Não é novidade para ninguém que o Estado, representado pelos prefeitos, governadores e juízes, tem abusado das medidas de confinamento, conhecidas como “lockdown”, que, se formos relembrar, eram para durar apenas duas semanas para “equipar o sistema público de saúde (SUS)”,  apesar de não ter sido equipado desde sua concepção, há muitos anos,  e houve gente que acreditou que ele seria equipado em duas semanas, o que é governamentalmente possível. Essa ladainha foi tão mentirosa que vamos completar um ano em casa, confinados, e o tal sistema não foi equipado ainda. E em se tratando de Brasil, ele provavelmente não vai ser, basta ver os rios de dinheiro que foram desviados por governadores durante a pandemia de covid-19, e os hospitais de campanha sendo desmontados no país no meio da maior pandemia do século XXI no ocidente, além de governadores, como João Doria, de São Paulo, ter desativado leitos de UTI. Essas atitudes mostram que o lockdown, quarentena, ou seja o nome que for dado ao solapamento de direitos individuais em nome de uma teoria supostamente científica, se tornou a nova forma de democídio no país que já era o campeão em homicídios no mundo, devido a leniência dos governos para com o crime.

Para quem não sabe, democídio é um termo criado pelo professor de ciência polícia da Universidade do Havaí Rudolph Joseph Rummel,  e significa assassinato do povo pelo governo (demo: povo, cidio: assassinato). No Brasil, podemos ver a manifestação do democídio nas políticas pró crime, como desarmamento da população, saidinhas, progressão penal, judiciário lento, militância de pautas esquerdistas em agentes do estado, desencarceramento, fim da prisão em segunda instância, flexibilização das leis penais, audiência de custódia e outras aberrações do tipo que fazem o Brasil ter, mesmo depois do estatuto do desarmamento, mais de 60 mil homicídios por ano, dos quais aproximadamente 93% não tem solução. Ou seja, nós, brasileiros, vivemos em um país que mata mais que muita guerra no Oriente Médio, e não podemos nem nos defender devido às políticas de desarmamento implementadas pelos governos Lula e FHC, e defendidas à exaustão por militantes de esquerda alienados.

Não se pode afirmar qual é a causa específica do democídio, sabe se que ele é fruto de diversas outras micro causas, como interesse pelo poder, acordos de agentes do Estado com o tráfico, leniência ideológica etc. No entanto, o caso é que o democídio brasileiro encontrou uma nova forma de se manifestar e de dizimar a população, forma esta que talvez seja muito mais perigosa que as outras, pois conta com o aval de pseudocientistas que, através da retórica, conseguem convencer a população de teorias cheias de erros.

Trata-se das medidas arbitrárias de quarentena impostas por governadores como João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS), que têm fechado o comércio de seus estados sem pensar nas pessoas que precisam trabalhar, e que dependem da atividade comercial para sobreviverem. Vamos entender um pouco como funciona o novo democídio, que é o lockdown/quarentena, e vamos falar sobre suas consequências diretas e indiretas.

Primeiro, temos que entender o que é o lockdown. Basicamente, é o governador e/ou o prefeito assinando um atestado de incompetência, dizendo para os comércios fecharem porque um vírus altamente contagioso (e de pouca letalidade) está circulando e causando caos na saúde, a qual eles não são capazes, devido à burocracia e à corrupção do Estado, melhorarem. Esse raciocínio de fechar tudo é burro e tem diversas falhas, pois os casos e mortes de coronavírus dispararam durante as fases vermelha e laranja em São Paulo, as fases mais restritivas, mas diminuíram durante as fases verde e amarela, as mais liberais. Veja o gráfico fornecido pela própria Secretaria de Saúde de SP, que mostra a evolução das infecções pelo vírus de março de 2020 até hoje:

De março até junho, o estado inteiro ficou fechado, isto é, só estavam abertos os ditos “serviços essenciais”. No entanto, veja que a infecção continuou rolando solta, e aí você pode até pensar: “mas depois que a quarentena começou a ser relaxada, em junho, os casos dispararam”. Será mesmo? Em agosto, Doria passou diversa regiões para a fase amarela do Plano SP e em outubro, para a fase verde. Como que as infecções foram menores e ficaram estabilizadas de agosto até novembro, momento em que perdurou as fases verde e amarela? A resposta pode estar no ciclo do vírus e na imunização natural da população, pois, segundo informações do site Worldometters, a letalidade do coronavírus no Brasil sempre foi baixa e, ao contrário do que vem repetindo governadores e mídia, ela está caindo desde então, apesar da nova cepa do vírus. Veja o gráfico:

A linha verde é a taxa de recuperação e a laranja, a de morte. Veja que a linha verde tem crescido desde abril, quando a pandemia começou a se tornar significativa no Brasil, ao passo que a linha laranja tem caído, apesar de que cada vez mais pessoas tiveram contato com a doença. Esses dados também reforçam a tese de que o lockdown não funciona, pois, se funcionasse, a partir do momento que houvesse relaxamento das medidas impostas de forma arbitrária pelos governadores e prefeitos, a linha laranja não iria mais cair, mas sim aumentar.

