A política está presente em vários aspectos da vida das pessoas. Não podemos nos iludir acreditando que a política se restringe ao que ocorre lá na longínqua Brasília. A política nada mais é que a arte do relacionamento, da discussão, da construção de consensos e da busca de soluções para problemas comuns das pessoas. É, portanto, natural que ela esteja presente em várias áreas da nossa sociedade.

Isto não quer dizer, contudo, que a política possa ultrapassar certos limites, passando a influenciar de forma negativa áreas onde ela não deveria prevalecer. Nos últimos dias, vimos a política ultrapassar os limites na área esportiva, passando a doutrinar as atitudes dos jogadores da seleção brasileira, que deviam se preocupar com sua atuação dentro de campo, e não com questões político-partidárias ou ideológicas.

Não que os jogadores de futebol não tenham os seus direitos políticos, obviamente não se trata disso. Mas é preciso deixar claro os limites aceitáveis da militância política, de forma que ela não venha atrapalhar a área esportiva.

Devido ao agravamento da pandemia da covid-19 na Argentina, o país decidiu que não mais sediaria a Copa América. A poucos dias do início da competição, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) se viu com um grande problema, e consultou o governo brasileiro a respeito da possibilidade do país sediar a competição. Após consultar seus ministros a respeito do assunto, o presidente Jair Bolsonaro autorizou a realização da competição no Brasil.

Na sequência, partidos de oposição e todos os defensores das narrativas pró-pandemia, saíram de suas tocas e passaram a atacar o Governo, considerando irresponsável a decisão de sediar a competição, devido à pandemia, mas ignorando os demais campeonatos de futebol, e outras competições esportivas, em pleno andamento no país.

A politização dessa questão esportiva, culminou com a recusa da seleção brasileira de futebol de participar da competição, como forma de protesto contra a decisão do governo. Tal manifestação política dos atletas chama a atenção pela hipocrisia, pois a seleção não se opôs à sua participação na mesma competição, enquanto planejada para ser realizada no país vizinho. A situação ficou ainda pior porque quem puxou o coro anti-Copa América no Brasil foi a Rede Globo, que evidentemente estava incomodada com o fato de ter perdido os direitos de transmissão da competição. A patética tentativa de manipulação da opinião pública só serviu para expor ainda mais a hipocrisia daqueles que pensam que  ainda possuem algum tipo de influência.

Diante da péssima repercussão junto à opinião pública, a seleção decidiu participar da competição. Mas a profundidade da doutrinação ideológica no futebol (e por extensão, nos outros esportes) já estava escancarada, mostrando que os valores que sempre regeram os esportes, tais como a superação dos limites humanos, e a busca por resultados cada vez melhores, já não são os que vigem nos dias atuais.

Tal politização nos esportes também pôde ser vista na recente recusa da seleção de futebol  da Hungria, de se ajoelhar antes do início das partidas da Euro Copa, atitude adotada como forma de protesto e incentivo ao combate  contra o racismo. Sem querer diminuir a necessidade de combater tal chaga, os húngaros mostraram que existem outras formas de combater o racismo, e que impor aos cidadãos de um país uma atitude estranha à sua cultura, certamente traria este tipo de resultado. Os croatas seguiram no mesmo caminho, enquanto os escoceses se pronunciaram favoráveis a tal prática.

O ato de ajoelhar-se tem muitos significados, e o principal deles é o de submissão. E é isto o que os defensores deste tipo de pauta querem. Longe de querer de fato combater práticas racistas, querem que as pessoas se submetam às suas falácias e à sua doutrinação, sem esboçar reação.

Como afirmamos no início, a política é a arte do diálogo e da busca de consensos. Mas não há maneira de fazer isso quando um dos lados é simplesmente impedido de  manifestar livremente aquilo que pensa.

Este tipo de intromissão doutrinária e ideológica precisa ser banida dos esportes (bem como de outras áreas) para que o esporte não perca a sua magia, e o seu objetivo original. Não podemos permitir que nosso esporte nacional continue a ser manipulado em nome de pautas estranhas à nossa identidade nacional. Afinal, bem ou mal, ainda somos a pátria de chuteiras.

 

 

Vamos discutir o Tema. Sigam o perfil do Vida Destra no Twitter @vidadestra 

 

Receba de forma ágil todo o nosso conteúdo, através do nosso canal no Telegram!

Subscribe
Notify of
guest
2 Comentários
mais antigos
mais novos mais votados
Inline Feedbacks
View all comments
Nelson José de Oliveira
Nelson José de Oliveira
3 meses atrás

Que tal demitirmos, Poe justa causa, todos os que se negaram a participar (jogadores, técnicos, cartolas, etc.). Foi um caso de descumprimento de contrato. Nós poderíamos mostrar àqueles inúteis o quão bem podemos viver sem eles!

Alvaro
Alvaro
3 meses atrás

Parabéns pelo texto.
Forçar a uma política é a verdadeira doutrinação, é a retirada da livre expressão de pensamentos e liberdades individuais, é o fim do ser humano.