Por Vinicius Mariano                                                                              @viniciussexto

 

Duas mineradoras apresentaram propostas ao Governo Federal para construir e operar ferrovias próprias, a fim de facilitar a distribuição de seus produtos pelo país. Elas recorreram ao programa federal Pró Trilhos, que estimula a ampliação da malha ferroviária nacional a partir do instrumento de outorga por autorização. A modalidade está prevista no Marco Legal das Ferrovias, que, desde seu lançamento, já soma 21 pedidos para novos empreendimentos: eles representam R$ 83,7 bilhões em investimentos e 5.640,5 quilômetros de novos trilhos.

Um dos requerimentos mais recentes protocolado no Ministério da Infraestrutura (MInfra) é da Morro do Pilar Minerais S.A. A empresa apresentou proposta de nova ferrovia com 100 quilômetros de extensão e R$ 1 bilhão de investimento previsto, entre os municípios de Colatina e Linhares (ES). O segmento será voltado ao transporte de 25 milhões de toneladas por ano de carga de minério de ferro (granéis sólidos).

Já a Brazil Iron Mineração Ltda. pretende construir e operar uma estrada de ferro e um terminal ferroviário – projeto a ser desenvolvido em três etapas, com investimento de R$ 1,2 bilhão e extensão total da linha férrea de 120 quilômetros. Inicialmente, a empresa se propõe a executar segmento de 70 quilômetros, entre o município de Abaíra (BA), local do terminal ferroviário que pretende estruturar, a Brumado (BA). O trecho conectaria a mina Mocó, em Piatã (BA), e outros “direitos minerários” que a empresa detém no estado, ao entroncamento com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) próximo a Brumado.

A segunda etapa contempla o carregamento na região da mina, incluindo acesso às áreas de estocagem de minério e suas estações de carregamento, em percurso estimado em 50 quilômetros. Por fim, o projeto da Brazil Iron inclui estudos técnicos em andamento para que a empresa amplie os trilhos e conecte suas minas também à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

 

Novos operadores

Essas não são as únicas propostas de empresas de outros segmentos interessados em estrear na área de transporte ferroviário. Atuante no setor de portos, a Petrocity propôs segmento entre São Mateus (ES) e Ipatinga (MG), com 420 quilômetros e conexão ao Terminal de Uso Privado (TUP) que vai administrar no porto capixaba. E quer conectar a produção do Centro-Oeste, partindo de Brasília, a Barra de São Francisco (ES), por meio da implantação de 1.108 quilômetros de novos trilhos.

Também do ramo da mineração, a Planalto Piauí Participações propôs conexão de 717 quilômetros para levar a produção de sua mina no Piauí ao Porto de Suape, em Pernambuco. Já a gigante da celulose Bracell apresentou projeto para ramal com 4 quilômetros em Lençóis Paulistas (SP), a fim de transportar 1 milhão de toneladas de tora de eucalipto de sua fábrica no município ao Porto de Santos; e 19,5 quilômetros ligando Lençóis à malha ferroviária de Pederneiras (SP), sentido Porto de Santos, para levar carga geral de celulose calculada em 1,7 milhão de toneladas/ano.

 

Marco legal

Todas as 21 solicitações apresentadas até o momento ao Governo Federal seguem em análise pela equipe da Secretaria Nacional de Transportes Terrestres (SNTT), sendo que 14 já passam por avaliação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) quanto à viabilidade locacional.

O Marco Legal das Ferrovias, criado pela Medida Provisória 1.065/2021, também avança no Congresso Nacional, após a aprovação pelo Senado Federal do PLS 261/18. O texto agora será analisado pela Câmara dos Deputados. Caso aprovado sem mudanças pelos deputados, a tramitação se conclui e o projeto será sancionado pelo presidente da República, virando lei.

Expectativas superadas
Segundo o ministro Tarcísio, o governo federal esperava receber apenas 7 pedidos de empresas privadas para a construção de ferrovias, que somariam um valor de 30 bilhões. No entanto, com 21 pedidos, as expectativas foram superadas e os investimentos já passam da casa dos 80 bilhões.

Confira a relação de todos os requerimentos apresentados até aqui:
Petrocity: São Mateus/ES – Ipatinga/MG: 420 km de extensão
VLI: Lucas do Rio Verde/MT – Água Boa/MT: 557 km de extensão
VLI: Uberlândia/MG – Chaveslândia/MG: 235 km de extensão
VLI: Porto Franco – Balsas/MA: 245 km de extensão
VLI: Cubatão/SP-Santos/SP: 8 km de extensão
Ferroeste: Maracaju/MS – Dourados/MS: 76 km de extensão
Ferroeste: Guarapuava/PR – Paranaguá/PR: 405 km de extensão
Ferroeste: Cascavel/PR – Foz do Iguaçu/PR: 166 km de extensão
Ferroeste: Cascavel/PR a Chapecó /SC: 286 km de extensão
Grão Pará: Alcântara/MA – Açailândia/MA: 520 km de extensão
Planalto Piauí Participações: Suape/PE – Curral Novo/PI: 717 km de extensão
Fazenda Campo Grande: Santo André/SP: 7 km de extensão
Macro Desenvolvimento Ltda.: Presidente Kennedy/ES – Conceição do Mato Dentro/MG –Sete Lagoas/MG: 610 km de extensão
Petrocity: Barra de São Francisco/ES – Brasília (DF): 1.108 km de extensão
Rumo: Santos – Cubatão – Guarujá/SP – 37 km
Rumo: Água Boa – Lucas do Rio Verde/MT: 557 km de extensão
Rumo: Uberlândia/MG – Chaveslândia/MG: 235 km de extensão
Bracell: Lençóis Paulistas (SP): 4 km de extensão
Bracell: Lençóis Paulistas-Pederneiras (SP): 19,5 km de extensão
Morro do Pilar Minerais S.A: Coletina – Linhares (ES): 100 km de extensão
Brazil Iron Mineração Ltda: Abaíra – Brumado/BA – Fiol – FCA: 120 km de extensão

 

*Esta notícia pode ser atualizada a qualquer momento.

 

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