Um panorama semelhante podemos traçar analisando os óbitos que ocorreram no estado de São Paulo, a partir das informações do seguinte gráfico fornecido pela Secretaria de Saúde:

Perceba que houve uma alta entre março (começo da pandemia) e junho, no entanto, houve uma baixa de 5 meses, a contar de agosto, quando o estado ensaiou uma reabertura parcial. Veja que essa reabertura parcial não mudou muito a realidade, visto que entre junho e agosto os casos continuaram oscilando. No entanto, a partir de agosto, na fase amarela, com muitos serviços liberados, os óbitos começaram a cair, tendo esse cenário vigorado até janeiro de 2021 aproximadamente, quando começaram a aparecer as novas cepas do vírus e começou todo aquele ciclo novamente.

A partir das informações e análises colhidas nesses gráficos, concluí-se que o lockdown não conseguiu conter a disseminação do vírus e nem as mortes, tal como afirma um estudo de Stanford, e tal como pode ser evidenciado através dos dados fornecidos pelo estado de São Paulo e da comparação empírica de países da Europa, como Bélgica e Suécia, por exemplo. A Bélgica fez um dos mais severos lockdowns na Europa e seu resultado de mortes foi este:

Perceba que a Bélgica, que fechou tudo, teve uma explosão de mortes entre março e maio, tendo os óbitos diminuindo a partir de junho, mas subindo com tudo novamente em novembro. Vamos ver o gráfico da Suécia, que não tinha feito quarentena, para comparar:

 

O gráfico se parece com o da Bélgica: houve uma explosão de mortes de março até maio, tendo os óbitos dimiuído a partir de junho e voltando a subir em dezembro. Mas qual é a diferença entre esses dois países? Ambos têm aproximadamente a mesma população  (11,46 milhões para a Bélgica e 10,23 para a Suécia), ambos são considerados países de primeiro mundo e são monarquias parlamentares. A diferença é que a Suécia não fez lockdown e nem obrigou os cidadãos a usarem máscaras, a vida seguiu normal ali, diferente da Bélgica. Com isso, o país escandinavo tem apenas 13.146 mortes por coronavírus e figura na posição 25º do ranking de mortes por milhão de habitantes, ao passo que a Bélgica, que seguiu a cartilha do lockdown, tem 22.421 (isto é, quase o dobro) de mortes por coronavírus e figura na 4º posição do ranking internacional de mortes por  milhão de habitantes. Um desses países fez lockdown, destruiu sua economia e teve mais mortos, o outro não fez lockdown, teve efeitos bem menos devastadores na economia e teve muito menos mortos, o que no mínimo corrobora a tese de que o lockdown não impede o vírus de se disseminar e consequentemente de matar as pessoas, algo que foi reconhecido inclusive pela OMS.

Poderíamos continuar mostrando que as medidas arbitrárias e burras de isolamento são uma furada, mas temos que voltar ao tema central do artigo: o democídio causado pelo lockdown. Basicamente, o lockdown é uma forma de o governo assassinar a população porque ele proíbe as pessoas de fazerem trocas voluntárias de coisas que elas produzem em seus empregos, o que é responsável pelo processo de civilização que qualquer sociedade na história do mundo viveu até agora. Esse processo de civilização é construído a partir do seguinte exemplo prático: a empresa X produz arroz, a empresa Y produz feijão, a empresa Z produz computadores, a empresa A produz celulares, a empresa W produz roupas e assim por diante. Pergunto a você: é útil para um produtor de arroz ficar apenas com a sua produção e se abster de ter acesso a todos os outros produtos que o mercado oferece, como computadores, roupas, feijão, celulares e todo o resto? É claro que não, por isso o produtor de arroz sempre vai produzir uma parte para si mesmo e vai trocar o excedente de sua produção por outros bens e serviços ofertados no mercado. Acontece que o lockdown proíbe que determinados bens e serviços sejam produzidos e consequentemente trocados no mercado, logo, não há a necessidade de contratar pessoas para essa produção e se não há tal necessidade, essas pessoas não terão como garantir seus salários para comprar os produtos mais básicos, considerados como essenciais, o que nos faz cair no raciocínio: “adianta os produtos vendidos no supermercado serem considerados como essenciais se o dono da academia, do salão de festas e os trabalhadores do comércio não terão como adquiri-los?”. Essa é uma reflexão que mostra como o lockdown destrói o processo natural de civilização, pervertendo o e fazendo a civilização retroceder.

