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O Fórum Econômico Mundial não é uma conspiração globalista

 

 

A falação anual de Davos é um glamoroso exercício de RP para nossas elites ignorantes.

 

Fonte: Spiked

Título original:  The World Economic Forum is not a globalist conspiracy

Link para o artigo original: aqui!

Publicado em 18 de janeiro de 2023

 

Autor: Frank Furedi*

 

As elites globalistas desceram até a estação de esqui suíça de Davos, esta semana, por uma única razão: serem vistas como participantes do Fórum Econômico Mundial.

Muito do sucesso do WEF tem a ver com aparências. Ao longo de décadas, o fórum conquistou a reputação de um lugar onde os Mestres do Universo se reúnem para decidir o futuro do mundo. É por isso que tantos bilionários, políticos e seus ‘penduricalhos’ estão desesperados para que o mundo saiba que eles também estiveram em Davos. Eles querem ser vistos na mesma sala onde outras pessoas muito importantes estão falando e fazendo coisas muito importantes.

É por isso que quem está de fora pode ficar com a impressão de que Davos é onde realmente se tomam as grandes decisões que afetam a vida das pessoas. Outros observadores, cuja mentalidade é mais conspiracionista, chegam até a uma conclusão mais sombria – a de que Davos é onde os soberanos globais expõem seus planos de dominação do mundo.

Nada poderia estar mais longe da verdade. O WEF é, principalmente, um exercício de relações públicas, e não um local onde empresários e políticos malévolos elaboram planos para uma nova ordem mundial.

E tem sido uma operação de RP tremendamente bem-sucedida. Vale lembrar, dada sua enorme reputação, que o Fórum Econômico Mundial é, na verdade, um think-tank familiar. Estabelecido em 1971, com um capital inicial de apenas US$ 6.000, transformou-se, sob seu fundador e presidente permanente, Klaus Schwab, em um negócio de US$ 390 milhões por ano.

Grande parte do sucesso do WEF deve-se ao marketing [que o consagrou] como o local de congregação dos atuais e futuros membros da elite global. Eis porque George Schmitt, o diretor de mídia digital e marketing do WEF, tem se vangloriado do grande número de CEOs globais presentes no fórum deste ano. Isso dá aos clientes do WEF a sensação de que estão ganhando acesso a pessoas poderosas e suas consequentes ideias de vanguarda. E a maior parte da mídia, em todo o mundo, acreditou na própria propaganda do WEF, o que explica o fato de um think-tank maçante ter conquistado uma fama tão extraordinária.

Entretanto, o WEF efetivamente cumpre uma função ideológica. Ele busca proporcionar aos seus clientes globalistas um senso de missão.

De fato, o WEF desempenha um papel importante ao promover a concepção de um mundo globalista, elevando o status de instituições internacionais e desvalorizando o papel dos governos nacionais – os quais o fórum apresenta como impotentes frente às forças do mercado global. Ao longo dos anos, procurou popularizar uma forma de governança em que os tomadores de decisões ficam isolados das pressões democráticas dos eleitorados nacionais. Para isso, defende uma perspectiva de ‘cooperação público-privada’ global, na qual uma elite internacional, distante do alcance de públicos domésticos, possa dedicar-se a solucionar os problemas do planeta. Como diriam os globalistas, as políticas nacionais são inúteis e os apelos à soberania nacional são fúteis.

Tendo descartado as políticas democráticas do estado-nação, essas elites globais desnacionalizadas precisam, ainda, levar em consideração quais tipos de valores e ideais elas apóiam. É aqui que o WEF realmente entra em cena. Ele fornece, para essas elites desnacionalizadas, uma ideologia, um roteiro repleto de jargões, consistindo em tecnocracia, políticas identitárias e ambientalismo.

Tal ideologia tem avançado mais sistematicamente com a iniciativa do Grande Reinício, do WEF. Lançada em junho de 2020, ostensivamente em resposta à pandemia, o Grande Reinício ofereceu um plano de recuperação econômica que, alegava-se, mudaria o modo de vida e trabalho das pessoas. A descarbonização foi apresentada como a ambição derradeira do Grande Reinício.

O Grande Reinício também ofereceu lugar de destaque para as modernas causas identitárias. Foi tão longe ao ponto de alegar que “existe uma forte correlação positiva entre a inclusão [do movimento] LGBT+ e a resiliência econômica”. Claramente, empunhar a bandeira do arco-íris passou a simbolizar a identidade do Homem de Davos. A marca do sucesso ideológico do WEF está nas corporações pragmáticas que, em todo o mundo, aderiram avidamente à santa trindade: política hiper-identitária, engenharia social tecnocrática e descarbonização.

Enquanto o WEF puder perpetuar a ilusão de que tem algo substancial a dizer, as elites globalistas e seus penduricalhos continuarão a se juntar em seu espetáculo de “salvar o mundo” em Davos, a cada ano. Isso, porém, não pode durar para sempre. Em breve, a realidade entrará em cena e exporá o vazio ideológico da visão de mundo globalista do WEF. Então, o Sr. Schwab e família terão que encontrar outra maneira de satisfazer as necessidades de plutocratas sem noção e crédulos.

 

*O livro ‘The Road to Ukraine: How The West Lost Its Way’, de Frank Furedi, acaba de ser publicado pela De Gruyter. [Em tradução livre: A Estrada para a Ucrânia: Como o Ocidente perdeu o rumo.]

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 20/08/2023.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  mtelmaregina@gmail.com ou Twitter @TRMatheus

 

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