No final de 2020 e início de 2021, o ex-presidiário Lula fez uma viagem a Cuba, a pretexto de gravar um documentário sobre a América Latina com o cineasta norte-americano Oliver Stone. Porém, Lula não gravou documentário algum pois foi diagnosticado com Covid-19 juntamente com nove integrantes da comitiva, poucos dias após chegar à ilha de Fidel. A imprensa informou que todos permaneceram em isolamento sob vigilância sanitária, respeitando os protocolos do sistema de saúde cubano.

A primeira observação a registrar é a hipocrisia descarada de quem apoia o isolamento e as restrições de locomoção no Brasil, mas que embarca numa viagem internacional por vários dias e acha isso a coisa mais coerente do mundo. Aliás, a viagem mais cara de um ex-presidente em 2020, garfando do contribuinte R$ 163 mil.

E como não poderia deixar de ser, ele fez dessa situação um ato político. Divulgou uma nota logo que chegou ao Brasil agradecendo os profissionais de saúde de Cuba e, claro, criticando o Presidente Bolsonaro:

“Sentimos na pele a importância de um sistema público de saúde que adota um protocolo unificado, inspirado na ciência e nas diretrizes da OMS. E quero estender as minhas saudações a todos os profissionais de saúde que se esforçam para fazer o mesmo aqui no Brasil, apesar da irresponsabilidade do presidente da República e do ministro da Saúde”. 

Mas a partir da própria declaração de Lula, é forçoso fazer uma pergunta: que protocolo unificado Cuba adota para o Covid-19? Qual teria sido o tratamento ofertado a Lula e sua trupe no passeio à ilha de Fidel?

É aqui que a coisa fica interessante. Existem documentos oficiais do sistema de saúde cubano onde estão listados os protocolos de tratamento da doença. O site https://covid19cubadata.github.io/protocols mostra esses protocolos e suas atualizações. Em todos eles está presente a “famigerada” cloroquina! Sim, Cuba adota nos seus protocolos um dos medicamentos demonizados por aqui como parte de um tratamento ainda sem comprovação científica.

Este outro site direciona um link para baixar um outro documento do Ministério de Saúde Pública de Cuba https://quinina.com.br/cuba-cloroquina-no-protocolo-de-actuacion-nacional-para-la-covid-19-version-1-6-28-marzo-2021/ que faz 16 menções ao uso de cloroquina no tratamento de pacientes sintomáticos leves e moderados. A data é de janeiro de 2021, período em que Lula esteve na ilha de Fidel.

E isso nos leva a estabelecer algumas conclusões lógicas. Se ele elogia o protocolo cubano, decerto o seguiu na íntegra e teve resultado positivo. Se ele elogia o protocolo e não o seguiu estando em solo cubano, então estaria criando um mal-estar com o Governo do qual é aliado.

E até onde se sabe, esse protocolo continua sendo adotado até o presente momento. E verdade seja dita, até a mídia brasileira já noticiou esse fato. Mas claro, não houve nenhuma crítica pelo fato dos médicos lá usarem esse protocolo, ou uma hecatombe política e midiática culpando o governante do país por permitir que sejam utilizadas todas as armas disponíveis para salvar vidas, ainda que carente de maiores comprovações científicas. Aliás, como isso seria possível em Cuba? Essa coisa de oposição é “delírio” de país democrático, não é?

Mas a estratégia por aqui é usar de confusão. Jogam tudo na mesma vala de desinformação, como se o Presidente Bolsonaro, em pessoa, estivesse receitando remédio A ou B quando menciona o que usou quando se contaminou, e que isso não dependesse de uma avaliação médica. Pura narrativa política que só convence quem tem problemas cognitivos.

Portanto, não devemos dar ouvidos a especialista de internet, político oportunista ou jornalista engomadinho. Se contaminou? Converse com seu médico e use aquilo que ele entender adequado para o seu caso e sua realidade. E acima de tudo, não podemos nos tornar fiscais da vida alheia, tentando criminalizar quem optou por um tratamento diferente do seu.

Por fim, aguardamos Lula mostrar os medicamentos que tomou, como foi seu tratamento e recuperação na ilha do “amor”, onde toda hipocrisia não será castigada.

 

 

Ismael Almeida, para Vida Destra, 23/06/2021.
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JOSE CARLOS TEIXEIRA DA SILVA
JOSE CARLOS TEIXEIRA DA SILVA
2 meses atrás

Essa história é a maior enganação. O lulladrão esteve na ilhota, mas, sim, para trazer uma grana federal em malas….. Afinal, como ex-presidente, sua “comitiva” não está submetida a revistas na alfândega. Logo após, o vagabundo comunista do stf “anulou” a condenação do cachaceiro ladrão! O fachinho deve ter recebido, por baixo, uns R$ 3.000.000,00. E os demais vagabundos do stf deveriam ter recebido, também!