Chegamos ao final da semana que seria decisiva para a nossa democracia, pelo menos no que diz respeito ao nosso sistema eleitoral. Como todos viram, os honoráveis representantes do povo ignoraram as manifestações populares que clamaram por mais transparência nas eleições e votaram contra a proposta que permitiria a adoção da urna eletrônica com voto impresso auditável. Os parlamentares simplesmente ignoraram os anseios dos eleitores por mais transparência e segurança, e ignoraram as provas contundentes que mostraram ao país que o sistema eleitoral já foi violado, mais de uma vez.

Mas não quero ficar aqui repetindo notícia velha, que já é do conhecimento de todos. A pergunta que muitos se fazem é: e agora? E esta certamente é uma boa pergunta! Mas eu não faço esta pergunta, em relação ao voto impresso apenas, mas eu faço esta pergunta em relação ao Brasil: e agora?

E agora? Como serão as eleições presidenciais de 2022, sem om sistema de votação transparente e confiável? Como tiraremos do poder os velhos políticos profissionais, se o Congresso trabalha para aprovar uma reforma política que permitirá que candidatos com votação inexpressiva continuem chegando ao poder? Como continuaremos nos manifestando contra todas as coisas erradas que ocorrem no país, se já ressuscitaram a discussão do PL 2630, o famigerado PL da Censura, que aliada à Lei Kim, será o terror das mídias independentes? Como fazer a necessária limpeza política, se a sujeira só aumenta, enquanto os recursos para a limpeza nos são tirados, um a um?

Estas são perguntas retóricas, que faço para que questionemos o momento atual, e para que possamos analisar o cenário como um todo. E ao refletir sobre estas e outras questões, podemos facilmente concluir que o establishment está rapidamente agindo para nos tirar todos os meios legais de reação, ou como gosta de dizer o presidente Bolsonaro, os meios de agir dentro das quatro linhas da Constituição.

Há tempos que a oposição deixou de jogar dentro das quatro linhas da Constituição. São prisões arbitrárias, inquéritos ilegais, abuso de poder, usurpação de autoridade, denúncias não investigadas, crimes que não são punidos, perseguição, intimidação, coação, agressões verbais, humilhações, manipulações, mentiras, traições, tudo isso sendo feito de forma orquestrada entre Legislativo e Judiciário, com o apoio da imprensa militante.

E agora, como enfrentar tudo isso? o que será do Brasil?

Para a grande maioria da população, muitos dos atos ilegais que citei acima são apenas matéria de telejornal. Para a maioria das pessoas, a luta diária para se colocar a comida na mesa é a mais importante. Para a maioria das pessoas, Brasília é um lugar distante, e o que aqueles políticos fazem por lá não muda nada na vida cotidiana delas. Ou pelo menos é isso o que a maioria das pessoas, o povão, de fato pensa!

Muitas das mudanças que queremos só ocorrerão quando as pessoas conseguirem entender que tudo o que está sendo tramado e implementado em Brasília afetará a todos, sem exceção. O establishment está trabalhando firme para nos conduzir a uma situação, onde seremos subservientes à China, que nos explorará como se fôssemos uma colônia, enquanto nossos políticos deitam no chão para serem pisados pelos chineses; onde aqueles que nos acusam de sermos negligentes com o meio ambiente extrairão para si todas as nossas riquezas minerais; onde o nosso povo terá poucas chances de ascensão social, pois a nova ordem social igualará a todos, mas nivelando por baixo, mantendo a todos na mesma pobreza; onde só será permitida a manifestação do pensamento que concorde com aquele determinado pelo Estado, sem chances para discordâncias ou debates; onde tudo e todos serão controlados com o auxílio da moderna tecnologia, permitindo a segregação de cidadãos que sejam considerados indesejáveis, impedindo-os de ter acesso a serviços e benefícios estatais. E não é difícil ver qual será o nosso futuro provável, se nada for feito para impedir que o restante do plano seja implementado.

Não é difícil manipular um povo que sempre viu no Estado um pai protetor e provedor. Bastará ameaçar a suspensão do Bolsa Família, de outros benefícios sociais, ou impedir o acesso à saúde e à educação estatais, para que muitos acatem aquilo que o governo impuser, por mais ditatorial que seja. Já vimos isto ser feito em 2014, quando o PT mostrou em sua campanha eleitoral a comida sumindo dos pratos, como forma de mostrar o que ocorreria se a oposição vencesse. E vemos isto ocorrendo com as vacinas, e a já presente ameaça de retaliações àqueles que se recusarem a se vacinar. E não escrevo isto como crítica, mas como constatação de que para a maioria das pessoas a sua sobrevivência e dos seus é mais importante que as lutas políticas. O instinto de sobrevivência e autopreservação falará mais alto, e tenho a impressão que o establishment conta com isto!

Sei que muitos respondem ao questionamento “e agora?” com argumentos do tipo: “mandem as Forças Armadas”! Até comparam com o que ocorreu em 1964. Embora a ameaça comunista seja a mesma, o restante dos fatores atuais são bem diferentes dos daquela época, a geopolítica é outra, fazendo com que uma ação semelhante das nossas Forças Armadas tenham consequências para o Brasil, bem diferentes daquelas de 1964.

Além disso, acredito que o presidente Bolsonaro, ciente destas consequências, dificilmente estará disposto a fazer o país pagar o preço por uma intervenção armada. Além disso há o imenso custo pessoal, que ele vem pagando desde o primeiro dia de governo. Já pensaram o que seria de nós, se o presidente desistisse de uma candidatura à reeleição no ano que vem? Embora improvável, esta hipótese não pode ser descartada de nenhuma análise de conjuntura política que tente ser crível.

Enfim, amigos leitores, precisamos estar atentos ao jogo político. Embora as nossas lutas diárias sejam importantes, não podemos ignorar o que a classe política está planejando e colocando em prática. Não podemos continuar achando que são coisas que não nos dizem respeito. Está cada vez mais próximo o dia em que seremos forçados a fazer uma escolha. Que todos estejamos conscientes para fazer a escolha certa, e que Deus nos guie e proteja!

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 13/08/2021.
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