Prezados Leitores:

Publicamos mais uma tradução de artigo da imprensa internacional feita pela nossa colaboradora, a jornalista e tradutora Telma Regina Matheus. Apreciem!

 

A vergonhosa censura ao [filme] The Lady of Heaven

 

 

Fonte: Spiked Online

Título original: The shameful censorship of The Lady of Heaven

Link para o artigo original: aqui.

Publicado em 7 de junho de 2022

 

Autor: Inaya Folarin Iman

 

Grupos islâmicos não devem ter o poder de determinar quais filmes podem ser exibidos nos cinemas.

 

The Lady of Heaven* é um novo épico histórico que retrata a vida de Fátima, filha do Profeta Maomé. Yasser Al-Habib, o clérigo muçulmano xiita que escreveu o roteiro, alega que o filme ‘expressa uma mensagem de amor e paz’.

*Em tradução livre, A Senhora do Paraíso.

Aparentemente, nem todos concordam. Desde a liberação do filme na sexta-feira, grupos de manifestantes muçulmanos, em toda a Inglaterra, vêm protestando nas imediações dos cinemas, alegando que The Lady of Heaven fere ‘a sensibilidade e os sentimentos de um bilhão de pessoas em todo o mundo’. Agora, referindo-se aos protestos, a Cineworld retirou o filme de todas as suas salas, em todo o país, enquanto a Vue fez o mesmo em algumas de suas filiais. Isto é chocante, intolerante e profundamente preocupante.

Os manifestantes se dizem ultrajados, acima de tudo, pelo fato de que o filme mostra Maomé na tela (usando uma imagem gerada por computador, em vez de um ator). Isto, dizem eles, é ‘proibido’ pela lei islâmica.

Muçulmanos fundamentalistas qualificam o filme como blasfemo e exigem sua censura. Uma petição online, organizada pelo grupo 5Pillars e assinada por mais de 100 mil pessoas, afirma que ‘o filme desrespeita diretamente o Profeta Maomé… [o que é] escandaloso e profundamente desrespeitoso ao melhor da criação’. A petição acrescenta que ‘o filme é profundamente racista’.

Em uma sociedade como a nossa, que teoricamente é livre, democrática e tolerante, ser ofendido por um filme jamais deveria ser justificativa para censura ou cancelamento. Porém, como temos visto com demasiada frequência em tempos recentes, a liberdade e a tolerância são quase sempre derrotadas por um suposto ‘direito de não ser ofendido’. Nossas instituições são rápidas para se submeterem a multidões intolerantes sempre que elas reclamam que seus sentimentos foram feridos por este ou aquele filme ou obra de arte. Aqueles que protestaram contra The Lady of Heaven, em localidades como Bradford, Sheffield e Bolton, sabem disso. Em um vídeo postado online, é possível ver um manifestante, em [um cinema] da Cineworld, em Bradford, declarando ‘Temos o direito de não ser insultados’.

Tragicamente, essas táticas funcionam. O gerente de uma filial da Cineworld, em Sheffield, não só cancelou unilateralmente The Lady of Heaven – ele também pediu desculpas à multidão de manifestantes, dizendo: ‘não foi nossa decisão exibir este filme; [a ordem] veio de cima. Concordamos totalmente com o que vocês estão dizendo e não estamos dispostos a exibir este filme neste cinema’. À declaração seguiram-se gritos de ‘Allahu Akbar’.

A intolerância dos manifestantes é chocante e deve afligir qualquer um que esteja preocupado com a liberdade de expressão, hoje. Ainda mais preocupante é o silêncio ensurdecedor de nossas elites culturais e políticas. Cinemas estão cancelando um filme porque uma parte da sociedade alega que ele é ofensivo; e os políticos, em sua grande maioria, não estão dizendo nada.

Dado que, mesmo na Europa, a problemática intolerância islâmica pode, às vezes, induzir as pessoas a se sentirem intimidadas, atacadas e até assassinadas, é compreensível que o cidadão comum tenha medo de criticar o fanatismo religioso. Mas não há nada de compreensível na covardia de nossos líderes culturais e políticos em face dessa intolerância islâmica. Sua relutância em defender a liberdade de expressão e a tolerância é vergonhosa – e está fortalecendo os fanáticos.

Parte do problema, aqui, é que nossas elites políticas e culturais estão tão comprometidas com as políticas identitárias e vitimistas que elas, as elites, realmente acreditam que os manifestantes muçulmanos têm razão. Elas parecem pensar que há, no sentimento de ofensa, bases suficientes para o cancelamento de um filme. Afinal, tal como as elites veem a situação, por que os muçulmanos não deveriam ser protegidos contra ofensas? Por que não deveriam ser poupados do trauma da crítica?

Essa autoflagelação e covardia da elite fortalecem as turbas intolerantes. Fortaleceram os islâmicos que protestaram na Batley Grammar School, no ano passado, depois que um professor mostrou um desenho de Maomé como parte de uma lição sobre livre expressão e blasfêmia. E estão fortalecendo aqueles que, agora, protestam nas imediações de cinemas porque The Lady of Heaven mostra imagens computadorizadas de Maomé.

Este é um momento de extrema inquietação para a liberdade de expressão e a tolerância na Grã-Bretanha. Se nossos líderes culturais e políticos não estão dispostos a defender tais valores fundamentais, então, é muito provável que [tais valores fundamentais] desapareçam. Não podemos deixar isso acontecer.

 

*Inaya Folarin Iman é apresentadora do GB News e fundadora do Equiano Project.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 14/06/2022.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  [email protected] ou Twitter @TRMatheus

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