Por @sssilveirado – Imbituba/SC, 17/09/2019

 

Durante a semana, o final de uma telenovela revelou a traição do protagonista levada a cabo por seu braço direito. A justificativa dada: a sede pelo poder.

 

Claro que era apenas uma telenovela, dirão os mais incautos, mas não é só na ficção (!?) que a incessante e desmedida busca pelo poder ocorre, infelizmente.

 

Seja em cidades provincianas, como Imbituba, médias como Itajaí, ou grandes centros, como Rio de Janeiro e Brasília, o poder aniquila, cega, reduz o ser humano ao seu mais triste aspecto: o da mesquinhez, da avareza.

 

Já diz o ditado que se quiser conhecer uma pessoa, dê poder a ela; a mais pura verdade.

 

A busca pelo poder, prevalecendo o ter sobre o ser, encontra forte aliada na politicagem (sim, porque há muito no Brasil não existe política, na acepção conceitual da palavra), nos conchavos, na indústria da propina e da vantagem sobre os demais.

 

Cargos ocupados por pessoas despreparadas tecnicamente, apenas porque fazem parte da quadrilha, hodiernamente chamada “coligação” ou “aliança”. E tais fatos ganham tanto mais notoriedade quanto mais teratológicos o sejam, até perderem o lugar mais alto do pódio para o próximo escândalo, ainda maior…

 

Como artífice na busca pelo poder, tem-se ainda o status, que nada mais é que a aparência do ter, é o engodo daqueles que ainda buscam o poder, sem contudo o possuírem.

 

Nome sujo, jogatinas, laranjas, tudo em prol do status, do parecer ter em detrimento ao ser; da aparência contra a essência; da ostentação frente à humildade.

 

Rui Barbosa já havia dito que de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus o homem chega a desanimar da virtude, a rir da honra, a ter vergonha de ser honesto.

 

Isto, meus caros, em 1914, muito aquém dos escândalos que vemos hoje, e que hão de se repetir. Como diria ainda Maria Lucinda, desde Cabral que todo mundo rouba…

 

Enquanto isso, vemos CPIs acabando por mudarem de significado (Comam as Pizzas Inteiras, em vez de Comissões Parlamentares de Inquérito), cuecas e meias usadas como valises, transportando vultosas somas….

 

E, sob a marcante linha da história, uma tênue linha: a da corrupção, da sede pelo poder, do status e da ostentação, da ganância e da soberba, infelizmente…

Originalmente escrito em 05/03/2010; atualíssimo, infelizmente.

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