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O ambientalismo está matando o planeta?

 

Zion Lights explica como o movimento verde atrapalha o enfrentamento das mudanças climáticas.

 

A ativista Zion Lights

 

Fonte: Spiked (revista online britânica)

Título Original: Is environmentalism killing the planet?

Link para a matéria Original: aqui!

Publicado em 22 de agosto de 2021

 

Autor: Brendan O’Neill

 

Ambientalistas não cansam de prever o apocalipse. Temos que abandonar imediatamente os combustíveis fósseis, dizem eles, ou nossas crianças não terão um planeta para viver. Mas, apesar desses alertas, muitos ativistas verdes se opõem fervorosamente à energia nuclear – fonte de energia limpa e verde, que oferece uma solução óbvia às mudanças climáticas. Zion Lights é ambientalista, ex-porta-voz do Extinction Rebellion e fundadora do grupo pró-energia nuclear, Emergency Reactor. No último episódio do The Brendan O’Neill Show, ela falou sobre o incrível potencial da energia nuclear. Este é um excerto dessa conversa. Você pode ouvir toda a conversa aqui.

 

Brendan O’Neill: Na sua opinião, quão problemática se tornou a parcela apocalíptica do movimento verde? Quando há crianças dizendo não acreditar que têm um futuro e que o mundo morrerá, podemos dizer que isso sedimenta uma cultura do medo. Isso compromete o tipo de debate racional que realmente precisamos? 

Zion Lights: Faz isso, sim, e abordei a questão quando era membro da Extinction Rebellion. Vejo com satisfação que os cientistas do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) se posicionaram contra o catastrofismo, que não é útil. As pessoas paralisam quando sentem medo, significando que não agem.

Um cofundador da Extinction Rebellion afirmou que, ao final do século, bilhões de pessoas morreriam por causa da mudança climática. Recusei-me a defender essa alegação. Isso se tornou uma enorme questão interna na Extinction Rebellion – havia muitas pessoas do meu lado, dizendo que devíamos retirá-la; e havia muitas outras argumentando que, se isso despertasse as pessoas, a questão era irrelevante. O conflito nunca se resolveu.

Não acho que seja útil. O fato é que a previsão não se confirma e, por isso, as pessoas entendem a coisa toda como uma farsa.

O’Neill: O ponto crucial é se a mudança climática é um problema apocalíptico ou um problema prático que a humanidade precisa resolver. Você se posicionou pela segunda opção – ou seja, é algo que poderemos resolver se formos racionais sobre o assunto e, especialmente, se reconhecermos as virtudes da energia nuclear. Por que a energia nuclear é tão importante?

Lights: Os países que se descarbonizaram e apresentaram índices muito baixos de emissão, todos eles usam uma combinação de energia nuclear e hidrelétrica. Somente energias renováveis não conseguem fazer isso. A Alemanha gasta bilhões com as renováveis, ao mesmo tempo que elimina gradualmente a energia nuclear, e suas emissões aumentaram. A Alemanha tem hoje um dos piores índices de emissão, na Europa, se não de todo o mundo desenvolvido. Mesmo assim, está eliminando gradualmente a energia nuclear antes de fazer o mesmo com a energia a carvão. Francamente, isso é imoral. A Grã-Bretanha importa carvão. Temos turbinas eólicas e painéis solares, mas, quando não há vento ou insolação suficiente, importamos carvão para suprir a carência. O custo de usar esse carvão é exportado para outros países, onde a população sofre com problemas respiratórios e câncer.

Menciono isso o tempo todo, e acho que os ambientalistas sequer refletiram sobre o assunto. Tudo o que lhes interessa é o local onde vivem e o que acontecerá com as crianças deles. Bilhões de pessoas, no mundo, já vivem uma realidade apocalíptica porque são pobres e sofrem com a poluição. E elas, como ficam?

ONGs estão mandando painéis solares para África e Índia. Porém, dar às pessoas um pouquinho de energia intermitente não é justo. Isto não lhes permite desenvolver infraestrutura e alcançar alta qualidade de vida. É absolutamente imoral fingir que podem.

