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Lockdowns, crimes impunes e histeria climática: as três raízes dos nossos três maiores desastres

 

Fonte: The Federalist

Título Original: Lockdowns, Unpunished Crime, And Climate Hysteria: The Roots Of Our Three Biggest Disasters

Link para a matéria original: aqui!

 

Publicado em 30 de junho de 2021

 

Autor: Christopher Bedford

 

No final, não aniquilamos o vírus, mas arruinamos a vida das pessoas comuns

 

Lckdowns ceifaram mais vidas do que salvaram?  É uma pergunta importante. No início deste mês, a Rand Corporation e a Universidade da Carolina do Sul, trabalhando em nome do National Bureau of Economic Research, divulgaram um documento para avaliar exatamente isso.

A maioria dos consumidores ocasionais de notícias talvez não tenha ouvido falar desse documento, e isso não surpreende porque eis o que eles [os pesquisadores] encontraram:

Detectamos que após a implementação de políticas do ‘fique em casa’, o excesso de mortalidade aumenta. … Não nos foi possível identificar se países ou estados americanos que implementaram políticas [do ‘fique em casa’] logo no início, e nos quais as políticas [do ‘fique em casa’] operaram por mais tempo, apresentaram índices de excesso de mortes menores do que os países/estados americanos que foram mais lentos na implementação das políticas [do ‘fique em casa’]. Também não pudemos observar [se houve] diferenças nas tendências de excesso de mortes antes e após a implementação das políticas [do ‘fique em casa’] com base nas taxas de mortalidade da COVID-19 que precederam o ‘fique em casa’.

Aí está: após lockdowns, o “excesso de mortalidade aumenta”.

Em 2020, quase todos os americanos no mundo tiveram que suportar, durante um mês ou mais, decretos locais do “fique em casa”. Em estados como, por exemplo, Nova York e Califórnia, as políticas opressoras duraram meses após o término literal dos lockdowns. Na Irlanda e em outras partes da Europa, houve apenas tentativas de acabar com os lockdowns. Na Austrália, ainda há lockdowns implementados.

Por tudo isso, pessoas, empresas e comunidades foram destruídas porque alguns “especialistas” em saúde pública tinham a certeza absoluta de que essas ações eram necessárias para salvar vidas. A ironia previsível é que eles não estavam salvando vidas coisa nenhuma – estavam apenas tornando você uma pessoa infeliz e mais pobre, a troco de nada.

O ano passado foi uma experiência humilhante para a humanidade, ou ao menos para os nossos líderes. Fomos confrontados com um problema que não tinha resposta no fim do livro, e fomos reprovados.

Por que falhamos? A resposta está em um vício bem conhecido dos gregos da Antiguidade: húbris*. Nossos líderes acreditaram que podiam controlar a natureza de dentro de seus gabinetes governamentais e que a humanidade podia ser minuciosamente manipulada, como em um grande jogo de “SimCity”.

N.T.: O termo húbris é um conceito grego que significa “excesso”, que traduzimos como tudo aquilo que passa da medida, como arrogância exagerada ou insolência em demasia, que na mitologia grega eram atitudes consideradas afrontosas contra os deuses e acabavam em punição.

Quando o vírus ainda estava em âmbito limitado, eles exigiram que as fronteiras permanecessem abertas e os aeroportos, em funcionamento. Depois, disseram que todos podiam sair e comemorar o Ano Novo Chinês. Na Itália, disseram às pessoas que abraçassem um chinês, provando assim que não eram racistas.

Quando o vírus ainda era algo remoto, eles desprezaram medidas que poderiam pará-lo, considerando-as desnecessárias ou preconceituosas, e mesmo quando se demonstrou que estavam errados, isso apenas os tornou mais prepotentes. Assim que o vírus quebrou o manto de contenção e se espalhou por todos os lados, ninguém falou nada sobre uma mitigação sensata: em vez disso, fomos com força total para frear a trajetória do vírus.

No final, não aniquilamos o vírus, mas arruinamos a vida das pessoas comuns.

