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O mais recente episódio dos ‘Arquivos do Twitter” mostra o FBI afundado até o pescoço na mentira de desinformação russa para eliminar a história do laptop de Hunter Biden

Novos documentos revelados na segunda-feira, como parte dos ‘Arquivos do Twitter’, sugerem que o FBI esteve amplamente envolvido na elaboração da narrativa de desinformação russa para eliminar a história do laptop de Hunter Biden.

 

Fonte: The Federalist

Título original: Latest ‘Twitter Files’ Bombshell Shows FBI Neck-Deep In Russian Disinformation Lie To Kill Hunter Biden Laptop Story

Link para o artigo original: aqui!

Publicado em 20 de dezembro de 2022

 

Autora: Margot Cleveland*

 

Na noite anterior à publicação do New York Post sobre os e-mails recuperados de um laptop abandonado por Hunter Biden, que estabelecia as conexões de Joe Biden com os negócios de seu filho, o FBI utilizou um canal de comunicação privado para enviar 10 documentos a um alto executivo do Twitter.

Enquanto esses e outros documentos permanecem enclausurados na sede do Twitter – provavelmente porque classificados como sigilosos –, documentos adicionais, divulgados na segunda-feira como parte dos “Arquivos do Twitter”, Parte 7, sugerem que o FBI esteve amplamente envolvido na elaboração da narrativa de desinformação russa para eliminar a história do laptop de Hunter Biden.

O mais recente

“Atenção”: o agente especial do FBI, Elvis Chan, enviou um e-mail, no final da tarde do dia 13 de outubro de 2020, para Yoel Roth, o então chefe de integridade do site no Twitter. O e-mail de Chan o alertava para um “link Teleporter” que permitiria a Roth baixar 10 documentos. “Não é spam!”, Chan enfatizou, pedindo a Roth que confirmasse o recebimento do link. Dois minutos depois, às 18:24 horas, horário da Califórnia, Roth confirmou ter recebido a mensagem e baixado os arquivos.

O e-mail de Chan, em 13 de outubro de 2020, foi um dos vários comunicados internos que Michael Shellenberger publicou na segunda-feira, em seu episódio Parte 7 dos “Arquivos do Twitter”. Embora o e-mail não contivesse mais detalhes sobre o conteúdo dos 10 documentos fornecidos ao alto executivo do Twitter, mostrou-se sugestivo o fato de Chan ter enviado o e-mail na noite anterior à história do New York Post sobre o caso do laptop de Hunter Biden, e apenas algumas horas após um advogado do filho de Biden ter contatado John Paul Mac Isaac, o proprietário da loja de consertos de computadores onde Hunter havia abandonado seu laptop.

Que o e-mail tenha chegado após o horário comercial normal, através do canal privado de comunicação unidirecional usado pelo FBI, e tenha incluído um alerta a Roth para que ficasse atento à comunicação, tudo isso também indica que a mensagem e os 10 documentos anexados se referiam a um assunto de urgência. E o que poderia ser mais urgente do que a surpresa de outubro, o laptop?

Por volta das 9 horas da manhã de 14 de outubro de 2020, Jim Baker, o agora ex-conselheiro geral adjunto do Twitter, já tinha “contatado alguns colegas confiáveis da segurança cibernética que questionavam a autenticidade dos e-mails”, como ele mesmo disse a Roth e a outros 11 colegas, em um e-mail. “A formatação parece indicar que podem ser uma completa falsificação”, explicou Baker. Outro e-mail também mostrava que Baker havia agendado uma conversa telefônica com Matthew Perry, do escritório do FBI, para aquele mesmo dia.

Por sua vez, às 10 horas da manhã, Roth, escrevendo a mais de 15 colegas, disse que haviam decidido bloquear, como material pirateado, a história do Post sobre Hunter Biden, e explicou que “um fator-chave que fundamenta nossa abordagem é o consenso de especialistas que monitoram a segurança das eleições e a desinformação, de que isto se parece muito com o esquema de “hackear-e-vazar” identificado no Wikileaks de 2016 e [que motivou] alterações em nossa política”.

“A sugestão dos especialistas – que parece verdadeira”, continuou Roth, “é que houve uma invasão que foi realizada separadamente, e eles carregaram os materiais hackeados no laptop que apareceu magicamente em uma loja de reparos em Delaware (e que, por coincidência, foi examinado de forma bastante invasiva por alguém que, por [outra] coincidência, entregou o material a Rudy Giuliani)”.

Os tais “colegas confiáveis da segurança cibernética” e os “especialistas que monitoram a segurança das eleições e a desinformação”, mencionados por Baker e Roth, talvez não estivessem conectados ao FBI ou aos documentos que Chan enviara na noite anterior. Mas, se estivessem, o que parece possível – se não, provável –, as evidências que implicam o FBI no ato de mentir para interferir na eleição de 2020 acabam de se multiplicar exponencialmente.

