Sempre que eu faço uma leitura, dou vida ao que estou lendo. No meu imaginário, imagens surgem conforme o enredo esteja sendo narrado. Nessa semana, ao ler e reler estupefato a aproximação de Dória e o ex-presidente egresso da cadeia, Lula, logo imaginei o encontro de dois irmãos que foram criados separados, mas que na fase adulta se encontraram e colocaram em dia os assuntos preferidos e afloraram os seus instintos.

Desta feita, a imaginação me remeteu a dezembro de 1989, quando FHC e Mário Covas subiram no palanque de Lula. Talvez, após aquele encontro, os irmãos PT e PSDB, tenham se separado. Em 1994, antes de FHC se candidatar à presidência, Lula contava com ele para seu eventual governo, considerando mais de 40% de intenção de votos, em pesquisas espontâneas, e venceria qualquer opositor em primeiro turno. Mas a história, todos conhecemos, FHC, candidatou-se, venceu duas eleições seguidas contra o mesmo rival, Lula, ou PT, cujas histórias se confundem. Desde então, os irmãos se separaram e disputaram não somente votos, mas a simpatia do povo, que se mostrava cônscio politicamente, mas que na verdade, apenas reproduzia verborreias mimetizadas pelos irmãos em questão, e se digladiavam sobre as alcunhas, Coxinhas (PSDB) e Mortadelas (PT).

Nos debates da eleição presidencial em 2018, a ausência do então candidato, Jair Bolsonaro, foi sentida e queixada por seus adversários e militantes contrários. Enquanto esteve impedido de participar, percebeu se que o nome de Jair Bolsonaro era sobejamente citado. O enfrentamento entre os candidatos de esquerda eram todos contra Bolsonaro, num dislate incomensurável de acreditar que no segundo turno, a peleja seria entre eles. Ah! Se o Ciro enfrentasse o Haddad ou vice-versa! Mas por sorte, eles não são muito bons em raciocínio, e por mais que vivam no meio político há décadas, não percebem o óbvio. Unidos, amalgamaram o caminho para a vitória de Bolsonaro, que não se fez presente nos debates enfadonhos.

Acreditando que Lula não será candidato em 2022, Dória perfaz o mesmo caminho dos candidatos em 2018, antagonizando precocemente com o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, inclusive lhe usurpando o poder, se posicionando como porta-voz de colegas regionais e manipulando seus pares, como podemos perceber sua reaproximação com o Prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) que luta contra uma grave doença, e mantém seu capital político legado do sobrenome e pela comoção de seu eleitorado.

A previsibilidade de Dória pode definir seu rumo na política. Quando impôs ao seu estado, o locaute, trazendo consigo outros governadores, usou a legitimidade de político em ascensão para afrontar o Executivo Federal; trouxe a reboque, prefeitos de cidades minúsculas, e cidades de médio porte em seu estado,  comprometendo orçamentos importantes para o bom andamento da economia. Sem contar, é claro que o primeiro caso de Covid-19 em São Paulo, se deu em 23 de janeiro de 2020, 5 semanas antes do carnaval, propagado e usufruído por milhões de turistas de dentro e fora do estado de São Paulo. O locaute – isolamento social horizontal – não beneficia quem quer que seja, embora seja adotado, ainda que tardiamente em países sólidos de primeiro mundo, como um protocolo médico, em uma situação empírica.

O Brasil não vive a realidade de países europeus em que o mundo pode parar, mas o sustento de seu povo, assegurado. Lá não há uma constituição “ferrolho”, tampouco uma patrulha irresponsável que fiscaliza diuturnamente os atos do Presidente, apontando para um provável pedido de impeachment. As medidas dos respectivos parlamentos são respeitadas e o povo é provido sem sobressaltos, portanto aqui o Presidente está certo em retardar a liberação dos valores, pois será cobrado lá na frente por crime de responsabilidade fiscal. A oposição, tendo como seu principal oponente, sempre Lula, se apropria de um discurso de ódio e encontra o “botocado” João Dória Jr para dar início a uma prematura campanha presidencial.

Segundo o escritor norte-americano, David Epstein, o analista político ao predizer o futuro, é um chimpanzé lançando dardos, e o dardo que lanço aqui, é o de que um defunto político irá cavar a sepultura de outro defunto, um verdadeiro e inédito fratricídio político. Lula, o zumbi petista, lançou a isca e o vaidoso, Dória abocanhou.

Max Miguel, para Vida Destra, 4/4/2.020.

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Wilmont Jaber
Wilmont Jaber
2 meses atrás

Vida destra salvando nossa quarentena com ótimos artigos. Esse aqui é para aplaudir de pé, a começar pelo desfecho. Adorei.

Rosana Mendes
Rosana Mendes
2 meses atrás

Que seu dardo seja certeiro e mortal 👏👏👏👏💚💛

Teca Jan
Teca Jan
2 meses atrás

Adorando as análises dos comentaristas do Vida Destra! Perfeito, as cobras se unindo contra a única pessoa que não tem rabo preso com ninguém, e que não é corrupto!😎😎
Esse Davi Epstein, tem alguma parentesco com o milionário pedófilo que foi morto na prisão?🤔

Gogol
2 meses atrás

Excelente, Max! É tudo tão na cara, que é impossível não enxergar.

Rita
Rita
2 meses atrás

Bem, Covas estão abertas.