Pois bem, essa semana é a semana do carnaval. Aqui, nesse nosso país, dizemos que o ano só começa após a festa de Momo. Bom, isso é verdade, até um certo ponto. O governo federal, por exemplo, está trabalhando desde o início do ano. Mas não é sobre isso que iremos falar. Vamos analisar a festa da carne e da lacração sob o prisma daqueles que a curtem e tirar nossas conclusões e aprendizado.

A primeira coisa que me vem à cabeça nesse momento é aquele pessoal que adora pregar a liberdade de se ser o que se quer ser, mas que não perde a oportunidade de ditar a regra do que o outro deve ou não usar, falar, comer, beber… É a famosa “apropriação cultural”, termo usado para designar uma pessoa pertencente a uma cultura considerada hegemônica, que se apropria de elementos de uma outra, historicamente oprimida, pela dessa pessoa. Esses elementos podem ser acessórios, trajes típicos, música, dança, símbolos e crenças religiosas, idioma e expressões linguísticas, conhecimento tradicional, arte, culinária etc.

Portanto, se você gosta de se fantasiar de índio, saiba que estará cometendo “apropriação cultural”, mesmo que seus antepassados tenham sido índios. Isso porque, os povos indígenas foram explorados e oprimidos pelo homem branco europeu, de quem você provavelmente é um descendente. Eles (SJW) não poupam nem os que jogam no próprio time, como é o caso da escola de samba Portela. A agremiação está sendo criticada por usar fantasias de índio num enredo em que, pasmem, ela fala de índios. “Apropriação cultural” não é um crime (ainda) previsto no código penal brasileiro, mas no que depender dessa galera, em breve será.

Ainda falando das escolas de samba. Seguindo as tendências de lacração e militância que vem desde 2017, teremos a Mangueira zombando dos cristãos, ao apresentar um Cristo totalmente fora dos padrões históricos. Ou seja, para usar a mesma linguagem do carnavalesco da agremiação, Leandro Vieira, um Cristo não-normativo. Veremos ainda, a Grande Rio, que retratará a história de Joãozinho da Goméia e fará uma crítica à intolerância religiosa, tendo como base, é claro, a crítica aos intolerantes e fundamentalistas cristãos. Joãozinho da Goméia foi um importante representante do candomblé brasileiro, ex-católico e assumidamente homossexual.

As escolas de samba vêm com muitas críticas ao governo e aos conservadores. No entanto, elas não podem ser tomadas como um bom exemplo de nada, pois são, e sempre foram, o paraíso da contravenção penal, da lavagem de dinheiro e do crime organizado. Há casos de vários dirigentes dessas agremiações que foram presos e que ainda respondem na justiça pelos mais variados delitos.

Os blocos carnavalescos são um espetáculo à parte, pois eles, além de começarem a desfilar com até um mês de antecedência, trazem as cenas mais bizarras de tudo que degrada a essência do homem enquanto animal racional, feito à imagem e semelhança de Deus. Nesse momento me lembro do vídeo postado pelo presidente no carnaval de 2019, o famoso “golden shower”, lembra?

Nesse ambiente, seja ao ar livre ou em clubes, encontramos o sexo fácil e irresponsável, a bebedeira, as orgias, as drogas… Em razão disso, temos as doenças sexualmente transmissíveis, estupros, gravidezes indesejadas, acidentes automobilísticos em virtude da ingestão de bebidas alcoólicas sem moderação, aumento da violência por causa do tráfico de drogas, depredação do patrimônio público e particular etc.

Como podemos ver, na festa da carne, vale tudo para alcançar uma felicidade passageira e descompromissada, mesmo que depois essa alegria se torne um sofrimento para sí mesmo e para outros. O importante é lacrar, usar sua máscara de felicidade, curtir seus quatro (às vezes muito mais) dias de folia e fazer militância política… E, o mais importante: tomar cuidado com a fantasia para não cometer o crime de “apropriação cultural”. Mas é claro; se for para zombar de Jesus Cristo e malhar os cristãos, está liberado. Depois eles (os cristãos) pagam a conta da imprudência e insensatez de quem se entrega aos prazeres da carne na festa de Momo.

Obrigado pela leitura! Eu fico por aqui! Até breve!

Dica de livro: Como Ser Um Conservador, Roger Scruton

João Alves, para Vida Destra, 20/02/2020.
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Toni Kunzler Cheiran
Toni Kunzler Cheiran
3 meses atrás

resumo perfeito, prezado!