Quando começou o fechamento arbitrário do comércio na pandemia – medida nunca utilizada antes na história –, os defensores alegavam que seria necessário que ficássemos em casa “por duas semanas, para achatar a curva”. Pois bem, duas semanas já viraram dois anos e sabe se lá Deus quando isso vai acabar, visto que há estados decretando lockdown mesmo estando vacinando a população, a exemplo de Melbourne, na Austrália. Porém, o que essa gente não se deu conta é que o fechamento arbitrário do comércio causaria uma crise econômica que prejudicaria justamente os mais pobres, que eles, de esquerda, dizem defender, mas fizeram vista grossa para o assunto, uma vez que quem fez esse alerta foi o presidente Jair Bolsonaro.

Começando que o próprio mantra “fica em casa, a economia a gente vê depois”, ou “vamos cuidar primeiro da vida e depois da economia” são frases das mais burras que podem ser ouvidas, digna de países que figuram nos últimos lugares nos rankings internacionais quando o assunto é interpretação de textos. A partir do momento que a manutenção de nossas vidas depende de recursos escassos e a economia cuida justamente da alocação de tais recursos, é impossível separar a vida da economia, muito pelo contrário: deveríamos ter nos preocupado unicamente com a economia durante a pandemia, pois, se ela estivesse indo bem, todas as outras áreas estariam.

Podemos ver isso com o caso de São Paulo: o governador João Doria decretou quarentena em março de 2020, segue com esse plano até o presente momento e, durante sua gestão para lá de medíocre, teve que aumentar diversas vezes os impostos para repor o rombo que foi feito em São Paulo com suas políticas de fechamento do comércio. Mas o rombo foi tanto que o aumento de impostos de Doria não resolveu muita coisa, visto que o governador teve que fechar diversos leitos de hospitais porque não tinha mais dinheiro para custeá-los. Pior, ainda, é o efeito devastador que o aumento de impostos somado ao lockdown causou: no estado, pelo menos 50 mil bares e restaurantes, estabelecimentos comandados por pequenos empreendedores, foram à falência, prejudicando mais uma vez os pobres. Isso por si só demonstra o fracasso completo da política de lockdown – que queria cuidar “primeiro da vida e depois da economia” –, mas o negócio é bem mais embaixo e seus efeitos devastadores não param por aí.

Com o fechamento de todo o comércio para “cuidar da vida”, o governo teve que dar um jeito de financiar as pessoas que não estavam trabalhando nos serviços “não essenciais”, como se os demais serviços não fossem essenciais para quem depende deles. Desta forma, foi criada a figura do auxílio emergencial, um benefício no valor de R$ 600,00 a R$ 1.800,00 para as pessoas que estavam em casa.

Aqui houve dois problemas: o primeiro é que pessoas que não trabalhavam receberam o auxílio e, o segundo, é que o valor para custeá-lo não estava previsto na lei orçamentária de 2019, o que levou o governo obrigatoriamente a custeá-lo aumentando a base monetária, isto é, na prática, imprimindo dinheiro. Quem viveu na época de José Sarney está cansado de saber o que acontece quando o governo imprime dinheiro sem lastro: inflação, o grande monstro que aterrorizou os brasileiros na década de 90 está de volta e chegando perto dos dois dígitos, algo que não era visto desde o governo Dilma Rousseff, que abusou dos gastos públicos e entregou uma inflação de 10,48% em 2015.

O problema da inflação é que ela desvaloriza a moeda e, consequentemente, diminui o poder de compra daqueles que ganham menos, condenando, mais uma vez, os pobres que a esquerda diz defender a um estado de pobreza maior ainda. A inflação também é maléfica para o investimento internacional, visto que, em um país com insegurança jurídica alta como o Brasil, ela é só mais um sinal de que empresas estrangeiras não devem vir para cá e gerar empregos, outro ponto afetado pelo “fica em casa, a economia a gente vê depois”: em 2019, primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro, o desemprego abaixou para 11%, dando fortes indícios de queda, pois Bolsonaro aprovou grandes projetos na área econômica naquele ano, como a reforma da previdência e a lei de liberdade econômica, que fez uma revolução em termos de desburocratização para abertura de empresas.