Ao longo de nossa história, tornamo-nos excessivamente acostumados a esse tipo de húbris. É a arrogância apostando que políticas de senso comum e testadas ao longo do tempo podem ser propostas enquanto os líderes correm atrás de utopias. É a arrogância que leva os homens a pensar que eles podem moldar a economia e a tributação e gastar sem criar inflação. É a arrogância que faz os homens pensarem que podem instalar uma república em países onde não existe uma classe média ou uma tradição ocidental judaico-cristã de liberdades individuais. É a arrogância que faz os homens pensarem que podem manter uma república em um Ocidente que destruiu sua classe média e baniu o código ocidental de moralidade judaico-cristã.

É a arrogância que leva as pessoas, a cada geração, a decidir que não serão mais reprimidas por sabedoria e tradição velhas e empoeiradas, e é a arrogância que vemos se alastrando diariamente nas ruas de nossa cidade, onde os crimes violentos ameaçam a vida e a propriedade dos cidadãos.

Acreditem ou não, há 70 anos, a sociedade tinha resolvido, em grande parte, a questão da criminalidade. Eles souberam punir rápida, eficiente e consistentemente os atos criminosos; aprenderam a nunca ceder território para as gangues, a nunca permitir que o descumprimento da lei se tornasse a norma, e a nunca deixar que hordas perigosas promovessem a destruição sempre que quisessem.

Mas, então, os reformadores sociais tiveram “ideias”: eles decidiram que o sistema era punitivo demais, preconceituoso demais em relação aos pobres, e assim começaram a “tentar consertar” as coisas. Poucos ainda se lembram, mas, de 1950 até o início dos anos 1970, o sistema de justiça criminal da América (não considerando a América do Sul) havia se tornado um dos mais lenientes do mundo.

De acordo com os dados mais recentes, a Suécia e a Dinamarca têm 68 prisioneiros por 100.000 pessoas. Em 1972, Massachusetts tinha 32 prisioneiros por 100.000 pessoas. Illinois tinha 50. Mesmo o estado de Nova York, que tinha acabado de sair dos motins raciais de 1967 e dos distúrbios, no ano seguinte, pelo assassinato de Martin Luther King, tinha apenas 64 prisioneiros por 100.000 pessoas. Nesse mesmo ano [1968], a cidade de Nova York enfrentava quase 1.700 homicídios e, ainda assim, o estado tinha menos encarceramento per capita do que a Suécia tem hoje.

A América era leniente com o crime, portanto, a criminalidade explodiu. Foram décadas para desfazer o dano, e isso exigiu a expansão da força policial e a construção de um sistema prisional muito maior do que aquele que os reformadores queriam tanto desmantelar nos anos 1950. Mas funcionou: os índices de criminalidade caíram e nossas cidades se tornaram habitáveis outra vez.

Em vez de aprenderem a lição, nossos líderes decidiram cometer todos os mesmos erros de meio século atrás e, no ano passado [2020], colocaram isso à prova. Vimos o que aconteceu: tiroteios irromperam com fúria, homicídios aumentaram em 20% ou mais. Apesar de tudo isso, nossos legisladores apenas se tornam mais insolentes – e nenhuma quantidade de fracassos os detém.

Quando nossos líderes resolveram se voltar para a solução da questão do vírus, eles, em vez de fazê-lo, destruíram a infância e a adolescência nas escolas, proibiram práticas esportivas e “grudaram” as crianças em telas (nas quais já estavam viciadas), atrasando os estudos dos secundaristas e retardando as habilidades vitais e o desenvolvimento de jovens que entravam no mercado de trabalho. Lançaram testes para seus planos de “previdência social para todos”, atrapalharam empresários com a contratação de pessoas negras e enredaram grande parte de uma geração com panfletagem em massa.

Eles usaram cortes judiciais para assumir o controle de eleições e decretaram regras ridículas e negligentes pró-fraude. Eles forçaram nossos doentes e nossos idosos a morrerem na solidão, a fim de que não contraíssem a COVID; negaram nosso direito de enterrar e vivenciar o luto por nossos entes queridos; enviaram pacientes adoentados para residenciais de idosos e, então, impediram as crianças de segurar as mãos de suas mães na hora do falecimento.

