Como todos viram, na última terça-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro discursou na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. Este foi o seu terceiro discurso feito nas Nações Unidas, como Chefe de Estado brasileiro, seguindo a tradição que concede ao presidente brasileiro a honra de ser o primeiro a discursar, após a abertura da assembleia feita pelo Presidente da Assembleia Geral, Abdullah Shahid, e após o discurso do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres. Esta é uma tradição que reconhece e honra os esforços da diplomacia brasileira, em especial do diplomata Oswaldo Aranha, durante os primórdios da organização.

As reações ao discurso do presidente foram variadas, mas chamou a atenção a reação da velha imprensa brasileira, que fez de tudo para distorcer o significado das mensagens transmitidas no discurso e desqualificá-lo, de forma a encaixá-lo nas narrativas da oposição. Creio que a maioria das pessoas já percebeu há um bom tempo como a velha imprensa trabalha, e como são criadas narrativas diárias tentando ocultar a verdade e vender uma mentira. Se mentir à população brasileira já não fosse prejudicial o suficiente, muitos jornalistas tentam convencer as pessoas no exterior com suas narrativas falsas. Deviam ser enquadrados como traidores da pátria e suas práticas classificadas como crimes contra os interesses nacionais!

Mas voltando ao discurso do presidente, eu o considerei um bom discurso, à altura do esperado num evento de tal importância. Para que possamos avaliar este discurso, não basta ouvi-lo, mas é preciso também compreender o contexto no qual o discurso foi escrito e onde e para quem estava sendo proferido.

Em primeiro lugar, precisamos compreender que o presidente Bolsonaro discursou como Chefe de Estado, e como tal, tinha o dever de defender o Brasil diante do mundo, principalmente quando sabemos que existe um esforço imenso para nos mostrar como párias da democracia e vilões do meio ambiente. E também, o discurso não foi escrito para o público interno, mas sim, para o público externo, ou seja, para Chefes de Estado e de governo, investidores e para a imprensa internacional. Por este motivo, a escolha dos temas abordados e das palavras utilizadas foi muito importante, e certamente a equipe da Presidência da República teve o assessoramento do Ministério das Relações Exteriores para que o discurso tivesse a necessária linguagem diplomática. Afinal, não se discursa na ONU da mesma maneira que se discursa quando se está sobre um carro de som na Avenida Paulista! São públicos distintos, e os objetivos a se alcançar com o discurso também o são.

Por isso não é difícil entender porque certos assuntos não foram tratados no discurso, como a crise institucional entre o Poder Executivo e o STF, por exemplo. A Assembleia Geral das Nações Unidas não é o fórum adequado para que o Chefe de Estado brasileiro expusesse este tipo de questão, pois mostraria problemas que acarretariam em insegurança jurídica e afugentaria investidores, num momento no qual os investimentos externos são extremamente necessários para a recuperação da nossa economia e a recuperação do nível de empregos.

Ao invés disso, o presidente falou da tradição brasileira de respeito aos contratos, o que transmite segurança jurídica. E o volume de investimentos que recebemos corroboram o entendimento de que, para o investidor estrangeiro, o Brasil é sim uma excelente opção para investimentos, como também afirmou o presidente no discurso. A concessão de um aeroporto à iniciativa privada, por exemplo, é feita através de contratos com prazo de 30 anos, em média. Quem investiria bilhões e assinaria um contrato como esses sem ter certezas jurídicas? Sem segurança jurídica, as privatizações de portos e aeroportos mencionadas pelo presidente, seriam inviáveis.

Em uma América Latina onde ainda existem países governados por regimes de esquerda, que insistem no falido modelo bolivariano de socialismo, Bolsonaro mostrou que o Brasil, através do seu governo, rompeu com este tipo de ideologia, apresentando o Brasil como um porto seguro no continente, mostrando que temos instituições sólidas, e um governo comprometido com valores igualmente sólidos e que representam o modo de pensar da maioria do povo brasileiro.

