Cultura do cancelamento é um termo relativamente novo para a maioria das pessoas. Certamente, quem foi criança na década de 90 ainda estranha quando o ouve, mas o que de fato isso significa? Na prática, consiste em excluir uma pessoa de grupos sociais, políticos ou econômicos se ela não concordar com determinados pontos de vista do “cancelador”, isto é, da pessoa que não tolera pensamentos diferentes do dela. A cultura do cancelamento, embora pareça algo novo, já assumiu outras formas na antiguidade: na Grécia antiga, por exemplo, havia a pena de ostracismo, que significava que o sujeito que praticava determinados crimes tinha que deixar a cidade-estado por um determinado período de tempo. Nas ditaduras do século XX havia a queima de livros, que eram uma ameaça ao regime ditatorial vigente.

Hoje, no entanto, com a tecnologia, tal cultura assume outra forma, que é a digital, visto que tudo é feito virtualmente em sistemas acessados por computadores e celulares. Assim, a cultura do cancelamento já fez certas vítimas, como o Jornal da Cidade Online, que foi alvo da milícia digital Sleeping Giants, que persegue sites que postam notícias que a grande mídia não posta, taxando-os como “difusores do discurso de ódio e das fake news”.

Além disso, outros nomes como Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e o autor americano Michael Jones, já enfrentaram problemas desse tipo, mas o objetivo não é falar deles nesta oportunidade, mas sim abordar outro caso um tanto quanto curioso, de uma obra de ficção, mas cuja reflexão vale para o cenário contemporâneo.

Estou falando de um episódio da série britânica Black Mirror, que conta histórias abordando os efeitos devastadores que as tecnologias podem ou poderão ter, já que muitos episódios se baseiam em anos futuros, em nossas vidas. Um desses episódios é o Hated in the Nation (Odiados na Nação), que aborda perfeitamente o tema da cultura do cancelamento com uma reflexão profunda. Aviso que este texto conterá spoillers (isto é, revelações do enredo da trama), então, se preferir assistir ao episódio antes de ler o texto, fica aqui a dica. Ele é o último episódio da terceira temporada da série e pode ser encontrado na Netflix.

O filme começa com a detetive Karin Parke depondo sobre uma série de assassinatos que estavam ocorrendo, mas tais assassinatos tinham uma peculiaridade: eles eram decididos por uma hashtag no Twitter! Funcionava da seguinte maneira: uma pessoa “odiada pela nação” falava algo que desagradava a população, que ia no Twitter e publicava a hashtag #DeathTo (#MortePara) + o nome da pessoa odiada. A primeira vítima foi a jornalista Jo Powers, que fez uma matéria dizendo que um ato de suicídio de uma mulher foi apenas para chamar a atenção, o que dá início à investigação da detetive Parke e sua assistente Chloe Blue.

Mas como tais assassinatos aconteciam? Uma vez por semana, as pessoas tuitavam a hashtag #mortePara + determinado nome de alguém, e o nome que mais aparecia na tag morria no final de semana assassinado por abelhas robôs que haviam sido hackeadas por Garrett Scholes para fazer isso. As abelhas seguem fazendo diversas vítimas conforme ordenadas pelos usuários, até que elas são reprogramadas e se voltam contra os internautas que no Twitter usavam a hashtag para pedir a morte dos outros, atendendo ao objetivo final proposto pelo hacker Garrett Scholes, que era dar uma lição de moral para aqueles que faziam publicações negativas e apedrejavam os outros pelos seus erros em redes sociais. No meio da trama, ainda, a assistente da detetive Parke, Chloe Blue, após ver o que o mundo havia se tornado, comete suicídio. Moral da história: os canceladores foram “cancelados” pelo meio que eles próprios usavam para cancelar as outras pessoas.

Este episódio de Black Mirror nos dá um alerta para o futuro de uma sociedade que vive com medo de ser cancelada por exercer a liberdade de expressão: no filme, pessoas são mortas por dizerem determinadas coisas e na vida real, pessoas foram perseguidas de modo a terem suas contas bancárias fechadas por falarem determinadas coisas, como ocorreu com Olavo de Carvalho, que teve sua conta da plataforma PayPal excluída após pressões do Sleeping Giants, que retirou-lhe um dos seus principais meios de sustento, o que levanta também a pergunta: até que ponto a esquerda, representada pela turma do Sleeping Giants, está disposta a chegar para calar quem discorda dela?