O’Neill: Há essa fantasia, entre alguns ecoativistas, de que, se você tiver uma vida muito natural, se tiver uma existência bem modesta, então você será ecologicamente correto e feliz. No entanto, para muitos daqueles que vivem na miséria, isso significa queimar coisas dentro de casa para se aquecerem, viver em ambiente poluído e, muitas vezes, ficar à mercê da natureza. A fantasia da ‘vida natural’ tem que ser verdadeiramente questionada. Você descreveu muito bem como os países ocidentais estão terceirizando a poluição para outras nações. Isso nos leva de volta à questão da energia nuclear. É realmente uma boa opção? É melhor do que todas as outras formas de energia que temos?

Lights: É realmente excepcional. Eu me envolvi com o ativismo ambiental quando era muito jovem. Quando está rodeado de ambientalistas, você é contra a energia nuclear. Você ouve todas aquelas histórias sinistras sobre radiação e mortes. Acreditei nelas por um longo tempo, até que comecei a olhar os dados. A pesquisa do IPCC foi uma das fontes que me convenceu a apoiar a energia nuclear. O IPCC diz que precisamos de energia nuclear para sair dessa situação – não há dúvida sobre isso. E precisamos de muita energia nuclear. O único jeito de nos livrarmos dos combustíveis fósseis é substituí-los pela energia nuclear. É simples assim.

Agora, diversas empresas de combustíveis fósseis estão fomentando as energias renováveis. É impressionante, de verdade. E isso porque essas empresas sabem que continuaremos dependentes de combustíveis fósseis por um bom tempo, se investirmos somente nas renováveis.

O’Neill: A oposição dos ambientalistas à energia nuclear sempre me intrigou. Você escreveu sobre o medo exagerado que envolve a energia nuclear. Quando eu estava na escola, nuclear era sinônimo de resíduos perigosos. E, claro, havia a tragédia de Chernobyl, que foi o grande fantasma da minha infância, de muitas maneiras, juntamente com o pesadelo das armas nucleares. Minha geração foi inundada desses medos. Isso tudo foi um exagero, não foi?

Lights: Foi exagero. Porém, não acho que isso se deva aos ambientalistas. A mídia deu divulgação à energia nuclear de maneira muito irresponsável. Observe a cobertura jornalística do desastre de Fukushima, no Japão. Ninguém morreu por causa da fusão nuclear. Pessoas morreram porque houve um terremoto e um tsunami. A usina nuclear tinha resíduos armazenados no local, mas isso não feriu ninguém, porque a questão do lixo foi bem gerenciada. Isso era uma boa notícia – no pior cenário, ninguém se machucou.

Temos então a questão das armas nucleares. Há uma ressaca ambientalista, boomer, da velha escola, cuja origem está na Guerra Fria – a ideia de que energia nuclear simplesmente implica armas nucleares. O medo está muito arraigado. Por um longo tempo, essas vozes foram muito predominantes no movimento ambientalista. Elas precisam ser questionadas, porque, se existe algum tipo de futuro apocalíptico, são essas vozes que efetivamente estão nos levando para ele. Se tivéssemos feito tudo o que fez a França nos anos 1970, ao fazer a transição para a energia nuclear, não teríamos nenhuma mudança climática.

Se você realmente acredita que vivemos uma emergência climática, e não quer um futuro apocalíptico, então, você tem que aderir à energia nuclear. E, se não aderir, você é parte do problema.

 

*Zion Lights (nascida em 1984) é uma escritora e ativista britânica, famosa por seu trabalho na questão do meio ambiente e da comunicação científica. É cofundadora do Emergency Reactor, juntamente com o cineasta Robert Stone e Daniel Aegerter. Foi porta-voz do Extinction Rebellion (XR), no Reino Unido. É autora do livro de não ficção e baseado em evidências The Ultimate Guide to Green Parenting.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 02/10/2021.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  [email protected] ou Twitter @TRMatheus

 

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