Prezados leitores:

Este artigo é o terceiro de uma série escrita pela jornalista Renata Araújo. Esperamos que apreciem este rico conteúdo que trazemos até vocês! Caso tenham perdido os artigos anteriores, eles podem ser facilmente acessados pelos links abaixo:

Parte I     Parte II

 

Continuação:

 

Coletivismo, política e poucos médicos de carreira, essas são as instituições que tem atormentado e tumultuado a gestão da pandemia com sua eterna guerra ao governo de Jair Bolsonaro.

A formação destes órgãos é resultante de divisões partidárias entre militantes.
O conceito de preenchimento dos quadros e mesmo a visão de saúde vem da era petista, visando uma “saúde coletiva”, por “coletiva” podemos entender comunista e na escala mundial, globalista.

Nísia Trindade de Lima é Doutora em Sociologia (1997), mestre em Ciência Política (1989), pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj – atual Iesp), e graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj, 1980). Sua tese de doutorado Um Sertão Chamado Brasil conquistou o Prêmio de Melhor Tese de Doutorado em Sociologia no Iuperj e sua publicação encontra-se em 2ª edição, conforme informações do portal Fiocruz.

Embora seja uma trajetória acadêmica importante, jamais poderia substituir a formação específica e a experiência nos diversos níveis do médico mais iniciante. Como em qualquer sistema lógico, o especial tem mais importância do que o geral na análise de recomendações técnicas.

Por outro lado, o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Zasso Pigatto, foi eleito após ingressar no órgão como representante da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), e seu mandato termina em 2021.

Pigatto é formado em Gestão Ambiental pela Universidade Norte do Paraná (Unopar). Desde jovem trabalhou na agricultura, depois tornou-se comunicador no Jornal Gazeta de Rosário, foi chefe de gabinete da Prefeitura Municipal de Santa Maria, em 2001; assessor no Projeto Consórcio Social da Juventude do Programa Primeiro Emprego, do Governo Federal na região metropolitana de Porto Alegre, de 2005 a 2006; e assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, conforme informações do site da Instituição.

É dele a frase:

O papel do controle social no Brasil nunca foi fácil. De mãos dadas, vamos conseguir superar as adversidades. O funcionamento do CNS é essencial para a democracia e tem que continuar existindo plenamente, dialogando com a gestão, mas também cobrando a execução das políticas de saúde”, disse o novo presidente.

Constam ainda no site da instituição outras informações reveladoras da índole política e de lutas sociais advindas da Igreja Católica, de Pigatto:

“Iniciou sua atuação social na década de 1980 em grupos de jovens da Pastoral da Juventude e Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) da Igreja Católica.

Na década de 1990, assumiu direção em entidades do movimento estudantil secundarista e universitário, e em Associação de Produtores Rurais da Agricultura Familiar. Nos anos 2000, iniciou participação no movimento comunitário, sendo presidente da Associação de Moradores do Bairro Primavera e Secretário Geral da União de Vilas e Bairros (UVB) de Rosário do Sul.

Como dirigente estadual no Rio Grande do Sul, passou por diversas funções e atualmente é presidente da Federação Gaúcha das Uniões de Associações de Moradores e Entidades Comunitárias (FEGAMEC). Como dirigente nacional, Pigatto foi Diretor de Planejamento, Secretário Geral e atualmente é Diretor de Saúde da Conam.”

 

Luta popular organizada

 

A Conam tem sede na cidade de São Paulo (SP) e foi fundada no dia 17 de janeiro de 1982.  Está presente no movimento nacional popular e comunitário, tendo como seu papel organizar as federações estaduais, uniões municipais e associações comunitárias, entidades de bairro e similares.

A mesa diretora do CNS é composta por um grupo de conselheiros eleitos pelo pleno junto ao novo presidente, para conduzir as ações e decisões do órgão colegiado, orientando politicamente a presidência, visando representar o coletivo.

Atenção para os órgãos e nomes:

André Luiz – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Moysés Toniolo – Articulação Nacional da Aids (Anaids)

Vanja Andréia – União Brasileira de Mulheres (UBM)

Elaine Junger Pelaez – Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)

Priscilla Viegas – Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais (Abrato)

Jurandir Frutuoso – Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)

Neilton Araújo – Ministério da Saúde (MS)

 

E a lista completa de Conselheiros Nacionais de Saúde:

 

Da mesma forma que a presidente da Fiocruz, o presidente Pigatto tem uma trajetória acadêmica importante, porém jamais poderá substituir a formação específica e a experiência nos diversos níveis do médico de Pronto-Socorro, do interior, médicos da fronteira, cientistas, dentre tantos.