Viu-se a exclusão da conta do Olavo do PayPal, mas até então basta o filósofo abrir conta em outra plataforma. Mas e se essa plataforma banir suas contas também, a pedido do Sleeping Giants? Outro ponto: e se nenhuma empresa ou pessoa o quiser contratar mais e ele começar a passar necessidades? Esta foi uma situação que aconteceu com ele, mas que poderia acontecer com qualquer um numa sociedade canceladora extremista, que é onde a esquerda quer chegar.

O episódio também levanta a pergunta: esquerdistas começaram a tirar os meios de sustento de pessoas que não pensam como eles, o que mais falta para começarem, tal como em Black Mirror, a cometer homicídios em nome da “luta contra o fascismo e contra o discurso de ódio”, termos esses que sequer têm uma definição clara hoje em dia e variam de acordo com o falante?

Veja que a cultura do cancelamento é uma ameaça para qualquer carreira pública hoje em dia, do político ao jornalista. Aliás, o jornalista é a maior vítima dessa cultura, dada a importância do seu trabalho: o que impede de amanhã um governo ditatorial começar a “cancelar” jornalistas que falem coisas que ele não gosta? Se você ver bem, isso já ocorre na China, com os jornalistas Zhang Zhan, que foi condenada a 4 anos, e Fang Bin e Chen Qiushi, que desapareceram, ambos por divulgarem a crise do coronavírus, a qual o governo ditatorial chinês – que goza de imenso apoio da esquerda brasileira – decidiu cancelá-los.

O caso é que, tal como demonstrado pela ficção, a cultura do cancelamento constrói uma sociedade insuportável de viver, visto que você não pode agir contra determinados dogmas com o risco de virar um pária social, ou, pior: ser morto, afinal de contas, a vida humana sempre foi desprezada pela esquerda, basta ver o quanto seus governos ditadores e democráticos matam ao redor do mundo, seja de forma direta, como o governo chinês, seja de forma indireta, através de políticas que beneficiam o crime, como ocorreu no governo Lula, no Brasil, que fez as taxas de homicídio e demais crimes dispararem ao passo que impunha medidas como o desarmamento civil.

Assim, o número de pessoas hipócritas, que vivem uma vida de fantasia para agradar determinados grupos, e de suicídios, como ocorreu na série, necessariamente aumentam, afinal, a liberdade é um direito natural e entende-se, por isso, que foi dado por Deus como ferramenta para que o homem vivesse na Terra com plenitude. E a liberdade realmente cumpriu seu papel ao denunciar governos ditadores, informações históricas e filosóficas relevantes, dentre outros méritos. Assim, se não temos liberdade, o principal alvo da cultura do cancelamento, não temos nada.

Inclusive, nem os próprios canceladores estão a salvo deles próprios, pois já se viu em várias ocasiões pessoas de esquerda adeptas a tal cultura cancelando certos canceladores, como o youtuber Felipe Neto, pelas diversas declarações polêmicas que já deu sobre diversos assuntos. Vale lembrar que, na série, os canceladores foram cancelados, o que indica que esse é o único resultado de uma sociedade que adota essa modalidade de censura, o que tende ao extermínio dela própria.

Está é uma pequena reflexão acerca dos perigos da cultura do cancelamento, tão presente principalmente entre os jovens da nossa sociedade, que são influenciados pelas piores ideias políticas do momento – a saber, censura, socialismo e identitarismo. Com o objetivo de eliminar as mentes livres, a cultura do cancelamento representa o maior perigo do século XXI, no qual tecnologias têm mudado a configuração de poder, transferindo-o de organizações ortodoxas, como Igreja e Estado, para imbecis privados, como youtubers que apoiam partidos de extrema esquerda demagogos.

 

 

Vinicius Mariano, para Vida Destra, 26/07/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Ricardo Diniz
Ricardo Diniz
1 ano atrás

O artigo está sensacional!
Lamentável vermos que alguns direitistas tem usado dessas ações para silenciar quem ousar criticá-lo.

Carlos Fersenascci
Carlos Fersenascci
1 ano atrás

Parabéns pela matéria ???

Marli
Marli
1 ano atrás

Otimo ALERTA, matéria informativa de primeira?