“Ora, não é possível fazer juízo perfeito de uma coisa sem que se conheça tudo o que pertence a tal coisa.” (Tomás de Aquino)

Sem nenhum tipo de responsabilidade com a opinião pública e o desenvolvimento socioeconômico brasileiro, ideólogos ressentidos adotam uma falsa oposição ao ignorarem a realidade tal como se apresenta. Utilizando-se do estamento burocrático e dos meios de controle social pertencentes ao establishment, tentam esvaziar a base eleitoral do presidente por meio de narrativas sensacionalistas e ataques desenfreados. Assim sendo, ressalta-se o autoritarismo daqueles que tanto militam em favor da democracia, uma vez que ao utilizarem esse termo para todas as ocasiões sem o devido domínio do signo linguístico, contribuem para o seu esvaziamento, restando-lhes apenas as suas vontades pessoais como parâmetros de julgamento.

A declaração recente sobre o vírus chinês proferida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro virou pauta daqueles que torcem pelo fracasso do atual governo e pela consequente desestabilização econômica do país. Desde o final de janeiro, o mundo acompanha em pânico o crescimento exponencial do vírus chinês, COVID-19. Contudo, o surto nas terras da ditadura comunista, que ainda se mantém de pé graças aos mecanismos do livre mercado — sistema tão criticado entre os adoradores do regime vermelho — teve início em novembro de 2019 na cidade de Wuhan, capital da província da China Central. O regime ditatorial omitiu a divulgação de informações que poderiam ter contribuído para a minimização dos danos globais acarretados. Em entrevista, o prefeito da cidade considerada como epicentro do surto assumiu a responsabilidade pela omissão e renunciou o cargo. Outrossim, a máquina estatal censurou o médico Li Wenliang, morto pelo COVID-19, em razão do seu alerta dirigido à população local sobre a possibilidade da existência de uma doença similar à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

Diante das informações até aqui apresentadas, entende-se que o vírus não apenas teve origem na China, como também o descontrole em sua propagação está diretamente relacionado a omissão criminosa por parte do Partido Comunista Chinês (PCC) ao não prestar as devidas informações à sociedade chinesa e ao mundo.

Para o raciocínio aqui desenvolvido, faz-se necessário explicar o conceito de escolhas à luz do pensamento aristotélico. Escolha é a deliberação que um homem sensato faz acerca da realização de um objeto possível. É necessário, ainda, que esse objeto seja capaz de se realizar mediante seus esforços, tratando-se, portanto, de deliberações quanto ao meio, não ao fim. Por exemplo, quando um médico precisa escolher o melhor tratamento para o paciente, ele não delibera sobre se há de curar ou não, até porque essa finalidade já está
estabelecida em decorrência da sua profissão, mas sobre os meios capazes de atingir a finalidade almejada. Em suma, delibera-se algo analisando os meios mais eficazes para a obtenção de determinado fim.

No caso concreto, representantes da ditadura chinesa, como políticos, tinham o dever de buscarem o bem estar individual e coletivo, todavia, preferiram colocar os interesses estatais acima de valores universais e imutáveis, sendo essa uma atitude típica de regimes totalitários. É importante destacar a diferença entre coletivo, ou coletividade, e coletivismo. Cada ser humano é dotado de individualidade e peculiaridade e, portanto, existe por si mesmo. Como o ser humano é um animal gregário, ele se associa a outros indivíduos, que também possuem suas particularidades, e criam vários coletivos, como a sociedade, as escolas, as igrejas. Cada indivíduo age de acordo com sua liberdade, desde que não viole nenhuma regra pactuada, e aceita o encargo de se responsabilizar pelo bem estar da associação, a partir do princípio da solidariedade. Já o coletivismo nega a existência do indivíduo e transfere toda a personalidade para o ente coletivo, anulando a liberdade e consciência individuais. O coletivismo sempre será a base de regimes totalitários, visto que não há mais seres humanos dotados de individualidade, mas há apenas a figura do estado representado pelo partido único de massas.

Por se tratar de líderes políticos — ainda que não haja legitimidade para tanto — , eles possuíam o dever legal de prestarem maiores informações a nível local, nacional e internacional. Ao se omitirem, cometeram homicídio comissivo por omissão, na forma dolosa, tendo em vista que assumiram os riscos da omissão por meio do dolo eventual. Ressalta-se, ainda, que a responsabilidade não se dá pela existência do vírus, já que casos fortuitos e de força maior não se submetem à deliberação humana, mas unicamente pela clara omissão da ditadura chinesa quanto às informações pertinentes.

Além da existência da culpabilidade chinesa, frisa-se o ponto inicial da pandemia: Wuhan, China. Ora, várias outras pandemias foram nomeadas tendo como base o local de início da disseminação: gripe espanhola, gripe asiática, gripe de Hong Kong, gripe russa. Por que, então, o vírus chinês não pode ser nomeado dessa maneira?

Diante de todo o exposto, destaca-se que o julgamento só é possível se estiver assentado em uma base sólida firmada na realidade tal como se apresenta. Somos reféns dos fatos, até porque as ideias e pensamentos não vivem por si mesmos. Sem o amparo da experiência, qualquer juízo formulado não passará de um conceito completamente vazio. Desse modo, urge exigir a responsabilização da ditadura chinesa pelo crime contra a humanidade que assola atualmente o mundo. Que Deus tenha piedade de todos nós e nos
fortaleça em fé para superarmos esses dias difíceis. Amém.

Monique Ferreira, para Vida Destra, 24/3/2.020.

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Monique Ferreira
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jeremiasrm
jeremiasrm
3 meses atrás

O que mais estranho desde o momento da disseminação da pandemia, é a falta de carater de alguns brasileiros da classe politica e do agronegócio que se escandalizaram com o Tt do deputado Eduardo Bolsonaro. No passado recente, tivemos a epidemia do Ebola que arrasou a Africa e respingou em alguns paises, não ouvi um politico reclamar que chamava-se gripe da Africa. Infelizmente nos falta mais autoconfiança nas relações internacionais e maior profissionalismo no trato dos negócios, dai os pedidos absurdos de desculpas pelo presidente da câmara dos deputados. O artigo é muito bom, nos leva a refletir qual nosso… Read more »

Luiz Antonio de Santa Ritta
3 meses atrás

Bom dia, Monica. A responsabilização humanitária da China é inegável e quiçá da Rússia, que se faz de morta. Agora fiquei preso no 1 paragrafo, em relação aos estamentos, que pode ser a teia política e midiática que tanto militam pela queda de Bolsonaro. Só não entendo, porque as Forças Armadas que deveriam garantir a democracia, estão num silêncio sepulcral.

Teca Jan
Teca Jan
3 meses atrás

Exelente, padecemos por essa retórica esquerdopata coletivista e doente, ao ponto de um corrupto estar sentado na câmara dos deputados, e ter a pachorra de se desculpar para essa ditadura chinesa!?

Dayse
Dayse
3 meses atrás

Esse vírus chinês me faz lembrar da fala de José Dirceu:
“A GENTE VAI TOMAR O PODER Q É DIFERENTE DE GANHAR UMA ELEIÇÃO”
#VirusChines.

Moisés
Moisés
3 meses atrás

Muito bom o artigo. Parabéns!!! Já estou compartilhando.

Fernando
Fernando
3 meses atrás

Quanta lucidez, para sintetizar a narrativa de uma das maiores tragédias que a humanidade está atravessando. Não te conheço Monica, mas admirei a brilhante exposição. Parabéns