Parece que muitos dos carrapatos pendurados no Bolsonaro da campanha eleitoral se surpreenderam com a percepção de que era real o propósito do então candidato, de não aderir ao sistema corrupto que era comandado de dentro da sede do Executivo nacional; e mais ainda, de tentar desmancha-lo.

Boa parte desses decidiu pular do barco, e o contingente não foi pequeno.

O desembarque foi aumentando enquanto ocorria no Executivo um fato raro e contrário ao usual. O desenlace não se deu porque o agora presidente estivesse esquecendo seu compromisso de campanha, mas, ao contrário disso, justamente por estar agindo tal qual havia prometido fazer.

As camisetas estampadas com o Bolsodória, por exemplo, foram para a lata do lixo, e deveriam ter levado junto a hipocrisia desses falsos parceiros.

Traição é coisa difícil de se engolir; e foi assim, traídos, que se sentiram pelo comportamento fora do padrão do vencedor da eleição e metido à besta em querer cumprir promessas…

Onde já se viu ficar fora dos conchavos?

Sempre foi esse o caminho por onde muitos se locupletavam, e após gastar tudo o que podiam comprando tudo o que dinheiro ilimitado permite, enchiam malas e cuecas, engordavam contas no exterior quando as daqui não comportavam mais a quantidade de dígitos nos saldos bancários; e o país como um todo que se lasque.

Bolsonaro maluco.

O esquema já estava todo montado e azeitado, nem precisaria arquitetar a logística, e no caso de não querer ditar as cartas encabeçando e participando diretamente, era só mudar o local do escritório central de gerenciamento, separando da sede do governo federal, definir um gestor, fechar os olhos, e todos continuariam mamando nas milhares de tetas da grande porca gorda verde e amarela.

Caramba, como esse Bolsonaro é burro!

O sujeito vai tentar desmontar o que está funcionando melhor ainda do que sempre funcionou e gerando rendas e fortunas para muita gente!

José Dirceu, Lula e corriola foram competentes na profissionalização da corrupção.

Redefiniram e engordaram percentuais e valores, rearranjaram o organograma, estruturando as escalas hierárquicas e suas ligações, e construindo um funcional e verdadeiro corruptograma.

Indicaram as várias nascentes da dinheirama, devidamente controladas com participantes do esquema nos postos chave, que tinham duas funções básicas, em sua maioria a função ativa de promover os desvios, e outros, em menor número participavam acobertando e fingindo que nada acontecia.

Demarcaram também os caminhos pelos quais passariam reais, dólares, euros, pedras preciosas, etc., e para aonde se encaminhariam, inclusive com vazamentos novos, por esgotos que levavam até outros países, todos controlados por mancomunados.

Tem cada vez mais gente feliz participando do mega esquema.

O cara vai mexer mesmo nesse angu? Então estou fora –assim certamente pensaram muitos.

Então é guerra, estar fora não é simplesmente não participar; é “ir para as cabeças”.

Vamos ser contrários a tudo que ele fizer, mesmo se, por exemplo, criar um décimo terceiro para os assistidos pelo Bolsa Família.

Mesmo se ele tentar acabar com taxas cobradas de estudantes e com DPVAT; seremos contra.

Esse presidente radical também cortou parte das verbas publicitárias, que amansavam as veias críticas de vários participantes da grande mídia do país.

Cara, a gente tinha conseguido até campanha institucional para o Correio, mesmo se tratando de um monopólio, não tendo concorrência; veja a nossa argúcia.

E o sujeito quer melar tudo?

Não vamos deixar barato, vamos nos juntar todos daqui e contar com nossos cupinchas lá de fora.

Vamos judicializar tudo, contestar tudo, denunciar tudo, mereça ser denunciado ou não.

O que não iremos fazer é dar sossego. Esse cara vai ver “com quantos paus se faz uma canoa”!

—Companheiro, lembra de quando a gente discutiu Antônio Gramsci, e definimos uma técnica de imprinting? Então, vamos carimbar alguma marca bisonha nele e criar um mantra. Que tal?

— Boa! Tenho uma ideia: agora que temos essa nova companheira, a bem-vinda pandemia da COVID19, a gente poderia chamar o cara de genocida; a palavra é forte, marcante e com boa sonoridade; e ainda por cima cola esse fulano na pandemia.

— Então tá. Passa adiante e agora todos nós vamos taxar o Bolsonaro de genocida.

Em uma passada pelos dicionários vemos que genocida seria aquele que comete genocídio, extermínio deliberado de pessoas.

E nem importa a total inadequação do termo, na verdade quanto mais incomodar e trombar com a verdade, mais será utilizado.

Há um fato nesse contexto que entristece ainda mais.

Não são analfabetos ou desinformados que agem assim, mas pessoas com instrução, o que é indicativo de que para muitos a verdade importa menos, ou nada; o que vale é a oportunidade de carimbar esse cancelador de benesses indevidas. Então tome-lhe “genocida”.

Outro ponto é que esses ladrões e bandidos angariaram também a confiança de muita gente, e esses últimos mesmo sem fazer parte da quadrilha e nem dos mamadores da grande porca, e até sem serem desonestos; creem neles.

Você que está lendo essas linhas, poderá perguntar: mas essa gente não enxerga?

São tão tapados assim?

Bem, eu é que não posso atirar a primeira pedra, pois confesso envergonhadamente que já votei em Collor, em Serra, em Aécio Neves e outros erros desse tipo.

Hoje temos internet, com acesso quase que ilimitado ao conhecimento humano, para ao menos parte da população.

Ainda assim parece que boa parte dos brasileiros está emburrecendo. Perdoem o termo, que foi aqui colocado com ares de galhofa.

Se o volume de informações aumentou de forma exponencial, o nível de confiança nessas informações parece ter tomado rumo inverso; e isso facilita para que boa parte apenas veja o carimbo, sem se dar conta ou tentar saber o porquê.

Por fim, uma vez que estão tentando rotular o presidente com essa pecha, vale ressaltar que a visão esclarecida permite enxergar as coisas tais como elas são, nesse e em outros assuntos sobre carimbos.

 

 

Reginaldo Brito, para Vida Destra, 07/05/2021.                                                                Sigam-me no Twitter! Vamos debater o assunto! @Reginaldoescri1

 

Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Alvaro
Alvaro
4 meses atrás

Acredito que a esquerda se ressente em não ter participado da reconstrução do Brasil por pura ganância e ignorância pois ser oposição é algo diferente de ser antipatriota.

Jo Rroc
Jo Rroc
Reply to  Alvaro
4 meses atrás

Esquerda são todos ladrões mesmos, são Narcosocialistas o único objetivo deles é chegar nos cofres públicos pra roubar e lascar o Povo

Luiz Antonio
4 meses atrás

Neste brilhante artigo de @Reginaldoescr1 sobre a mudança da gestão do Executivo com Bolsonaro, fico pensando se levar amigos de 30 anos da área militar foi uma boa. Embora não roubem, jogam contra time ao vazar informações.

Christian Andreotti de Freitas
Christian Andreotti de Freitas
4 meses atrás

Excelente texto! Obrigado por nos brindar com tão sensata análise e descrição do que ocorre no âmbito do Governo. Bolsonaro é, sim, um exemplo de obstinação e resiliência.