Mais uma vez, vimos o presidente Bolsonaro defender na ONU o nosso agronegócio, lembrando a todos que produzimos alimentos ocupando uma área mínima do nosso território e sob as regras rígidas do nosso Código Florestal, que sujeita os nossos produtores a regras de preservação ambiental que provavelmente não têm similares no mundo. O presidente lembrou a todos, mais uma vez, que a nossa matriz energética é composta majoritariamente por fontes renováveis; lembrou ainda, que preservamos mais de 60% da nossa cobertura florestal original, e também lembrou à audiência, que os nossos índios não têm problemas com falta de território, pois ocupam uma área maior que a França e a Alemanha unidas. E, para o caso de restarem dúvidas, o presidente convidou os presentes para visitar a Amazônia e conferir, por si mesmos, a realidade da preservação ambiental no Brasil.

Mostrar ao mundo um Brasil que preserva o meio ambiente, que se preocupa com a produção sustentável de alimentos e energia, e que quer reduzir as emissões de poluentes é muito importante, principalmente em um mundo onde a questão ambiental sucederá, em breve,  a covid-19 como principal preocupação dos que pautam a sociedade.

Em países como a Alemanha, onde ocorrerão eleições no próximo domingo, para a escolha de quem sucederá Angela Merkel, a pauta ambiental é a principal preocupação dos eleitores e a principal questão das plataformas dos candidatos. Na França a situação não é diferente, com o impopular presidente Emmanuel Macron lidando com protestos semanais contra o passaporte sanitário, além de outras queixas populares que o faz usar o Brasil como bode expiatório. O recado a estas nações foi claro.

Não é apenas no Brasil que a mídia tenta emplacar a narrativa de que nossa democracia corre riscos, que o presidente é um golpista, autoritário e genocida. Por isso o presidente fez questão de deixar claro a todos, mais de uma vez, que ele respeita a Constituição e as liberdades individuais, entre as quais estão a de expressão e a de religião.

Dizer, em plena Assembleia Geral da ONU, que o Brasil possui um presidente que acredita em Deus e tem na família tradicional o fundamento da civilização, é bater de frente com a Agenda 2030 da própria ONU! Com este posicionamento, Bolsonaro não apenas mostrou os valores do povo que o elegeu e o apoia, mas mostrou a outros povos e governos ao redor do mundo, que eles não estão sozinhos na luta contra o globalismo e as pautas que querem destruir nossos valores. É uma forma de conseguir aliados para esta luta!

Ainda sobre os supostos riscos que a nossa democracia estaria correndo, Bolsonaro lembrou que muitos cidadãos venezuelanos fogem do regime bolivariano e buscam refúgio no Brasil, mostrando que nenhuma pessoa fugitiva de um regime opressor se refugiaria em um país com regime semelhante. E o presidente também lembrou o compromisso brasileiro com a paz mundial, ao citar a participação do Brasil nas missões de paz da organização.

O discurso também deixa claro o repúdio brasileiro ao terrorismo, em todas as suas formas, ao lembrar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que recentemente completaram duas décadas; e também a regimes autoritários, como o que se instalou no Afeganistão, com o Brasil oferecendo visto humanitário a cristãos, mulheres, crianças e juízes afegãos. Achei bastante interessante a inclusão dos juízes entre aqueles que poderão receber asilo no Brasil, pois muitos deles aplicaram as leis baseadas em uma constituição que não levava em consideração os preceitos muçulmanos da Sharia, e por isso poderiam ser perseguidos pelo Talibã, além do fato de entre os juízes haver muitas mulheres também.

O presidente ainda reforçou o compromisso brasileiro com a paz, ao lembrar que no próximo ano voltaremos a ocupar uma cadeira não-permanente no Conselho de Segurança, e agradecendo o apoio de 181 países, que mostraram não apenas confiarem no Brasil para ocupar tal cadeira, mas também que não somos os párias que muitos jornalistas insistem em tentar fazer as pessoas crerem.

