Em maio passado a parceria entre a revista digital Vida Destra e a jornalista, escritora e ativista dos direitos das pessoas com deficiência Lia Crespo completou um ano. Em comemoração ao primeiro aniversário desta honrosa parceria, estamos publicando o livro infantil “As aventuras de Nando the Cat”, de autoria da Lia.

O conteúdo está dividido em três partes, sendo publicado nas tardes de sábado, e é a primeira publicação da revista Vida Destra voltada ao público infantil.

Agradecemos imensamente à Lia Crespo pela parceria que muitos nos honra e por disponibilizar o seu livro ao nosso público! 

Apreciem hoje a segunda parte da história!

 

Perdeu a primeira parte? Acesse no link abaixo:

Parte I

 

As aventuras de Nando The Cat

o gatinho amarelo com um rabo curto – Parte 2

 

As crianças tinham tirado no palitinho para saber quem iria ver como era o famoso cão de guarda da escola de quem todos falavam, mas ninguém tinha visto. Júlia tinha sido a sorteada e aceitado o desafio. Os colegas duvidaram que tivesse coragem. Mas, isso só fez com que ela ficasse mais determinada. E deu no que deu.

Nando também ficou sabendo por Mickey que Basker tinha ficado fascinado por Júlia ou, mais precisamente, pela cadeira de rodas dela. O rato, que Nando fingia perseguir, para deleite da Diretora, explicou que —  na cabeça de Basker – aquela coisa com rodas parecia ser muito ameaçadora e, por isso, a fera tinha decido  destruí-la com próprios dentes.

Júlia estava em perigo!

—- Temos de fazer alguma coisa para proteger a menina!, alertou o rato.

—- Claro!, concordou Nando. Mas, em seguida, ele disse:

— Espera um pouco! Como assim, proteger a Júlia?! Você é um rato que escapou do laboratório das aulas de Ciências e eu sou somente um gatinho. Não poderemos fazer nada contra aquele monstro aterrador!

Mickey não pensava assim. Quando decidiu que não queria mais ficar decifrando a saída daquele labirinto idiota, nem muito menos passar o resto da vida  naquela ridícula roda de hamster, colocou em prática seu plano de fuga e deixou o professor de Ciências com cara de bobo.

— Nando, você é um gatinho inteligente e bem-informado. Já deveria saber que a força bruta pode muita coisa, mas não pode tudo. Muitas vezes, é a inteligência que leva a melhor, garantiu o rato.

— Você tem razão, Mickey. Temos de encontrar um meio de nos livrar desse monstro!, decidiu Nando The Cat.

Ficou acertado que o plano arquitetado deveria ser executado quando Basker fosse solto do canil à noite e a escola estivesse vazia, pois ninguém queria colocar as crianças em risco. A ideia era fazer com que a Diretora ficasse com tanta raiva do cachorro que o mandasse embora imediatamente.

De acordo com o planejado, na noite marcada, Nando chamaria todos os gatos de rua que conhecia e Mickey faria  a mesma coisa com os ratos da redondeza. Eles dariam um jeito para que uma das portas de acesso à escola ficasse aberta e atrairiam Basker para dentro de modo que, em perseguição à bicharada, o cachorro fizesse a maior bagunça possível.

— Tem que ser alguma coisa que faça o estrago deixado pelos ladrões parecido com brincadeira de criança, sentenciou Mickey.

E assim foi feito. Na noite combinada, quando a faxineira ia fechar a última porta dos fundos da escola, Mickey e seus amigos ratos apareceram e passearam entre as pernas e sobre os pés da mulher. A pobre coitada  gritou e pulou como se estivesse pisando em brasas e saiu correndo sem fechar a porta. A primeira parte estava feita. Agora, era só esperar o homem da empresa de aluguel de cães de guarda chegar.

Como fazia todas as noites, depois de limpar o canil e alimentar o cão, o homem deixou Basker solto no terreno da escola e foi embora.

Quando o homem saiu, trancando por fora o portão do estacionamento, Nando deu o aviso:

— Está na hora do show!

Um a um os bichos foram saindo de suas tocas. Mal Basker  perseguia um deles, outro aparecia e o cachorro não conseguia abocanhar nenhum. Basker foi ficando cada vez mais nervoso. Quando os bichos entraram na escola, ele não teve dúvida: foi atrás. Eram gatos e ratos para todo lado. Surgiam de todos os cantos. Pulavam de cima de armários. Se enfiavam embaixo dos móveis. E Basker, enquanto perseguia todos furiosamente, ia  destruindo tudo pelo caminho. Televisores, computadores, livros, material escolar, mantimentos, panelas, pratos, talheres, carteiras escolares, papel higiênico, caixas de giz, apagadores, lápis, canetas, tubos de tinta, papéis, enfim, tudo ficou pelo chão, embolado na maior maçaroca. A confusão durou a noite inteira, até que todos foram vencidos pelo cansaço.