Ademais, pode ser levantada a questão do auxílio emergencial: como as pessoas estão em casa, sem trabalhar, basta o governo dar auxílio emergencial a elas que tudo está resolvido, certo? Muito errado, porque, como todos estão em casa, sem produzir, o dinheiro do auxílio emergencial foi criado artificialmente, sem nenhum lastro, e como a moeda é apenas um meio de troca, se ela é aumentada sem lastro, gera-se inflação, que é algo que pode ser visto como simples pela geração moderna, mas as gerações que viveram o monstro da inflação de 3 dígitos na década de 90 têm certeza que não querem ver esse fantasma novamente, pois a inflação destrói completamente uma sociedade, basta olhar para a Venezuela, que está tendo migração em massa, e agora para a Argentina, que está indo pelo o mesmo caminho.

Além do problema descivilizacional e inflacionário que o lockdown gera, não podemos nos esquecer também dos problemas sociais, como o alto consumo de álcool e drogas, o aumento da violência doméstica contra mulheres, idosos e crianças, e as epidemias de suicídio que estão surgindo graças a essa prática diabólica defendida como ciência. Para se ter ideia, em maio de 2020 a violência contra a mulher já tinha subido 35% em relação ao ano anterior, os números de denúncias de violência contra crianças caíram, já que as escolas, que geralmente identificavam esses casos, estão fechadas, e o Japão foi o primeiro país a registrar o aumento de mais de 70% de suicídios em mulheres, isso porque o Japão foi um dos países que fez uma das quarentenas mais leves se comparado aos outros.

Além disso, segundo informações da Agência Brasil, aproximadamente 70% das pessoas que moram em favelas não têm dinheiro para comida, no entanto, os bilionários, que geralmente são de esquerda, ficaram 30% mais ricos aproximadamente, pois o pequeno empresário teve que fechar sua loja com a decisão arbitrária da ditadura sanitária imposta por governadores, cuja maioria é de esquerda.

Veja, portanto, que o lockdown tem diferentes formas de democídio, podendo gerar fome, suicídio, aumento de mortes por covid-19, descivilização e mais um monte de infortúnios. No entanto, continua sendo defendido por boa parte da população, que ainda não se deu conta de seus efeitos perversos. Já vimos aqui que essa medida (lockdown) não funciona, pois se funcionasse, a Suécia teria tido mais mortes que a Bélgica. Então, temos que combater essa política democida, mas como fazer isso? Todo e qualquer argumento a favor do lockdown deve ser destrinchado, analisado e refutado, destruindo-o por completo, em cada um dos pontos com contra-argumentos embasados pesadamente em dados e em fatos auto evidentes em si mesmos. Por exemplo, não dá para refutar direitos individuais, as primeiras vítimas do lockdown, com ciência, pois a penúltima vez que fizeram isso, Hitler matou 6 milhões de judeus na Alemanha nazista.

Além disso, os defensores do lockdown devem ser ridicularizados, expostos, humilhados e tachados de defensores de assassinato, pois a essa altura, quem defende lockdown ou quarentena forçada está mais do que ciente do que essa política ditatorial causa na sociedade. Qualquer argumentação contra o lockdown menor que essa deve ser considerada um desserviço à liberdade, visto que é uma oportunidade de defensores dessa aberração jurídica justificarem e contra argumentarem a favor dela, fazendo-a ser aceita nas redes sociais, o que não deve acontecer sob hipótese alguma, pois a informação se tornou a grande fonte de poder no século XXI, e uma vez que ela é pervertida, há a aceitação de processos que destroem uma nação inteira, como a crença de que a quarentena imposta de forma autoritária é necessária para frear o avanço do coronavírus, algo que, como vimos a partir de dados, não é.

 

 

Vinicius Mariano, para Vida Destra, 15/03/2021.
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Welton Reis
1 ano atrás

Excelente explanação! Acrescento que o lockdown é inconstitucional e não temos visto o STF ou algum partido reclamar.