono de seu próprio destino. Começamos a fazê-lo entender o poder da autonomia. Quando a pessoa começa a entender que o Estado é um péssimo alocador de capital e que quem cria riqueza, de verdade, são as pessoas e as companhias, os incentivos mudam.

A pessoa passa a ser mais diligente com o seu próprio dinheiro, começa a fiscalizar ainda mais o próprio governo, o Congresso, e a melhoria na alocação de capital do país inteiro começa a ocorrer.

O crescimento que vem da alocação de capital feito diretamente pelas pessoas e pelas empresas é muito mais sustentável do que o crescimento que vem da alocação estatal. As taxas de juros e a inflação mais civilizadas vieram para ficar.

As consequências dessa nova realidade são incalculáveis. O crescimento do Brasil vindo primordialmente da alocação de capital feito pelo setor privado é inédito. As companhias estão repensando o modo de investir, alongando seus prazos. Mas estão olhando para a frente com otimismo. E isto, meus caros, é deveras importante!

Enquanto isso, na turma que ficou de fora desse governo, eu vejo muitas pessoas olhando pra trás, perdidas ou enlouquecidas. Fiquem calmos, os próximos 5 ou 6 anos deixarão tudo muito mais claro.

O que estamos vendo é inédito; mas é bom, muito bom!

¹ Termo tecnicamente utilizado em avaliação de empresas, aqui entendido por mim como “local justo de custo/preço/valor”.

² Podemos definir como “uma estratégia de negociação que envolve empréstimos a uma taxa de juros baixa e o investimento em um ativo que fornece uma taxa de retorno mais alta”. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/carry-trade. Acesso em: 24. fev. 2020.

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Jeremias Mariano
Jeremias Mariano
7 meses atrás

Importante reflexão sobre a econômia real e o que de fato precisaremos perseguir daqui para frente. Comparacoes importantes foram feitas no texto. Bom dia

ELIANA MARA DIAS NAPOLI
ELIANA MARA DIAS NAPOLI
7 meses atrás

Muito bem. Entendi rsss

Fernando Kubaski Jr
Fernando Kubaski Jr
7 meses atrás

Parabéns, ótimo texto!