O dólar foi outro indicador que disparou, gerando uma alta distorção no mercado e parte dessa culpa é do Banco Central: com a pandemia, o Banco Central diminuiu a Selic, taxa mãe da economia que controla os juros, a 2% ao ano, o que barateou muito o real e consequentemente o desvalorizou face ao dólar e euro, moedas hegemônicas.  Além disso, a própria incerteza gerada com a pandemia fez o dólar subir muito também, não só no Brasil como também no mundo, mas no Brasil havia o seguinte dilema: se o Banco Central não abaixasse tanto a Selic, o real ficaria mais caro do que estava na pandemia, com a Selic a 2%, e isso não atrairia muitos investimentos. No entanto, com o real barato e consequentemente desvalorizado, viu se um convite para empresas estrangeiras, que operam em dólar, virem para o Brasil e investirem aqui com a vantagem da moeda barata, tanto que a bolsa bateu recordes com a Selic a 2% em plena pandemia, o que significa que o pouco de investimento estrangeiro que tivemos durante a crise do Covid-19 foi graças a essa medida do governo Bolsonaro que, embora gerou inflação, segurou o desemprego, de modo que o Brasil não se tornou algo como a Argentina. No fundo, o correto mesmo seria não existir taxa de juros, dado que ela não passa de um controle de preços no mercado de juros, cuja taxa deveria ser a soma da preferência temporal de toda a sociedade, algo que é impossível de ser calculado por um órgão centralizador como o BACEN, que faz mais mal do que bem para a economia.

Como se não bastasse o aumento do dólar, da inflação e do desemprego, também houve o aumento da mendicância, isto é, o aumento de pessoas que pedem esmolas nas ruas, ônibus, trens, metrôs e tutti quanti. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 20%, e desses, a maioria são, olha só, homens negros, mais uma parcela de minorias que os lobotomizados que defenderam o “fica em casa, a economia a gente vê depois”, dizem defender.

Em São Paulo, ainda não há dados oficiais, visto que o censo será feito apenas em 2023, mas sabe-se que a população de rua da capital paulista sofre com uma tendência de alta há tempos, tanto que, há 20 anos, o número de moradores de rua por lá era de 9 mil. Em 2015, esse número subiu para 14 mil e em 2019, foi para 24 mil, quase dobrando em 4 anos. O aumento da população de rua em São Paulo é reflexo do desastre das gestões petista, com Fernando Haddad, e tucana, com João Doria, atual governador, e seu vice, Bruno Covas, que governaram a capital de 2012 até 2021.

Um argumento que os defensores da ditadura sanitarista usam é que “outros países fizeram lockdown e já estão melhores que nós, como a Europa e os Estados Unidos”, comparação que é uma baita de uma desonestidade intelectual, visto que estes países são de primeiro mundo e possuem mecanismos para lidar com crises, começando com a moeda forte: dólar e euro são demandados pelo mundo inteiro, o que permite os EUA e a Europa exportarem a inflação gerada por eles para outros países devido à demanda de suas moedas.

Além disso, não foram todos os estados americanos e países europeus que fizeram lockdown: nos EUA, a Flórida adotou algumas poucas medidas de restrição e teve muito menos mortes que Nova Iorque e Nova Jersey, os campeões de mortos por 1 milhão de habitantes de lá. O mesmo ocorreu na Europa: a Suécia não impôs fechamento arbitrário do comércio e tem menos mortos por 1 milhão de habitantes que França, Itália, Espanha e outros países que fizeram um lockdown extremamente rígido.

Por fim, é válido lembrar que a turma do “fica em casa, a economia a gente vê depois” não passa de um bando de hipócritas, pois Felipe Neto, Luiz Henrique Mandetta, Luciano Huck, João Doria e todos os outros defensores da ditadura sanitarista que pediram para o povo ficar em casa durante a pandemia não ficaram, mostrando que nem eles acreditavam nessa besteira de “fica em casa, a economia a gente vê depois”.

Tudo isso corrobora a tese do dr. Alessandro Loiola, de que o que vimos foi uma fraudemia: isto é, o vírus existe, você pode pegá-lo e morrer por causa disso, mas a politização da doença prejudicou o tratamento e a gestão da pandemia em si, que se não fosse por políticos demagogos como Luiz Henrique Mandetta, que mandou o povo só ir no médico se tivesse falta de ar, poderíamos ter tido menos mortos e consequentemente menos desempregados, menos pobres e menos moradores de rua.

 

 

Vinicius Mariano, para Vida Destra, 20/09/2021.
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