Muito se fala no tal do “marxismo cultural”, mas poucos realmente sabem o que ele significa e se ele existe de fato. Para que o texto não fique cansativo, será dada as respostas às perguntas do título agora: sim, existe, e marxismo cultural é a introdução do socialismo através da cultura, e não através da economia, como defendia Marx, e sua existência é confirmada por professores universitários de esquerda que o chamam de “teoria crítica”. Agora, se você quiser saber mais sobre como de fato acontece a introdução do socialismo pela via cultural e por que ele é o maior problema do Brasil, leia o artigo até o fim e não se esqueça, claro, de deixar seu comentário sobre esse texto, seja aqui no site, seja na página do Vida Destra no Twitter ou na página do autor.

Quando Marx propôs as ideias malucas de socialismo e comunismo, seu público alvo, que ele imaginou que seriam os trabalhadores, não deu a menor moral para ele, pois o trabalhador do século XIX é igual o trabalhador do século XXI em um certo ponto: ele quer trabalhar honestamente, ganhar o seu salário e dar de comer à sua família, o que o torna feliz. Ele não quer saber de fazer parte de revoluções questionáveis que destroem seu emprego e que com isso supostamente melhoraria sua vida, como propusera Karl Marx, que dizia que os proletários deveriam pegar em armas, assassinar os donos dos meios de produção, que são as empresas, e tomar as riquezas para si, coisa que nenhum trabalhador estava a fim de fazer, pois nessa época do século XIX estava acontecendo a Revolução Industrial, que estava melhorando a vida do povo da Europa. Nota-se então que o que Marx defendia era uma revolução através do que ele chamou de infraestrutura, isto é, através da economia. Tal revolução foi tentada em países do oriente, como URSS e Camboja, e seu resultado foi um morticínio em massa com requintes de crueldade que dão inveja a qualquer estripador psicopata de filmes de terror ou da vida real.

Mais tarde, no entanto, um grupo de intelectuais inconformados com a rejeição do comunismo pelos trabalhadores, que eram o público alvo, decidiram se reunir para analisar por que tal rejeição existia e chegaram à conclusão que a recusa do comunismo se dava por anos de cultura ocidental e seus três pilares: moral judaico-cristã, filosofia grega e direito romano. Todos esses pilares impediam o avanço do comunismo: a filosofia grega, através da lógica, consegue provar que o socialismo, fase que antecede o comunismo, é moralmente indefensável, pois ele gera necessariamente uma agressão à propriedade alheia, levando a um estado de escravidão que é atingido quando o estado socialista toma tudo aquilo que um trabalhador produziu (tal como faziam os senhores de escravos) através do seu trabalho para “redistribuir”. O direito romano cria um empecilho na ideia de “matar os burgueses e roubar suas riquezas”, pois condena o homicídio e também o roubo como crimes, além de proteger a propriedade privada. Já a moral judaico-cristã era difundida por religiões e Marx dizia que “a religião é o ópio do povo”, porque era usada pelos burgueses para dar aos proletários uma falsa esperança sobre a resolução dos problemas. A escola de Frankfurt, composta por esses intelectuais, descobriu o porquê da rejeição ao socialismo pelos trabalhadores, mas quem disse como resolver tal rejeição foi Antonio Gramsci, um homem de origem pobre, que conseguiu entrar na Universidade de Turim, na Itália, onde estudou Letras e conheceu o Partido Comunista Italiano, do qual se tornou militante, deputado e secretário geral até ser preso por Mussolini, que achava que, ao confinar uma mente como a de Gramsci, estava fazendo algo bom para a sociedade. Ledo engano. Uma vez na prisão, sem muito o que fazer, o cérebro de Gramsci começou a produzir ideias de como destruir a cultura ocidental para se atingir o socialismo e, consequentemente, o comunismo. Essas ideias foram colocadas em uma série de escritos denominados “Cadernos do Cárcere”, obra principal de Gramsci a qual ele descreve uma estratégia diabólica para a tomada do poder não pela infraestrutura, como defendera Marx, mas sim pela superestrutura, que são os meios culturais (escolas, universidades, mídia, teatro etc.) que emergem da infraestrutura.

