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A mídia ocidental quer a 3ª Guerra Mundial?

 

A reação precipitada da mídia ao incidente envolvendo mísseis na Polônia foi imprudente ao extremo.

 

Fonte: Spiked online

Título original: Do the Western media want World War 3?

Link para o artigo original: aqui

Publicado em 16 de novembro de 2022

 

Autor: Tim Black*

 

Há verdade no velho adágio ‘sob a névoa da guerra’. É realmente difícil entender o que está acontecendo no meio de um conflito. Há muita coisa em jogo. Há muito movimento e ação. Isso torna difícil ver com clareza. Fazer afirmações sobre o que está acontecendo em um determinado momento, com qualquer grau de certeza, é muitas vezes impossível. Portanto, qualquer um que o faça deve, provável e justificadamente, ser tratado com certo grau de ceticismo.

Mas ceticismo, dúvidas e até mesmo o compromisso de relatar os fatos pareciam estar em falta entre os jornalistas da imprensa ocidental, na noite passada. Em questão de minutos após o surgimento de relatos sobre a queda de um míssil na cidade polonesa de Przewodow – cerca de 6 quilômetros a oeste da fronteira com a Ucrânia –, um ‘alto funcionário da inteligência americana’ alegou, sob anonimato, que ‘mísseis russos haviam atingido a Polônia, membro da OTAN’.

Certamente alguém deveria ter questionado tal alegação. Quem era esse funcionário? Como ele ou ela soube tão rapidamente? Mas, não. Quase imediatamente, muitos veículos de mídia ocidentais, seguidos pelas mídias sociais, espalharam essa versão dos eventos. Eles não questionaram a afirmação. Eles não esperaram até que se soubesse mais. Às cegas, eles se apressaram a julgar. Afirmaram com certeza que a Rússia, intencionalmente ou não, tinha de fato atacado a Polônia.

Na Grã-Bretanha, os jornais desta manhã estavam repletos disso. ‘Bombas russas atingiram a Polônia’, foi a manchete do Mirror. Assim também o Telegraph: ‘Mísseis russos atingem a Polônia’, dizia o jornal. O Times, do Reino Unido, também afirmou que os russos eram os culpados pelo ‘ataque fatal à Polônia’. Não havia espaço para dúvidas, não havia espaço para ressalvas reais. O evento foi simplesmente relatado como fato: a Rússia atacara a Polônia.

As implicações dessa história, obviamente, têm potencial catastrófico. De acordo com o princípio de defesa coletiva da OTAN, um ataque a um membro da OTAN pode ser interpretado como um ataque a todos [os membros]. Portanto, um ataque russo com mísseis contra a Polônia poderia exigir uma retaliação coletiva da OTAN, o que abre a perspectiva de uma guerra mais ampla.

Considerando o que está em jogo, você pensaria que a mídia ocidental deveria ter pensado duas vezes antes de apresentar o ataque com mísseis como essencialmente um ato de agressão russa à Polônia. Mas não houve nada do gênero na terça-feira à noite. Muito ao contrário. Parecia haver algo que se aproximava da excitação com a perspectiva de uma grande conflagração militar. O Times mal conseguiu se conter, qualificando o incidente como ‘uma importante escalada da guerra na Ucrânia que ameaça arrastar a OTAN para um conflito direto com o Presidente Putin’.

Nas mídias sociais, ocorria algo similar – uma antecipação quase vertiginosa da escalada militar que estava por vir. Muitas vezes, era algo que se sabia. No entanto, aquela distância irônica, tão característica das postagens na mídia social, não conseguia disfarçar o quanto o público parecia estar gostando e alimentando a propaganda da 3ª Guerra Mundial.

Tudo foi imprudente demais. Descuidado demais. Especialmente porque, ontem, se sabia muito pouco sobre o que ocorrera. Alegações e contra-argumentos, refletindo os interesses em jogo, foram disparados por todos os lados envolvidos.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ansioso por obter maior apoio da OTAN, apresentou [o ocorrido] como ‘um ataque de mísseis russos à [nossa] segurança coletiva’, e exortou a OTAN a ‘agir’. O Ministério da Defesa russo, claramente temeroso de um maior envolvimento da OTAN, emitiu uma negação surpreendentemente detalhada. Admitiu ter realizado ‘um ataque maciço a alvos militares e infraestrutura energética na Ucrânia na terça-feira’, mas que o havia feito ‘no mínimo a 35 quilômetros da fronteira entre a Ucrânia e a Polônia’. O presidente polonês Andrzej Duda, face à ameaça à segurança de sua nação, foi consideravelmente mais circunspecto. ‘Não temos provas conclusivas, neste momento, de quem lançou o míssil’, disse ele ontem.

Agora, parece que Duda estava certo em ser cauteloso. Esta manhã, surgiram relatos de que os Estados Unidos e seus aliados estão de acordo com a avaliação da Rússia sobre o que aconteceu. Eles acreditam que o míssil foi disparado pelas defesas aéreas ucranianas, enquanto lutavam para se defenderem da implacável barreira russa de mísseis e drones.

Portanto, provavelmente não foi um ataque da Rússia a um membro da OTAN. E provavelmente não é o início da 3ª Guerra Mundial.

A guerra na Ucrânia é um assunto profundamente sério, com consequências para toda a Europa. Já é hora de a nossa mídia começar a tratá-lo como tal.

*Tim Black é colunista na Spiked.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 19/11/2022.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  [email protected] ou Twitter @TRMatheus

 

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WELTON REIS DOS SANTOS
11 dias atrás

Ansiedade coletiva que pode chegar a histeria. Seria uma fake News? Não, porém a precipitação leva experientes jornalistas a cometer enganos. Por aqui a omissão da grande mídia face a realidade está levando muitos a ira coletiva e se as autoridades e políticos não tiverem discernimento dias nebulosos viveremos!