Muito ainda há de ser escrito, estudado e falado sobre esse evento mundial chamado de pandemia. Sistemas de saúde colapsados, Governos colocados à prova, muito dinheiro investido em pesquisas, gastos no enfrentamento e até desviados pela corrupção, e claro, muito luto pelas vidas que se foram.

Mas infelizmente, esse luto parece ser seletivo. Os que fingem empatia com os mortos pela Covid-19, são os mesmos que ignoram o efeito igualmente mortal sobre a vida das pessoas, de ações tomadas sem critérios claros e fundamentados. Ignoram a dor de famílias destruídas pelo desemprego, fome e miséria.

Ignoram quantos morreram por ter que interromper bruscamente tratamentos de outras doenças que já possuíam antes da pandemia. Ignoram o fato de que pessoas tiraram a própria vida por conta do terror psicológico feito pela mídia de necrotério, que jamais se preocupou em equilibrar notícias ruins – que dão audiência – com notícias positivas e de otimismo.

Mas se fôssemos caracterizar de alguma forma as reações humanas diante dessa crise pandêmica, eu resumiria em apenas duas coisas: hipocrisia e covardia. Talvez esses adjetivos resumam de forma completa o que muitos de nós pudemos ver durante esse mais de um ano de pandemia.

E isso não se resume a figuras públicas, em absoluto. Nos nossos círculos familiares ou de amizade, todos nós conhecemos alguém que se tornou um mero reprodutor de conceitos fabricados por supostos “especialistas”, e verdades absolutas pregadas por arautos da verdade e da superioridade moral, que se julgam acima de qualquer suspeita, que esse contexto histérico produziu. São apenas hipócritas envoltos em uma aura de benevolência. Querem ver?

O hipócrita fiscaliza quem está sem máscara ao seu redor. Mas quando não tem ninguém olhando, é o primeiro a tirar a própria máscara para respirar. Isso porque os negacionistas não podem descobrir que ele também sofre com essa focinheira no rosto.

O hipócrita critica quem faz o “tratamento precoce”. Mas quando se contamina, vai atrás do médico que prescreve aquele remédio para malária. Aliás, esse hipócrita é o mesmo que se for acometido por uma doença rara, vai gastar tudo o que tem em tratamentos experimentais no exterior. Mas é claro, tudo em sigilo, porque ninguém pode saber que ele vai fazer de tudo para não morrer, mesmo que ainda não seja cientificamente comprovado.

O hipócrita fica gritando “Vacina Já” e ataca o Governo que tentou adquirir vacinas com segurança jurídica e respeito ao dinheiro público. Mas quando chega a sua vez de vacinar, quer escolher a vacina mais eficaz e segura que existe no mercado. Ele não pode deixar que descubram que, na verdade, ele não quer tomar aquela vacina chinesa de baixa eficácia. O que seus amigos de lacração iriam achar disso?

O hipócrita critica quem precisa sair para trabalhar, mas não dispensa – com salário garantido – a babá dos filhos ou a empregada que têm que pegar ônibus lotado todo dia para garantir que o seu home office isolacionista não seja prejudicado pela bagunça dos filhos insuportáveis e sem educação.

O hipócrita critica o cidadão humilde que vai ao culto ou faz uma pequena reunião de família em casa, mas não abre mão do próprio convescote na sua varanda gourmet com os amigos bacanas. Mas como são cuidadosos, todos ficam sem máscara, exceto os empregados que estão lhes servindo.

O hipócrita criticou a Copa América no Brasil. Mas assiste os campeonatos televisionados pela Globo, porque afinal, em aglomeração transmitida pela Globo não circula coronavírus. Já o jogador hipócrita da seleção brasileira fez cartinha reclamando da realização da Copa América no Brasil, mas morre de medo de ser pego naquela balada vip com celebridades.

O hipócrita critica as manifestações e motociatas de apoio ao Governo Federal. Mas ele se manifesta e aglomera para protestar contra esse mesmo Governo. Aliás, essa é uma categoria especial de hipócrita. Ele jura ter feito um acordo com o coronavírus para que ele não contamine seus companheiros, já que eles lutam pela mesma causa “civilizatória” que é derrubar Bolsonaro. Afinal, ele é pior do que o vírus.

Mas muitos desses hipócritas são, na verdade, covardes! Sabem que existem interesses escusos por trás de tudo isso, mas encarnam o fariseu que fiscaliza a conduta de terceiros. Fazem um patrulhamento odioso a quem faz qualquer questionamento válido sobre essas questões impostas à sociedade por burocratas de ar condicionado que não conhecem a realidade da população.

A pandemia mascarou o nosso rosto, mas a máscara que escondia o caráter de muitos, na verdade foi retirada durante essa pandemia. Hipócritas e covardes serão lembrados no fim de tudo isso. E não haverá redenção para quem fez política em cima de caixões, desviou recursos valiosos do combate à pandemia para a sua corrupção ou tentou impor as suas verdades como absolutas.

E aí, você conhece alguém que se encaixa nesse perfil hipócrita e covarde?

 

 

Ismael Almeida, para Vida Destra, 30/06/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Welton Reis
2 meses atrás

Excelente Ismael!
Semana passada disse a um amigo que iria escrever sobre hipocrisia na política, porém seu artigo foi mais contundente, na mosca como dizia meu velho pai. A linha de separação do hipócrita e do canalha é bastante fina. Parabéns!!!