Há uma esperança, caros hermanos. “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”

Toca meu celular. Era minha mãe. Tom de voz solene, uma certa conotação de preocupação, completamente diferente daquela mulher de vivíssima alegria e incorrigível otimismo irradiado pelo seu espírito, sempre de bem com a vida. “Enviei pro seu WhatsApp um áudio de uma brasileira que vive na Argentina. Não deixe de ouvir. Estou arrasada com a situação do país, meu filho. Morrendo de pena deles”.

Meia hora depois, toca meu celular. Era minha mãe. Tom de voz num misto de braveza e decepção. Embora adorável, queridíssima e imprescindível, mamãe é muito brava. E pra toda mãe que se preza, filhos são sempre crianças a serem repreendidos se precisarem. Tomei um esporro monumental que culminou com um “Não esperava tanta indiferença na sua resposta”. 

Não tenho nenhuma pena. Estão colhendo o que plantaram. Não se emendam. Conseguiram, a duríssimas penas, derrubar uma dinastia de esquerda que arrasou sua economia, saúde, segurança, credibilidade e, sobretudo, sua dignidade. Argentina já foi um pedaço da Europa na América dada à sua cultura, tradição, elegância, costumes e sobriedade política. Um país lindo, estrategicamente  bem posicionado na geografia da América do Sul. Um povo chic, educado e elegante. Meio esnobe, ar de superioridade que tanto incomoda os brasileiros, mas totalmente explicado pela sua inequívoca aptidão à tradição de suas raízes. 

Não poderiam jamais fazer o que fizeram. Não seria em quatro anos que todas as mazelas e sequelas deixadas pelos abutres da esquerda, iguais nos quatro cantos da Terra, desapareceriam  do cenário político portenho. Não deram tempo a Macri. Não acreditaram nos propósitos conservadores de direita de reconstrução do país, do retorno à tradição, religião e família. Caíram novamente na lábia do atraso, do comunismo obsoleto, do marxismo torpe e das diabólicas teorias do Fórum de São Paulo, reelegendo Cristina e seu insignificante Poste, depois de todo sofrimento imposto aos “hermanos” por esta senhora, uma espécie de Dória de saia impregnada até à alma de Botox e preenchedores. Agora, aguentem! 

Argentina escolheu seu destino sob as bênçãos do seu Santo Padre. Diferentemente da Venezuela de hoje. Lá é ditadura. Aqui não. Aqui foi livre arbítrio. Portanto, responsável pela sua escolha.

Que este tristíssimo exemplo de irresponsabilidade política que acabo de relatar nos sirva de lição para as eleições de 15 de novembro próximo e de 2022 vindouro. Estes dois pleitos serão sui generis, especiais e decisivos. Eles dirão muito mais sobre nós, eleitores, do que sobre os eleitos propriamente ditos. As urnas brasileiras terão a chance única de atestar definitivamente a maturidade do Brasil como povo e nação e de colocar uma pá de cal na lápide da esquerda brasileira em cujo epitáfio espero em Deus ler “Aqui jazem as cinzas do câncer do pensamento político”. Explica-se: pelo sim, pelo não, coisa ruim é melhor cremar e enterrar. Não se pode dar chance ao azar. 

Aos meus tantos amigos e  queridos colegas argentinos que tenho absoluta certeza de não terem nada a ver com essa terrível escolha, recebam meu fraternal abraço de solidariedade embora pouco ou nada possa fazer para ajudá-los a reverter aquele dito milenar de origem bíblica que diz: “Os justos pagam pelos pecadores”. 

Já que a Bíblia foi evocada, perguntem ao seu conterrâneo, Bergólio, se ele concorda. Pensando bem, melhor não. Fiquem na dúvida. Ela, a dúvida, pode ser um acalento para almas desesperançadas.

 

Carlos Eduardo Leão, para Vida Destra, 06/11/2020.

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Angelo Lorenzo
1 ano atrás

Parabéns pela oportuna reflexão, Dr. Leão! A Argentina nos serve de exemplo do que NÃO devemos fazer. Que a esquerda nunca mais volte ao poder. As eleições municipais 2020 são nossa primeira chance para varrer a esquerda da vida eleitoral e proteger o futuro dos nossos descendentes.

Nunes
Admin
1 ano atrás

Parabéns pelo artigo Dr Leão. Infelizmente a Argentina escolheu o seu destino, como ela sempre faz.Mas também não acredito na lisura das eleições. Mas mesmo assim, sabemos que a Argentina vai de mal a pior.

Sander R. Souza
Editor
1 ano atrás

Excelente artigo! Cocordo plenamente com você!
Lido e compartilhado!

Luiz Antonio
Luiz Antonio
1 ano atrás

No saudosista art. de @CaduLeao2 q nos faz lembrar do tango argentino c/seu ar melodramático, mostra o que o povo escolheu e situação catastrófica q se encontra. Claro c/ajuda da China.Agora,as eleições brasileiras de 2022 requerem a implantação do voto impresso urgente,senão seremos garfados como na Copa de 78, em que o Peru levou de 6 dos hermanos.

Rose Mary Carvalho Telles
Rose Mary Carvalho Telles
1 ano atrás

Parabéns! Bem reflexivo, de qualquer forma lamento pelo povo argentino, principalmente os menos favorecidos que são vítimas de um sistema ideológico imposto e talvez fraudado quando na eleição.