Aí temos no Brasil os doces!

Engolimos de um sorvo a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga.

­ Denis Diderot

 

Não sei se o leitor deste artigo já pensou ou viu alguma receita de doces que, por acaso, teve o privilégio de degustar. Temos uma variedade de sobremesas, o que está sobre a mesa ou depois da mesa exposta da iguaria principal.

O glutão, um ser que adora comer as iguarias diferenciadas, talvez um conhecedor de sabores incontestes, sabe das variedades e sabores em demasia por engolir ou saber.

E o que tem a ver com os doces e paladares? A maioria dos preparados com açúcar na terra brasilis tem origem no pequeno e soberbo, e por que não MAIORAL, Portugal. Sim, sabemos da dessert francesa ou das holandesas e alemãs. Mas, qual seria a brasileira?

No meu modesto saber temos o Figo Rami, uma doçura genuinamente brasileira, com cachaça, café, açúcar de cana e figo de Jundiaí.

O que tem este prelúdio a ver com a política? Somos influenciados pela cultura europeia e americana, porém, temos também criações genuinamente crioulas, um pleonasmo desnecessário, porém único, já que crioulo é aquilo que nasceu ou foi criado aqui nas nossas terras.

Vivemos um embate entre direita e esquerda, será? Uns acham que somos socialistas, outros que temos na alma o capitalismo, até comunistas ou selvagens capitalistas.

Na real, somos únicos no mundo, pois conseguimos ter no nosso arsenal excessivo de leis todas as vertentes ou vieses das principais filosofias políticas/econômicas.

Do fascismo, herdamos a imprescindível carteira de trabalho, que nunca chegou a 50% da massa trabalhadora. Do nacionalismo, tivemos e ainda temos as Brás, no passado houve a SELVABRAS, uma empresa especializada na preparação de dormentes para a linha férrea, entre outras, a FNM, popularmente conhecida como ‘fenemê’, Fábrica Nacional de Motores.

Tá surpreso? Tivemos, na luta sindical, uma lei federal apelidada de adicional de chuva, na qual o estivador ganhava um “extra” por trabalhar na chuva, sabe-se lá se garoa ou copiosa, até mesmo temporal, foi-se o tempo!

No momento, estamos vivendo outra criação ímpar, que é a propaganda de partidos políticos, porém, com forte personalização para ludibriar a lei que dispõe sobre a propaganda eleitoral ou simplesmente campanha.

Essas articulações eufêmicas, no fundo, são ações desonestas, assim como os diversos nomes de impostos, tais como taxas, contribuições, empréstimos compulsórios etc.

Finalmente, acho que é melhor comer com moderação os doces, já que as criações políticas/financeiras são indigestas.

“Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta, que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição, e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos.” – Epicuro

 

 

Welton Reis, para Vida Destra, 27/06/2022.
Sigam-me no Twitter! Vamos conversar sobre o artigo! @weltonrei

 

Receba de forma ágil todo o nosso conteúdo através do nosso canal no Telegram!

 

As informações e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade de seu(s) respectivo(s) autor(es), e não expressam necessariamente a opinião do Vida Destra. Para entrar em contato, envie um e-mail ao [email protected]
Últimos posts por Welton Reis (exibir todos)
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments