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Não, Biden não pode culpar Trump pelo desastre da retirada do Afeganistão

 

Fonte: The Federalist

Título Original: No, Biden Can’t Blame Trump For The Afghanistan Withdrawal Disaster

Link para a matéria original: aqui!

Publicado em 16 de agosto de 2021

 

Autor: Margot Cleveland

Há relatos de que, sob o comando direto de Biden, o Talibã se apropriou de centenas de equipamentos americanos, entre Humvees, veículos antiminas e diversos drones de milhões de dólares.

 

Embora a administração Biden já tenha tentado colocar a culpa em Donald Trump, pelas cenas que vêm do Afeganistão, é de Biden, como comandante em chefe, tanto a decisão de sair quanto a retirada catastrófica.

Quando assumi a Presidência, herdei um acordo desenhado pelo meu predecessor — ele convidou o Talibã a discutir esse acordo em Camp David, às vésperas do 11 de setembro, em 2019 — o que deixou o Talibã na mais forte posição militar desde 2001 e impôs às forças americanas o prazo de 1º de maio de 2021”,  afirmou Biden em uma declaração divulgada no sábado.

Portanto, quando me tornei Presidente, tive que decidir — cumprir o acordo, conseguindo uma pequena extensão de prazo para retirar, com segurança, nossas tropas e as tropas de nossos aliados ou aumentar nossa presença e mandar mais tropas americanas para lutar novamente no conflito civil de outro país”, continuou o Presidente Biden na declaração escrita.

Bobagem! O Presidente Biden tinha tanta obrigação com o acordo do ex-Presidente Trump com o Talibã quanto Trump teve com o acordo do ex-Presidente Barack Obama com o Irã, conhecido como Plano de Ação Conjunta Global. Nenhum desses acordos vinculou os presidentes futuros, porque nenhum deles foi submetido ao Senado para ratificação.

Como atual comandante supremo, Biden tem poder para decidir cada aspecto da decisão de retirada. Biden já havia estendido o prazo de Trump, de 1o de maio para setembro, e se ele considerava o Talibã forte demais ou o governo do Afeganistão fraco demais ou, ainda, que a decisão de retirada era totalmente descabida, o atual presidente poderia ter alterado o curso dos acontecimentos.

Ele não fez porque não quis.

Em comparação, Biden nem piscou para fazer drásticas reversões quando considerou que as posições políticas de Trump conflitavam com as de sua administração.

Em seu primeiro dia como Presidente, por exemplo, Biden oficialmente recolocou os Estados Unidos no Acordo de Paris, do qual o ex-Presidente Trump havia se retirado. A administração Biden, posteriormente, reduziu as sanções ao Irã, em uma tentativa de restabelecer o acordo nuclear. O Presidente Biden reverteu o banimento de pessoas transgênero da carreira militar, que Trump havia determinado, e incentivou a política da Cidade do México a retomar o financiamento de organizações internacionais que promovem ou fornecem abortos.

A administração Biden também reverteu inúmeras políticas altamente eficazes que Trump adotou para administrar a crise da fronteira, inclusive a decisão de Trump de usar a autoridade da Portaria 42 para expulsar estrangeiros para o México ou para seus países de origem, devido à crise de saúde pública gerada pela COVID-19. Biden também descartou a política “Fique no México”, do ex-Presidente, que impedia estrangeiros ilegais de se refugiar clandestinamente nos Estados Unidos enquanto aguardavam as audiências de imigração. Essas reversões rapidamente levaram à atual crise recorde na fronteira sul.

Se Biden considerasse que o melhor para a América seria permanecer no Afeganistão por um prazo maior, ou por mais um ano, ou até mesmo por mais um mês, como comandante supremo, ele poderia ter assim decidido.

E, ademais, mesmo que a saída neste momento seja de grande interesse para o nosso país, Biden tem total responsabilidade pelo insucesso na execução da retirada. Há relatos de que, sob o comando de Biden, o Talibã se apropriou de centenas de equipamentos americanos, entre Humvees, veículos antiminas e diversos drones de milhões de dólares.

Ninguém a não ser Biden deve ser responsabilizado pelo fato de a administração ter sido “claramente surpreendida pelos rápidos avanços do Talibã nos últimos dias, quando o grupo islâmico militante tomou o poder em uma série de capitais de províncias em todo o país e cercou Cabul”. Isso forçou Biden a, apressadamente, despachar milhares de soldados para o Afeganistão, a fim de resgatar com segurança americanos e pessoal da embaixada, duas semanas antes do prazo de 31 de agosto que ele, Biden, tinha anunciado como data final para retirada de todas as forças americanas do Afeganistão.

Há muito a se discutir sobre o envolvimento dos Estados Unidos em uma guerra que já completou 20 anos no Afeganistão, mas deve ficar claro para todos que a retirada promovida por Biden foi um fiasco. A única dúvida que fica é qual o tamanho exato desse fiasco.

 

*Margot Cleveland é colaboradora sênior do The Federalist. Por quase 25 anos, Cleveland atuou como servidora judiciária permanente em uma corte federal de apelações e é ex-membro e instrutora assistente da faculdade de administração da University of Notre Dame.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 21/08/2021.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  [email protected] ou Twitter @TRMatheus

 

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