Estamos vendo a opinião de pessoas que não passaram um dia sequer na faculdade de medicina, como se fossem opiniões de reais especialistas.

Agora falemos de Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Advogado, o maranhense ocupava o cargo de vice-presidente da Região Nordeste e deve permanecer no cargo até abril de 2021.

A eleição foi realizada após a renúncia de Alberto Beltrame, em 01/07/2020, ex-secretário de Saúde do Pará, que está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) por supostas fraudes na compra de respiradores pulmonares para ajudar no combate ao novo coronavírus.

Carlos Lula se formou bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É consultor legislativo de carreira e professor universitário. Pós-graduado em Direito Processual Civil e Direito Constitucional, possui MBA em gestão empresarial e é secretário de Saúde do Estado do Maranhão desde 2016. Em 2018, assumiu a cadeira nº 39 da Academia Maranhense de Letras Jurídicas. No mesmo ano, foi eleito vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) da Região Nordeste, tendo sido reeleito em 2019. Foi eleito Presidente do Conselho em 2020.

Em sua atuação na área do direito, Carlos Lula possui diversos artigos publicados em jornais de grande circulação e em revistas especializadas. É autor de “Direito Eleitoral para o concurso de Procurador da República”, Editora Edipro, São Paulo, 2013; “Direito Eleitoral”, Editora Imperium, São Paulo, já na sua 4ª edição; e coautor das obras “Tratado de Direito Eleitoral”, lançada em 2018 e “Direito Eleitoral no Estado Democrático de Direito”, lançada em 2019. É membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP).

Como secretário de Saúde do Estado do Maranhão, lançou, em 2018, o livro ‘O SUS (S)EM NÓS’.

Carlos Lula também foi membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/MA de 2007 a 2009; diretor da Escola Superior de Advocacia (ESA/OABMA) no triênio 2010/2012; e consultor geral da Assembleia Legislativa do Maranhão, de 2009 a 2014. Presidiu a Associação Nacional dos Consultores Legislativos (ANACOL) no período de 2010 a 2014, exerceu a presidência da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/MA no triênio 2013/2015, foi secretário-adjunto de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Casa Civil do Governo do Estado do Maranhão (2015), subsecretário de Saúde do Maranhão no período de outubro de 2015 a abril de 2016 e presidente da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH). É professor universitário de Direito Eleitoral e Direito Processual Civil em cursos de graduação e pós-graduação.

Todas essas informações são do site do Conselho.

Nenhum desses é médico, todos são de esquerda ou declaradamente petistas.

Ainda, em se tratando do Conselho Superior da Fiocruz, além da própria socióloga Nísia Trindade Lima , temos as seguintes figuras, indicadas pelas instituições assinaladas, todas com visão política e coletivista, mas não de saúde como entendido pelo cidadão mediano. Ninguém se consultaria com eles em caso de doença.

André Spitz – Coep

Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira – Firjan

Erney Felicio Plessman de Camargo – USP

Fernando Cupertino – Conass

Gastão Wagner de Sousa Campos – Unicamp

José Eduardo Cassiolato – UFRJ

Luíz Augusto Facchini – UFPeL

Luiz Davidovich – Academia Brasileira de Ciências

Márcia Campos – Federação Democrática Internacional das Mulheres

Willames Freire Bezerra – Conasems

Naomar Monteiro de Almeida Filho – UFBA

Rubem Cesar Fernandes – Viva Rio

 

No caso de Nísia, deputados da esquerda se encontraram com Ricardo Barros (PP) na tentativa de garantir que Nísia Trindade fosse escolhida para presidente do órgão de pesquisas, no que obteve êxito. Coletivismo, política e poucos médicos de carreira, essas são as instituições que tem atormentado e tumultuado a gestão da pandemia com sua eterna guerra ao governo de Jair Bolsonaro.

 

Continua.

 

 

Renata Araujo, para Vida Destra, 22/04/2021.                                                                  Vamos debater o tema! Sigam-me no Twitter: @Renata_AFVA

 

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Luiz Antonio Santa Ritta
20 dias atrás

Nesta exuberante pesquisa de @Renata_AFVA na Série sobre a Fiocruz, vou me ater apenas na frase do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles nos Pingos nos I de ontem, que se aplica como a luva aqui: “Levará cem anos para desaparelhar as instituições”.

FABIO PAGGIARO
20 dias atrás

Excelente, Renata. Muito falamos sobre aparelhamento institucional e Gramsci, mas pouco exemplificamos. Neste artigo vc mostra quem é quem. Não deixa dúvida. Parabéns.