Eles prenderam líderes religiosos, fecharam templos e entronizaram uma nova liderança moral sob a égide de Anthony Fauci e dos Centros de Controle de Doenças. Eles divulgaram seus esforços como atos de afeto e cuidado e amor ao próximo, mas… isso tornou vizinhanças e comunidades mais afetuosas? Ou pessoas perversas, desconfiadas e amedrontadas começaram a chamar a polícia e denunciar as atividades banidas?

Como em qualquer sistema, há vencedores e há perdedores: a vovó não teve um funeral, mas ativistas e políticos Democratas participaram de três por George Floyd. A devoção a Deus tinha que ser virtual, mas ativistas e agitadores veneraram a teoria crítica da raça e seus novos mártires aglomerando-se em nossas ruas, saqueando nossas cidades, pilhando e incendiando nossas empresas que já enfrentavam dificuldades, e matando dezenas de pessoas inocentes.

Jeff Bezos e seus amigos ficaram muito mais ricos e ainda mais poderosos.

Como agora sabemos, toda a tirania, e a tristeza, e o sofrimento, e a húbris nos trouxeram absolutamente nada, a não ser mais tirania, tristeza, sofrimento e húbris. Eles não controlaram a doença – e como poderiam? Mas, a se acreditar, tudo isso ainda não foi o mais louco plano deles para a América: ao falharem completamente no controle da doença, eles literalmente elevaram suas visões a cumes mais altos (e entronizaram sua mais recente burocracia científica) – o clima global.

É a crise perfeita; tão grande e tão global no escopo que, para solucioná-la, exige-se o total e perpétuo empoderamento de burocratas governamentais – sendo necessário dar a eles o absoluto domínio de nossas vidas, do berço à sepultura.

A administração do presidente Joe Biden deu início a essa nova agenda assim que assumiu o cargo, e começou tentando, unilateralmente, paralisar todas as novas concessões de óleo e gás na América, cancelando assim todo um setor da economia dos EUA por causa do “clima”. Eles se juntaram novamente ao Acordo do Clima de Paris e estão prometendo, para 2030, um corte total de 50% (inferior a 2005) das emissões de carbono na América – um número que os ativistas já alegam ser insuficiente para salvar o planeta.

Na semana passada, no New York Times, Ezra Klein coordenou uma mesa-redonda com vários pensadores para debater o que deve ser feito. O escritor de ficção científica, Kim Stanley Robinson, afirmou que a indústria petrolífera terá que ser total e completamente abolida. O cientista Saul Griffith disse que a nossa noção de propriedade privada terá que desaparecer para salvar o planeta. A própria democracia talvez tenha que ser extinta.

Em um ensaio de 2019 para a Foreign Policy, o professor da Universidade de Cambridge, David Runciman, declarou… “A democracia é o maior inimigo do planeta”, e sugeriu que um sistema de partido único e autoritário chinês poderia ser o único capaz de confrontar a mudança climática. Tom Friedman, do New York Times, ponderou quase o mesmo: um sistema de partido único com pessoas como Friedman e Runciman no comando.

Estão nos dizendo que, talvez, seja preciso mudar a ideia mesma do que é ‘ser humano’ para o clima. Um vídeo de 2016, que viralizou na semana passada, mostra o especialista em bioética, S. Matthew Liao, especulando que talvez possamos impedir que os humanos consumam carne se engendrarmos maneiras de levá-los a sofrer de alergia por carne. O famoso economista Friedrich Hayek analisou o comunismo e o nazismo, e viu uma conexão entre os esquemas deles e de tantos outros, incluindo os que obviamente eram demoníacos e os que pareciam mais benignos e bem-intencionados. Ele deu a isso o nome de “a presunção fatal”: a presunção do homem de que “ele é capaz de moldar o mundo ao seu redor de acordo com os seus desejos”.

Isso nada tem de diferente do pecado identificado pelos gregos, pelos cristãos e pelos Pais Fundadores. Hayek, assim como os que vieram antes dele, sabia que isso estava errado, e sabia que isso era letal. Como seus antecessores, ele estava certo – antes e agora. 

*Christopher Bedford é editor sênior do The Federalist, vice-presidente do Young Americans for Freedom, membro da diretoria do National Journalism Center e autor da obra The Art of the Donald.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 10/07/2021.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  mtelmaregina@gmail.com ou Twitter @TRMatheus

 

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