A síntese das ideias de Gramsci era simples: aqueles que ele chamou de “intelectuais orgânicos”, que eram aquelas pessoas que estavam dispostas a lutar pela revolução socialista, seja um intelectual nos moldes que conhecemos hoje, seja um mero idiota cantor de funk, como a tal da MC Carol, deveriam se infiltrar nos meios culturais e aos poucos ir introduzindo os valores que relativizam o direito romano, a moral judaico-cristã e a filosofia grega, através de meios como a perversão da linguagem, a qual é muito usada por Gramsci, a exemplo do termo “estado ético”: Gramsci considerava que “todo estado é uma ditadura” e, logicamente, uma ditadura não é ética, então, a ética desse estado que ele propõe não significa a ética que conhecemos, que é um código moral universal, mas sim o estado a serviço da revolução. Uma vez que “intelectuais orgânicos“ estivessem no domínio dos meios de cultura, isto é, na superestrutura, e tivessem espalhado suas ideias, uma hegemonia cultural seria iniciada, a qual alteraria, aos poucos, o senso comum da população, isto é, o conjunto de hábitos e valores que estão no inconsciente dos indivíduos da sociedade. A hegemonia, no entanto, não vem da noite para o dia, ela é fruto de um processo lento, de um salto qualitativo, que é a implementação de uma política a partir de um acúmulo de ideias quantitativas. Se ficou difícil de entender, veja esse exemplo: há uma estatística repetida desde o ano 2000 do Grupo Gay da Bahia que diz que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo por “homofobia”. Acontece, no entanto, que tal estatística é falsa, pois conta com nomes de homossexuais que foram mortos atropelados, nomes de heterossexuais e nomes de homossexuais que morreram em outros lugares do mundo, como na Europa, porém, graças a hegemonia da esquerda, que repete esse dado à exaustão, essa estatística é reproduzida como verdadeira em grandes veículos de comunicação, como Estadão e Folha de São Paulo. Com isso, juízes, intelectuais e políticos que leem essas mídias acham que há de fato um problema e que é necessária uma “ação do estado” para corrigir. Com tantas mídias repetindo a estatística falsa, tal mentira deu um salto qualitativo que resultou na criação da “lei anti homofobia”, criada pelo STF ao usurpar a competência do Congresso e que equipara homofobia a racismo, um crime inafiançável e imprescritível. Homicídio, que é um crime muito mais grave, é imprescritível? Nem de longe. A lei anti homofobia é resultado de um salto qualitativo e ela é importante para a esquerda satisfazer o público chamado “lumpemproletariado”, que não são mais os trabalhadores, pois esses rejeitam as ideias marxistas, mas sim as “minorias”, como mulheres, homossexuais, negros, criminosos e todo o grupo identitário que a esquerda usa como massa de manobra para conquistar o poder sob a maquiagem de se importar com tais pessoas, quando na verdade, não se importam nem um pouco, visto que quando um homossexual de direita é agredido ou quando uma mulher que votou no Bolsonaro é vítima de violência doméstica, a esquerda é a primeira a comemorar. Por outro lado, quando um homem de esquerda que diz defender tais minorias agride um rapaz negro e uma mulher a ponto de mandá-la para o hospital, a exemplo do deputado Carlos Gianazi, do PSOL, a esquerda faz um silêncio absoluto, como se fosse algo normal. Isso ocorre porque o marxismo cultural acaba necessariamente com a verdade, pois Gramsci recebeu de seu professor Antonio Labriola uma poderosa influência do pragmatismo, escola que relativiza o conceito de verdade, trocando o de “correspondência entre o conteúdo de um pensamento e um estado de coisas” para o conceito utilitário de “o que pode ser aproveitado de forma útil em uma dada situação”. Então, na cabeça de um esquerdista, mesmo havendo um vídeo de Gianazi agredindo uma mulher, isso não é verdade e, portanto, não é considerado como um fato a ser analisado e criticado pelos “defensores das mulheres”.