Quando chegou pela manhã e viu a bagunça logo que abriu a porta da escola, a Diretora quase teve um enfarte.

Basker estava enrolado no mapa-múndi, dormindo tranquilamente no chão, feito uma ilha, cercado de objetos quebrados e sujeira por todos os lados. A mulher furibunda ficou vermelha feito um tomate e bufava, quase soltando fogo pelo nariz!

Claro que não deu outra. A Diretora ligou para a empresa de aluguel de cães e disse, aos berros:

— NÃO QUERO MAIS CACHORRO NENHUM! VENHAM BUSCAR ESTA CRIATURA ABOMINÁVEL I-ME-DI-A-TA-MEN-TE!

O homem veio o mais rápido que pôde, colocou a corrente na coleira do cachorro e ambos passaram de cabeça baixa e rabo entre as pernas diante da Diretora, que mais parecia um buldogue de braços cruzados, batendo o pé no chão, enquanto bufava.  Nando, Mickey e o resto do bando assistiram à cena de seus esconderijos secretos. Eles estavam muito satisfeitos pela vitória e, ao mesmo tempo, surpresos porque o plano funcionou tão bem.

Mas, a sensação de triunfo sumiu na hora em que, antes de atravessar o portão do estacionamento da escola e sair, Basker virou a cabeçorra para trás e lançou sobre eles aquele diabólico olhar amarelo. Foi como se uma adaga cintilante os tivesse transpassado. Todos engoliram em seco e se entreolharam receosos.

— Acho que ainda não acabou, disse  Mickey.

— Que nada! Para onde vai, duvido que ele consiga escapar!, disse Nando The Cat, tentando passar confiança ao grupo.

Conforme o tempo foi passando, aos poucos, a vida na escola foi voltando ao normal. Nando retomou sua rotina de fingir caçar Mickey, suas aulas de História e Geografia, a leitura dos livros sobre o Egito Antigo e as aventuras do Gato de Botas. Sem esquecer as tretas no Twitter. Nando e Mickey quase nem lembravam mais do cão Basker Villes e do medo que tinha provocado neles. Só mencionavam o ogro quando se gabavam de tê-lo feito de bobo e caíam na risada ao recordar a noite épica em que levaram a melhor sobre a criatura horrenda.

Finalmente, chegou junho, o mês das Festas Juninas!

A escola estava toda enfeitada com bandeirinhas. Uma fogueira enorme aquecia a noite fria e deixava tudo mais bonito ao desprender fagulhas brilhantes que pareciam minúsculas fadinhas voando.

Os funcionários da escola, as crianças e suas famílias tinham trabalhado bastante para organizar esse evento. A vizinhança toda foi convidada e compareceu. Havia muita comida gostosa e brincadeiras divertidas para as crianças e seus pais. Todo mundo estava animado em participar da quermesse para arrecadar fundos para repor o material destruído. Para a bicharada, quermesse era sinônimo de muita comida caída no chão, ou seja, uma verdadeira festa!

Júlia e seus amigos conversavam e riam. Ela estava feliz com sua roupa de caipirinha bem-caprichada feita por sua mãe. Os aros da sua cadeira de rodas também estavam enfeitados com papel colorido. Nando tinha acabado de sair de seu colo para abocanhar um belo pedaço de salsicha que uma criança tinha deixado cair, quando, com o rabo do olho, viu o cachorro enorme prestes a pular sobre a menina!

Num átimo, Nando pulou sobre o monstro e o mordeu o mais forte que pôde. Basker abocanhou o gato pelas costas, sacudiu e o atirou inerte no chão. No mesmo segundo, o homem que perseguia o cão desde sua fuga do canil, atirou sobre o enorme animal uma rede de metal, imobilizando a fera.

Foi tudo tão rápido que muitas pessoas nem perceberam ou entenderam o que tinha acontecido. O importante é que Júlia não tinha sofrido nem mesmo um arranhão e o cachorro tinha sido levado embora.

Mas, e Nando The Cat?

 

Continua…

 

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Lia Crespo, para Vida Destra, 25/06/2022.                                                              Sigam-me no Twitter, vamos conversar sobre o meu livro! @liacrespo

 

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