TRUMP x XI JINPING x BOLSONARO

 

 

Por @sssilveirado – São Paulo/SP, 18/03/2019

 

Atualmente em visita aos Estados Unidos, o Presidente da República pode ter pela frente um (im)previsto dissabor: tecnologia.

E não falo aqui do recente acordo para os lançamentos espaciais utilizando o Centro de Lançamento de Alcântara – CLA, comumente tratado pela mídia como “Base de Alcântara”, localizada no município homônimo, a 32 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão.

Como o CLA está localizado próximo à linha do Equador (2 graus e 18 minutos de latitude sul), a economia de combustível para os lançamentos giraria em torno de 30% (trinta por cento) e, ao contrário do que se discute desde o Governo FHC, não implica em perda da nossa soberania. Mas não é este o tema do artigo.

A tecnologia que pode apresentar um amargo sabor ao Governo brasileiro é relativa a uma velha conhecida nossa: telefonia.

Desde o surgimento e popularização da telefonia móvel, tivemos linhas operadas com a tecnologia analógica e a digital e, dentro desta, edge, 2G, 3G, 4G e, recentemente, 4.5G.

Todavia, a dor de cabeça a ser possível e brevemente enfrentada pelo Governo Bolsonaro apresenta-se sob o nome de 5G.

Sim, a quinta geração de telefonia móvel, cuja tecnologia – estima-se – deve permitir conexões até 100 vezes mais rápidas e com novas funcionalidades (???) é o motivo pelo qual o Presidente Bolsonaro está prestes a ver-se em maus lençóis.

Tendo uma iminente crise diplomática a ser cuidadosamente manejada e contornada, já que põe em rota de colisão duas grandes potências mundiais e dois importantes parceiros comerciais do Brasil: Estados Unidos e China.

E tudo isto por que? A maior fabricante mundial de produtos de tecnologia 5G é a chinesa Huawei. A maior vendedora de telefones móveis é a norte-americana Apple. Mas os protocolos da Apple não estão configurados para a tecnologia 5G. E não há notícia de que se pretenda fazer ou disponibilizar tal configuração.

Assim, caso os Estados Unidos peça/solicite/requeira/pressione (ou qualquer outro termo que você, leitor, opte por usar) o Brasil para boicotar a tecnologia, a exemplo do que fez com aliados como Austrália e Nova Zelândia, por puro protecionismo da indústria nacional, o Brasil estará pressionado.

Alemanha e Reino Unido já pediram informações e, alegadamente, afirmam que os riscos de espionagem utilizando a tecnologia chinesa são “gerenciáveis”.

Mas o pano de fundo não deve ser a espionagem e sim o protecionismo estatal.

Não seria interessante para a indústria norte-americana que a Apple sofresse tão duro golpe, fatalmente perdendo mercado para a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia, que estão ressurgindo a passos largos vislumbrando o 5G. Até mesmo a sul-coreana Samsung está atrás nessa corrida, com a Huawei caminhando a passos largos para o monopólio (ou, num cenário não tão otimista) para o domínio do mercado de telefonia móvel com a tecnologia que, para ela, já está pronta.

Enquanto isso, no Brasil, esperamos que eventual pedido de boicote à tecnologia seja devida e polidamente rechaçado, utilizando a liberação de visto para americanos como moeda de troca.

Aliás, golpe de mestre, caso tenha sido este o mote para dita liberação!

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