Abordou a pandemia da covid-19, lamentando todas as vítimas da doença e enfatizando a liberdade que os médicos devem ter na prescrição do tratamento mais adequado aos seus pacientes. O presidente lembrou a todos que ninguém está livre de responsabilidades, e que todas as decisões serão julgadas pela história e pela ciência. Bolsonaro também enfatizou que as pessoas devem ser livres para decidirem se querem se vacinar, com o governo brasileiro colocando milhões de doses de vacinas à disposição daqueles que assim quiserem, e enfatizou a posição contrária do governo quanto à obrigatoriedade da vacinação e a adoção dos chamados passaportes sanitários. O próprio presidente não se vacinou, e hoje representa todos aqueles que são contra a obrigatoriedade das vacinas contra a covid-19, dentro e fora do Brasil. Se para alguns o fato do presidente brasileiro não ter se vacinado é motivo de vergonha, para muitos é um exemplo de defesa da liberdade de escolha e de respeito ao indivíduo.

Apesar de tudo o que ocorreu devido à pandemia, os lockdowns, a proibição de se locomover, trabalhar e viajar livremente, com o consequente tombo nas economias, o Brasil tem apresentado excelentes resultados na recuperação da economia e dos empregos. Apesar da gritaria da oposição e da mídia brasileiras, o próprio FMI elogiou o desempenho da economia brasileira, confirmando o que foi dito pelo presidente Bolsonaro em seu discurso.

E ao citar as gigantescas manifestações de 7 de setembro, mostrou a todos que o governo fundado em Deus, na pátria e na família, possui maciço apoio popular. Além disso, o povo brasileiro mostrou o seu compromisso com a democracia, e com as liberdades individuais. Tal postura mostra que o Brasil não vive a ditadura que muitos querem fazer crer, e também que no Brasil, situação e oposição possuem a mesma liberdade para se expressar. Todos sabemos que o atual governo não adotou nenhuma medida retaliatória, ou tentou emplacar medidas que restringissem a liberdade de expressão de quem quer que fosse. Ao contrário de certo ex-presidiário, que já adiantou que pretende regular os meios de comunicação e as redes sociais, caso volte ao poder.

Sobre esta questão da liberdade de expressão, muitas pessoas questionaram o fato do presidente não ter citado os casos dos presos políticos existentes hoje no pais, pelo crime de opinião. Neste caso, eu faço a seguinte pergunta: de que adiantaria a nossa autoridade máxima abordar estas prisões na ONU? “Ah, mas se presidente falasse, o mundo todo saberia do que está ocorrendo” poderiam alegar alguns. Sem dúvida, todos saberiam dos problemas internos envolvendo o nosso Judiciário, o que abalaria a nossa credibilidade e segurança jurídica.

Além disso, faço outra pergunta: mesmo que todo o mundo soubesse do ocorrido, o que os outros países fariam para mudar esta situação? Proporiam boicotes ou sanções? Acham mesmo que um boicote ou sanções internacionais afetariam os ministros do STF em alguma coisa, ao ponto de fazê-los mudar de postura? Na minha opinião, o presidente não levou esta questão para o plenário da Assembleia Geral, simplesmente por se tratar de uma questão interna que deve ser resolvida internamente, por nós mesmos. Lembro que ele discursou como Chefe de Estado, e a solução deste tipo de problema cabe a ele como Chefe de Governo, função que ele exerce internamente. Fazer o mundo saber do que está ocorrendo é função da imprensa. Mas com a nossa mídia podre, esta função cabe então às mídias independentes, brasileiras e estrangeiras.

Se o presidente abordasse tal questão em seu discurso, além de agravar a situação interna, acirrando os ânimos com os outros Poderes da república, ainda poderia ser visto como alguém incapaz de resolver os problemas internos brasileiros, e poderia soar como um pedido de ajuda. O Chefe de Estado de um país como o Brasil não pode passar esta imagem de fraqueza ou vulnerabilidade, principalmente diante da atual situação geopolítica global.

Enfim, como afirmei, foi um bom discurso. Mesmo em poucas linhas, pode-se extrair muita informação a respeito da postura diplomática brasileira diante de temas sensíveis, bem como é possível saber quais recados o país está enviando e para quem, como o claro recado aos Estados Unidos, quando da menção da preocupante situação do Afeganistão.

Aos opositores e à imprensa militante, resta o choro, que é livre, assim como a expressão das suas narrativas batidas!

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 24/09/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Áurea Lopes
Áurea Lopes
2 meses atrás

Excelente texto! É um momento histórico em que é necessário ponderar as palavras, pois, uma vez proferidas, só há o que lamentar, se o inimigo fizer mau uso das mesmas.