Agora que você já sabe o que é marxismo cultural e que ele de fato existe, vamos ver alguns exemplos que têm ocorrido no Brasil e que vão além do Gianazi, do PSOL, agredindo uma mulher na ALESP. Em 2018, intelectuais de esquerda enfiaram na cabeça de seus militantes que se Jair Bolsonaro ganhasse as eleições, haveria uma ditadura militar nos moldes de 1964. Foi o suficiente para que esses jovens começassem a inventar um série de mentiras, como a garota que inventou que um eleitor do Presidente tatuou nela uma suástica nazista. Em janeiro de 2020, uma menina de 18 anos denunciou um motorista do Uber, aplicativo de caronas, por estupro. Pouco depois, ela confessou à Polícia que inventou o crime para fazer ciúme à namorada. Em 2017, um grupo de alunos conservadores foram ameaçados por uma multidão de alunos de esquerda na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pelo simples fato de terem assistido, nas dependências da Universidade, o documentário “O Jardim das Aflições”, do filósofo de direita Olavo de Carvalho, odiado pela maioria dos estudantes de esquerda. A Folha de São Paulo fez, em 2017, uma matéria que tentava normatizar o “uso de saias por homens”, moda que ainda não pegou, mas que pode pegar em breve, visto que há um esforço no gramscismo para desconstruir as diferenças naturais que há entre homens e mulheres. A Folha, em 2019, chamou no Twitter de “assassino” Gustavo Correa, o cunhado de Ana Hickmann que salvou sua esposa e Ana de serem assassinadas por um sujeito armado que invadiu o quarto de hotel em que elas estavam.  Todos esses exemplos atentam, de certa forma, contra a cultura ocidental, mas se você acha que está ruim, vai ficar muito pior, porque, hoje, os socialistas que introduziram Gramsci na academia estão em cargos de Delegados, Juízes, Promotores etc. Daqui 20 anos, a geração que foi lobotomizada por eles, estará nesses cargos e aumentará, desta forma, ainda mais o poder hegemônico da esquerda se nada for feito pela direita, que pode combater essa praga através da organização, união e, principalmente, muito estudo. Não adianta tentar convencer esquerdistas desonestos que eles estão errados, pois alguns estão tão embriagados de marxismo cultural que sequer vale à pena discutir, mas é sempre bom alertar as pessoas que não acompanham política antes que a esquerda as infecte com o poder onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino, o qual Gramsci dizia que o Partido socialista teria após a hegemonia ser conquistada.

E aí você pode se perguntar se PT, PSOL e outros partidos de esquerda querem chegar no comunismo com essas atitudes e a resposta é: não querem. Primeiro porque o comunismo é impossível, pois o cálculo econômico nesse regime de governo não tem como ser feito, pois leva a informações erradas sobre a formação de preços e acaba com os mercados e partidos de esquerda sabem disso, ao contrário dos seus militantes socialistas que funcionam como idiotas úteis. Segundo que, mesmo que fosse possível o comunismo, ele implica em colocar um fim no estado e sem o estado socialista, ninguém sustentaria políticos desses partidos de esquerda, que têm uma vida de marajá capitalista graças ao dinheiro do povo e que não desejam abdicar jamais, afinal, qual homem rico abdicaria da sua riqueza oriunda de fazer vários nadas para ter que trabalhar duro? Nem mesmo o mais doentio cérebro marxista seria tão louco a tal ponto.

Vinicius Mariano
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Eliana Momoi
Eliana Momoi
4 meses atrás

Gostei muito da Resenha!
Conseguiu explicar com clareza, um tema tão complexo!
Mas temos que encontrar um meio de fazer os jovens lerem essa matéria!
Parabéns!

María Valarini
María Valarini
4 meses atrás

¡Excelente! ¡Diáfano!

Vinicius, me gustaría traducir su artículo al español. En algún momento. ¿Le parece bien?

mauricio
mauricio
4 meses atrás

Bem didático e explicativo.

Irles de Souza
Irles de Souza
4 meses atrás

Olá Gostei muito do texto.
Não entendi a frase: “colocar um fim no estado” comunista/socialista. Como colocar um FIM?