Há três dias, acordei com vontade de manter o meu abdômen de tanquinho e decidi ir para o parque para puxar um ferro, com a turma da academia!

Cheguei lá no meu bólido, naquela manhã, mas dei de cara com os portões fechados! O que aconteceu? O professor de Educação Física Felipe me avisou pelo ZAP que o Governador fechou o parque em razão da pandemia de coronavírus… Logo em seguida, encaminhou vídeo do meu treinamento que eu deveria fazer em casa, com reforço de abdominais, flexões e bíceps, além do uso da haste vassoura com dois baldes nas laterais com 20 kg de feijão, já que eu não disponho de academia em casa. Bom, tudo bem, eu queria fazer!

Mas, quando cheguei em casa, recebi aviso do trabalho, de que a partir daquela manhã o trampo seria “home office”, era pra ficar em casa mesmo. Tudo em nome da coletividade, conforme portaria de S.Exa. Governador, e que meu supervisor verificaria todo o trabalho que eu enviasse.

Enquanto aguardava mais notificações, decidi ir ao supermercado e quebrei a cara, novamente! Havia um aviso: “Em razão do COVID-19, toas as compras serão realizadas através de delivery”. Bom, tudo bem de novo. Voltei para casa.

Entrei na internet e fiz o meu pedido.

Algumas horas depois, a campainha tocou, mas nem uma viva alma, na porta. Porém, a encomenda estava lá. Parecia a época do meu avô, lá no interior, em que deixavam o leite em garrafa na porta da casa. Lembro disso como se fosse ontem.

Que seja! A vida continua! Preparei-me para ir a Facú à noite, e também me ferrei! O Chefe do Executivo Estadual também tinha fechado a Universidade, e os professores estavam se preparando para enviar vídeo-aulas pela internet, de modo a não perder o ano letivo.

Logo naquele momento, que estava entrando nos maiores papos com uma mina e tinha até marcado para irmos no Shopping!

No dia seguinte, ela me ligou, desmarcando, avisando que o Governador, em prol da bendita coletividade, tinha fechado os shoppings também! Nem a um cineminha pude ir.

O jeito foi esperar o fim de semana para as baladas. Mais rápido que uma bala, parecendo uma papa-léguas, a dita a autoridade estadual também proibiu quaisquer festinhas em boates, danceterias, bares, karaokês, etc.! Assim estava ficando muito difícil…

Sem solução, apelei para um prostíbulo, mas portas fechadas! Até as quengas também tinham suspendido as atividades, em razão do contágio.

Mergulhei no celular, para saber das notícias no Whatsapp, Instagram, Twitter, Telegram. Mas cada vez mais, só via notícias apavoradoras, além de vídeo-aulas para malhar e mensagens de meu supervisor, avisando do teletrabalho que eu tinha que mandar.

Já estava ficando noiado, não de drogas, claro, mas de tudo que assistia na internet e, então, na TV. Fui ficando deprimido!

Resolvi ligar para meu psicólogo, de forma a obter uma receita de algum antidepressivo, mas sem dar-me tempo sequer de pedi-la, ele me prescreveu uns vídeos “zen” lá do Himalaia para assistir, bem como, seguindo a máxima “quem canta, seus males espanta”, recomendando que eu cantasse à noite, na varanda do meu apartamento. Como no condomínio em que moro os prédios eram muito próximos, recebi mesmo foram muitas vaias e muita ovada.

Ai, que saudade da época em que namorava de mãos dadas na praça…

Luiz Antonio de Santa Ritta, para Vida Destra, 19/03/2.020

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Islandia Xavier dos Santos
Islandia Xavier dos Santos
2 meses atrás

Muito bom. Humor de primeira qualidade. 👏👏👏👏👏

Marco Ferreira
Marco Ferreira
2 meses atrás

Uma forma bem humorada de transpor às dificuldades atuais. Alegria e bom humor, faz com que tenhamos bom ânimo e, coragem diante cenário tão complicado!
Só posso agradecer ter alegrado meu início de manhã!

Rosane
Rosane
2 meses atrás

Excelente texto! Parabéns

Moisés
Moisés
2 meses atrás

Muito bom gostei