Eu sempre afirmei que a defesa da proteção do meio ambiente é extremamente importante e deve receber a merecida atenção por parte do governo e da sociedade. Mas também sempre afirmei que a maneira como o problema ambiental é enfrentado é equivocado. Propositalmente equivocado. E quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza que meu ponto de vista está certo.

Por exemplo, enquanto os ecoativistas atacam o agronegócio querendo inventar máscaras faciais para rebanhos bovinos e querendo que as pessoas reduzam o consumo de carne, substituindo-a por fontes alternativas de proteínas, pessoas ainda morrem de fome e não têm acesso à quantidade mínima de nutrientes necessária para que possam viver com saúde e dignidade. Pode não parecer mas a questão da fome está ligada à questão ambiental.

E aqueles que defendem as fontes alternativas de proteínas, com a soja em primeiro lugar, também defendem a abolição do uso de defensivos agrícolas, esquecendo que tais defensivos são vitais para a produção de alimentos, principalmente na escala necessária para que se consiga usar a soja como fonte principal de proteínas em escala global.

Enquanto os militantes da causa ambiental atacam o governo Bolsonaro por ser supostamente favorável à destruição da floresta amazônica, milhões de pessoas naquela região do país ainda vivem sem acesso à água tratada e não têm o seu lixo e esgoto coletado e tratado adequadamente. A falta de saneamento básico é um dos principais problemas ambientais a serem enfrentados não apenas no Brasil mas também em boa parte do mundo. E quando o governo propôs um Novo Marco Legal do Saneamento a esquerda, supostamente defensora do meio ambiente e que acusa o governo de supostamente permitir a destruição ambiental, trabalhou arduamente contra a nova legislação.

Muitos atacam o consumo de combustíveis fósseis e propõem, por exemplo, o banimento dos veículos à combustão, substituindo-os por veículos elétricos. Porém se esquecem de dizer que em muitos países a energia elétrica que será usada para abastecer tais veículos elétricos provém de usinas que usam combustíveis fósseis para gerar eletricidade. Ou seja, antes de banirmos totalmente os carros com motor a combustão, precisamos limpar a matriz energética ampliando o uso de fontes renováveis para produção de energia.

E são poucas as pessoas que mostram que os veículos elétricos podem representar uma faca de dois gumes no que se refere à proteção ambiental, já que as suas baterias têm vida útil limitada e são construídas utilizando materiais extremamente nocivos à saúde e ao meio ambiente, exigindo uma estrutura dispendiosa para que possam ser descartadas da forma correta.

Muitos são os que defendem o uso em larga escala da energia solar e eólica mas poucos são os que reconhecem que se trata de fontes de energia limpas porém intermitentes, não permitindo que se possa depender delas para gerar energia em larga escala de forma constante. Uma das fontes de geração de energia elétrica em larga escala de forma limpa é a nuclear, porém o seu custo ainda é alto e o seu uso é demonizado por muitos, principalmente depois do acidente ocorrido na usina de Fukushima, no Japão, em março de 2011, após ser atingida por um tsunami causado por um violento terremoto.

Após este acidente o Japão desativou todas as suas usinas nucleares, que respondiam por 30% de toda a energia elétrica produzida, compensando este desligamento aumentado o uso de suas usinas termelétricas, que utilizam óleo e gás natural para a geração de energia elétrica. Ou seja, a matriz energética japonesa se tronou mais “suja”. Outros países, como a Alemanha, seguiram pelo mesmo caminho, desligando reatores e banindo a energia nuclear, compensando a geração de energia através do aumento do uso de gás natural (principalmente vindo da Rússia, no caso alemão), tornando a matriz energética mais dependente dos combustíveis fósseis.

Escrevi tudo isso para mostrar o quanto as medidas de combate à poluição e à emissão de gases nocivos estão equivocadas. E reafirmo, estão propositalmente equivocadas.

E este “equivoco” ocorre porque as atuais pautas ambientais não visam realmente a proteção e a preservação do meio ambiente global mas servem apenas de pretexto para que interesses políticos, e principalmente financeiros, sejam atendidos.

Grupos poderosos nada ganharão se todas as pessoas passarem a ter acesso a água tratada, coleta e tratamento de esgoto e coleta e descarte adequado do lixo. Estes grupos ganham muito mais dinheiro e poder se as pessoas passarem a utilizar veículos elétricos do que se aderirem ao uso de bicicletas ou do transporte coletivo. Aliás, vemos o incentivo ao uso de carros elétricos enquanto poucos defendem a ampliação do uso do transporte coletivo. Trens e metrôs também usam energia elétrica e transportam muito mais pessoas que os automóveis. Mas isso parece não importar aos que defendem o banimento dos carros comuns e adoção dos carros elétricos.

Pessoas inescrupulosas e com objetivos sombrios estão usando a pauta ambiental que, repito, é importante, para impor uma agenda que forçará uma mudança radical no modo de vida das pessoas. Toda mudança radical imposta à sociedade gera enormes prejuízos sociais e seus efeitos são sempre negativos. E os mais pobres são sempre os que mais sofrem as piores consequências.

Ao invés de se propor rupturas, deveriam defender mudanças graduais, que ocorrem naturalmente e são absorvidas pela sociedade sem os efeitos maléficos das rupturas forçadas. Além disso, a pauta ambiental precisa ser defendida através de ações concretas nas áreas corretas, como no caso do saneamento básico.

A sociedade tende a, naturalmente, caminhar rumo a se tornar mais ambientalmente correta. Afirmo isso porque se compararmos os níveis de poluição atuais com aqueles do período da Revolução Industrial, veremos que estão proporcionalmente mais baixos que naquela época.

Mesmo tendo bilhões de pessoas a mais no mundo, o desenvolvimento de novas tecnologias permitiu que se produza alimentos numa escala nunca antes vista, sem que necessariamente se precise destruir o meio ambiente para isso, e o Brasil é o grande exemplo de produtividade na produção agrícola sem necessidade de aumentar a área plantada.

Também geramos hoje muito mais energia que há um século e fazemos isto com usinas mais limpas e menos poluentes que as usinas antigas, mesmo as que ainda usam combustíveis fósseis. A tecnologia permitiu que se desenvolvessem filtros e sistemas que amenizam a emissão de poluentes na atmosfera. Os próprios veículos, ônibus e caminhões atuais emitem bem menos poluentes que os de 30 ou 40 anos atrás. A tecnologia também permitiu o desenvolvimento de eletrodomésticos e novas lâmpadas, que fazem com que as residências gastem hoje muito menos energia que há algumas décadas.

Ou seja, se a sociedade tiver o incentivo correto naturalmente irá promover as melhorias necessárias para que o meio ambiente seja cada vez menos agredido pela civilização. Mas isto não interessa àqueles que possuem um projeto próprio de controle e poder.

Estão manipulando as pessoas através da pauta ambiental com o objetivo de construir uma nova sociedade. E a pauta ambiental não é a única que vem sendo usada com este propósito. A mudança da mentalidade das pessoas também ocorre com ações nas áreas da saúde, da educação e do relacionamento entre as pessoas.

Por isso afirmo que devemos estar atentos às pautas que nos são apresentadas, pois por mais que à primeira vista pareçam benéficas, podem esconder objetivos reais nocivos a todos.

Proteger o meio ambiente é dever de cada ser humano, pois toda pessoa pertence ao meio ambiente que se pretende proteger. Jamais existirá uma verdadeira proteção ao meio ambiente se o ser humano for excluído das políticas ambientais. Devemos ter cuidado, senão seremos tratados como vilões e acabarão nos condenando à extinção para que o planeta seja salvo.

 

 

Sander Souza (Conexão Japão), para Vida Destra, 29/07/2022.
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