Eu gostaria de escrever sobre algo que não tivesse ligação com a atual pandemia de coronavírus, mas infelizmente é praticamente impossível! O assunto domina não apenas o noticiário, mas está no centro das conversas, das preocupações, das nossas vidas. É compreensível, já que o alarde que foi feito pela imprensa e por algumas autoridades, provocou um pânico generalizado! Mas não é sobre o Covid-19 que quero escrever hoje, embora ele esteja diretamente ligado ao assunto que quero abordar!

Embora eu não seja um economista, hoje gostaria de dar os meus pitacos nesta área! Acredito que já estamos no momento de começarmos a nos preparar para o período pós Covid-19, e para as consequências econômicas da pandemia. Já vimos que a economia brasileira foi bastante abalada com a disseminação do vírus pelo mundo, com a cotação do dólar indo para a estratosfera e a Bolsa de Valores de São Paulo despencando em um abismo! A paralisação das cadeias produtivas mundo afora afetou o trabalho de muitas indústrias. Aqui no Japão a situação não é muito diferente!

A preservação dos empregos deve ser a prioridade de todos, empregados, empresários e governo. Sem emprego e sem renda para os trabalhadores, sabemos que se iniciará um círculo vicioso, o qual já vivemos em um passado recente, e que nos custou muito para sair dele. Precisamos nos esforçar ao máximo para evitar que nossa economia entre nele novamente!

E cada um  deve fazer a sua parte! Empregados precisam entender que é melhor uma diminuição temporária na renda, do que tentar forçar o empregador a manter um salário que ele não pode pagar! Neste caso, ao empregador não restará outra alternativa a não ser demitir funcionários, para adequar os custos à receita. Sou favorável à liberdade para que empresários e empregados possam negociar livremente os termos do contrato de trabalho, mas infelizmente a nossa jurássica Consolidação das Leis do Trabalho, lá das catacumbas do Estado Novo de Getúlio Vargas, ainda impede que essa liberdade impere. Mas não impede que ambos os lados dialoguem e nem impede que prevaleça o bom senso!

Os empresários lutam com muita dificuldade para manter seus negócios. Temos que enterrar de vez a visão esquerdista que coloca os empresários nos papéis de vilões, como se fossem exploradores dos empregados coitadinhos! Todo empresário investe seu dinheiro, ou o dinheiro que obtém de investidores, buscando viabilizar uma ideia, um produto ou um serviço. A relação entre empregador e empregado é uma relação de duas partes que dependem mutuamente uma da outra. Não há exploração aqui! E aos empresários, neste momento, cabe o diálogo sincero e aberto com seus colaboradores, expondo a situação real da empresa e até mesmo ouvindo sugestões dos próprios empregados, que são tão interessados em manter a empresa aberta, quanto o empresário! A união de ambas as partes pode ser fundamental para a superação dos tempos difíceis que virão pela frente!

O governo, além de proporcionar renda para aqueles que são autônomos ou que estão desempregados e em graves dificuldades financeiras, também deve proporcionar recursos às empresas, através da abertura de linhas de crédito para obtenção de capital de giro, a juros mais baixos e prazos mais longos, através dos bancos oficiais, principalmente através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Sou favorável à privatização destes bancos, mas já que ainda estão sob controle do governo federal, que sejam usados como instrumentos para mitigar as consequências econômicas desta pandemia. O foco do governo deve estar nos autônomos e nos micro e pequenos empresários, que muitas vezes tem dificuldades para obter recursos financeiros das instituições privadas. Tudo com o objetivo de manter os empregos. Adiar o recolhimento de impostos, isenção temporária de tributos e redução de alíquotas também deveria ser considerada!

E a todos, que são consumidores, cabe agora uma mudança na postura de consumo. Já que o foco é a preservação dos empregos e das empresas, nós consumidores podemos colaborar dando preferência aos produtos nacionais. Claro que existem casos nos quais é impossível adquirir um produto 100% nacional, como no caso dos eletrônicos. Mas na medida do possível, vamos dar preferência ao produto nacional, ajudando as empresas nacionais e mantendo os empregos dos brasileiros! Se possível, compre naquele pequeno mercado ou naquela pequena loja do seu bairro! Favoreça os profissionais que são da sua comunidade ao buscar por prestadores de serviços! Incentive a produção local, mas sem deixar de exigir um produto ou serviço de qualidade! Empresários, na medida do possível, procurem usar componentes e materiais nacionais!

Vamos boicotar os empresários descarados que estejam se aproveitando da situação para vender produtos de primeira necessidade a preços abusivos. Denunciem às autoridades e denunciem estes empresários nas redes sociais, para que ninguém mais compre deles! A lógica é simples: há quem vende porque há quem compre! Enquanto tiver gente disposta a pagar preços absurdos, terá gente disposta a praticar tais preços! Vimos muitos vendedores de álcool gel vendendo o produto a preços extorsivos! Nestes casos, não compre! “Ain, mas eu vou ficar sem álcool gel em casa?”, podem questionar alguns! Se você não puder comprar o produto a um preço decente, use água e sabão para lavar as mãos! O álcool gel é aconselhável para locais de grande circulação de pessoas, como lojas e repartições públicas, por exemplo. Nas residências, água e sabão ajudam bastante! O mesmo vale para máscaras descartáveis! Quem está confinado em casa sem a doença não precisa de máscaras! O uso delas é aconselhável para quem lida com o público ou precisa frequentar lugares fechados e com grande concentração de pessoas. Portanto, vamos ter um consumo mais consciente!

Meus amigos, há muito o que podemos fazer neste momento de dificuldades. Podemos usá-lo para acelerarmos a recuperação do Brasil, ou poderemos ficar parados, assistindo a China atropelar a todos nós! Precisamos nos unir, e pensar em que podemos contribuir para que o Brasil se recupere deste momento difícil! Não devemos ficar parados pensando em que o governo pode nos ajudar! O foco do governo deverá ser ajudar aqueles que estão produzindo. Gente que tá só querendo mamar nos recursos públicos não deve ter vez!

Todas as sociedades avançadas do nosso planeta aproveitaram os momentos de crise para se unir e crescer! Para estes países, as crises serviram como trampolim, proporcionando um crescimento que em tempos normais não seria possível. Temos a chance de crescer e ocupar um lugar melhor entre as nações. Só depende de nós, povo brasileiro!

Sander Souza, direto do Japão para Vida Destra, 27/03/2020

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ELIANA MARA DIAS NAPOLI
ELIANA MARA DIAS NAPOLI
2 meses atrás

Pois é caro, vc aí tao longe pode ter esquecido do quanto é VIL nossa politica, nossa falsa e decadente “democracia”, nossas estupefantes “leis”. Aqui eles estao preferindo abertamente a morte de pessoas que admitir seus equivocos e contaminaçoes morais, culturais, intelectuais etc. Aqui é selva, como diz Fernando Mello.

Gogol
2 meses atrás

https://youtu.be/-WJlANIDMtE
Meu amigo, veja este vídeo. Veja o q este governo já está fazendo. É fantástico. Custo a crer q algumas pessoas ainda não enxergam que, quando o dinheiro público não é todo roubado, quantas coisas maravilhosas podem ser feitas para os brasileiros.

Reginaldo Brito
2 meses atrás

Perfeito, Sander! Tomara que essa crise alavanque a revisão de alguns conceitos, principalmente de convívio social e de comportamento mais consciente enquanto consumidores.