Ontem, 3 de dezembro de 2019, foi divulgado o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA – Programme for International Students Assessment), que mostra o resultado da avaliação de desempenho estudantil realizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos, em 79 países e regiões. A última avaliação foi realizada em 2018, portanto os dados divulgados não refletem as políticas educacionais adotadas pelo atual governo do presidente Jair Bolsonaro. As medidas adotadas pelo governo Bolsonaro para a área da Educação poderão ter os seus resultados conhecidos parcialmente na próxima avaliação a ser realizada em 2021. Digo parcialmente porque a intenção do PISA é avaliar o desempenho não apenas dos alunos, mas através destes, avaliar o desempenho do sistema educacional de cada país, como um todo. Em três anos de governo, as políticas educacionais adotadas pelo presidente Bolsonaro para o ensino básico ainda não terão produzido todos os resultados desejados.

A avaliação do PISA mede o conhecimento de alunos entre 15 e 16 anos, que é a média de idade nos países avaliados em que os alunos estão concluindo o ensino básico ou já se encontram no ensino médio. Por isso, os resultados do exame mostram bem qual é a qualidade do ensino básico em cada país. São avaliados os conhecimentos e o desempenho dos alunos em leitura, matemática e ciências. O resultado mostra que a Educação brasileira está estagnada por pelo menos uma década! Entre os 79 países avaliados, o Brasil ficou na 42ª posição em leitura, 58ª posição em matemática e 53ª posição em ciências. Além disso, os resultados mostram que 4 de cada 10 alunos brasileiros que chegam ao final do ensino básico não sabem identificar a ideia principal em um texto, não sabem ler gráficos, não conseguem resolver problemas com números inteiros e não conseguem compreender experimentos científicos simples.

O resultado do exame mostra de forma clara e inequívoca o fracasso do modelo educacional adotado pelo Brasil nos últimos anos. Mostra também que os governos de esquerda, que ficaram mais de uma década no poder, nada fizeram de concreto pela educação das nossas crianças. O que mais preocupa diante de tais resultados, é que além de já termos vivido uma década perdida na educação, provavelmente teremos ainda mais uma década perdida pela frente, a menos que se consiga realizar um esforço hercúleo em prol da educação. Esta é uma área em que os resultados levam anos para aparecer. Por isso, as medidas adotadas devem ser consideradas políticas de Estado e não políticas de governo. Este é um erro recorrente do Brasil, onde cada governo que entra promove mudanças na condução das medidas propostas para a Educação, acabando com a continuidade vital que esta área requer. Medidas firmes e compromisso com a continuidade devem ser adotadas urgentemente por nossos governantes, sejam eles quem forem!

O Brasil luta para se recuperar da hecatombe econômica promovida pelos governos petistas e estamos conseguindo resultados, ainda a passos lentos. E será difícil que o Brasil consiga, no longo prazo, crescer de forma robusta e sustentável. Mais do que as medidas de austeridade fiscal e as reformas estruturais propostas pelo governo, precisamos também formar os nossos trabalhadores, pois nossa economia corre o sério risco de parar de crescer por pura falta de trabalhadores qualificados. Chega a ser incompreensível que um país com mais de 10 milhões de desempregados, tenha um déficit estimado em 2 milhões de trabalhadores qualificados. Este é um dos resultados mais visíveis de décadas de desvalorização da educação no Brasil.

Como esperar que a economia brasileira se modernize e concorra em pé de igualdade com os países desenvolvidos do mundo, se não estamos formando pessoas suficientes para isso? Com o nível educacional atual não podemos nem mesmo sonhar com a possibilidade de atrair indústrias de alta tecnologia para atuar no país. Sem estas indústrias, os brasileiros com alta capacitação acabarão por buscar trabalho no exterior, causando um êxodo de cérebros, que contribui para piorar a nossa situação. E mesmo os setores básicos da economia, como a agricultura, já dependem de conhecimentos técnicos que não eram necessários até alguns anos atrás. Em resumo, sem uma educação que forme pessoas aptas a pensar e a colocar em prática o conteúdo aprendido, não poderemos melhorar a qualificação dos nossos trabalhadores. Sem trabalhadores capacitados, o crescimento econômico logo encontrará o seu limite, sem que tenhamos atingido o patamar necessário para retirar a nossa população da pobreza. Sem uma educação de qualidade, voltada tanto para aqueles que ingressam agora nas escolas, como para aqueles que necessitem de uma reciclagem profissional, corremos o risco de ter um quadro de desempregados permanentemente alto, pois muitos não terão condições de se reinserir no mercado de trabalho.

Enfim, os resultados nos mostram que temos muito trabalho a ser feito. Mais do que os debates ideológicos, precisamos realmente nos ater ao debate pedagógico sério, pensando no futuro que queremos dar às nossas crianças e ao Brasil. Temos que esquecer e enterrar de vez esta fórmula fracassada de Paulo Freire e buscar alternativas que se adaptem à nossa realidade, às nossas necessidades e que nos permita atingir os objetivos que queremos. E nem tudo depende do governo, os pais e a sociedade civil precisam participar mais da vida das escolas da sua comunidade, conhecendo e auxiliando na aplicação do projeto pedagógico. Devemos seguir os exemplos de países como China e Coréia do Sul, que investiram maciçamente na educação da sua população e hoje colhem o resultado deste esforço conjunto de toda a sua sociedade. Nunca seremos uma nação desenvolvida se não trabalharmos de forma firme no desenvolvimento intelectual de nossos cidadãos. Pais próspero é formado por pessoas prósperas. E para isso, dependemos da Educação!

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Sander Souza
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