Antes da publicação dos “Arquivos do Twitter” na segunda-feira, Roth admitiu, em declaração à Comissão Eleitoral Federal, que, “desde 2018, ele manteve reuniões regulares sobre segurança eleitoral com os gabinetes do Diretor de Inteligência Nacional, do Departamento de Segurança Nacional, do FBI e de colegas da indústria”. “Durante essas reuniões semanais, as agências federais de segurança pública comunicaram que esperavam a ocorrência de ‘operações de hackear-e-vazar’, que seriam realizadas por elementos do Estado, num curto período antes das eleições presidenciais de 2020, provavelmente em outubro”, disse Roth. Roth explicou ainda que, nessas reuniões, ele soube “que havia rumores de que uma operação de ‘hackear-e-vazar’ envolveria Hunter Biden”.

O fundador do Facebook Mark Zuckerberg também confirmou, durante entrevista a Joe Rogan, que a decisão da gigante de tecnologia de censurar a história de Hunter Biden decorreu de o FBI basicamente dizer à sua equipe: “Ei, só para você saber, vocês devem manter-se em alerta máximo”. Zuckerberg relembrou o alerta do FBI para sua empresa: “Acreditamos que houve muita propaganda russa na eleição de 2016”. E acrescentou que a agência lhes dissera: “Temos informações de que, basicamente, está prestes a haver algum tipo de ataque semelhante, portanto, fiquem atentos”.

“Então, quando o New York Post divulgou a história do laptop de Hunter Biden, em 14 de outubro de 2020”, Zuckerberg observou, “o Facebook tratou a história como potencial desinformação, e importante desinformação, por cinco a sete dias, para que a equipe da gigante de tecnologia pudesse determinar se era falsa”.

Obviamente, a história do laptop de Hunter Biden não era falsa e não fazia parte de uma operação “hackear-e-vazar”, e o FBI sabia disso, pois apreendera, em dezembro de 2019, o laptop [que estava em posse] de Mac Isaac. Portanto, estas declarações de Roth e Zuckerberg estabelecem que o FBI mentiu para as gigantes de tecnologia, levando-as a censurar as reportagens do New York Post e, com isso, interferiu na eleição.

As declarações de Roth e Zuckerberg devem ser suficientes para consolidar o tráfico de informações falsas do FBI, visando interferir em uma eleição presidencial, como um dos piores escândalos políticos de nossa nação. Mas, se a mensagem e os documentos do Teleporter, veiculados pelo FBI em 13 de outubro de 2020, fornecerem mais provas concretas de que o FBI alimentou o Twitter com a opinião de supostos especialistas, de que o laptop fora invadido ou fraudado, será difícil até mesmo para a imprensa propagandística continuar ignorando a história.

Sigiloso

Infelizmente, Shellenberger não faz referência nem à mensagem subjacente do Teleporter, de 13 de outubro de 2020, nem ao conteúdo dos 10 documentos. Matt Taibbi – que, em sua cobertura da Parte 6 dos “Arquivos do Twitter”, na sexta-feira, também menciona um e-mail de Chan em 16 de outubro de 2020, orientando dois executivos de alto nível do Twitter a monitorar suas mensagens do Teleporter em relação a dois documentos importantes – também não fez qualquer menção ao conteúdo da mensagem do Teleporter nem aos dois documentos importantes anexados. Por quê?

Outro e-mail divulgado no episódio de Shellenberger, na segunda-feira, dá uma pista.

Em 15 de julho de 2020, Chan escreveu para Roth e para outro indivíduo no Twitter, cuja identidade foi editada. Nesse e-mail, Chan propôs “30 dias a contar da eleição”, fornecendo autorizações temporárias no Twitter, com Roth e seu colega escolhendo quem receberia as autorizações. E em 15 de setembro de 2020, o FBI foi categórico em afirmar que “não há qualquer impedimento ao compartilhamento de informações”, inclusive de informações sigilosas.

Considerando que Taibbi e Shellenberger não fazem menção ao conteúdo de mensagens e anexos do Teleporter, e ainda considerando que o Teleporter serviu como um sistema de comunicação unidirecional do FBI, parece provável que o FBI tenha usado o Teleporter para transmitir documentos sigilosos para funcionários selecionados do Twitter, desde que houvesse uma autorização de segurança temporária. Essa possibilidade também explicaria a maneira codificada como Baker e Roth descrevem a perspectiva dos supostos especialistas sobre a autenticidade do laptop de Hunter Biden aos outros funcionários do Twitter, que provavelmente careciam da permissão [de segurança].

Assim, mais uma vez, parece que o FBI se esconderá atrás das marcações de sigilo, assim como fez para mascarar sua má-fé na obtenção de quatro mandados de vigilância da FISA para Carter Page. Porém, os Republicanos agora detêm a maioria na Câmara, o que significa que há uma chance para o país saber o que Elon Musk não pode nos dizer.

 

*Margot Cleveland é correspondente sênior do Federalist para assuntos jurídicos. Ela também colabora com a National Review Online, o Washington Examiner, a Aleteia e o Townhall.com, e já foi publicada pelo Wall Street Journal e pelo USA Today. Cleveland é advogada graduada pela Notre Dame Law School, onde foi premiada com o Hoynes Prize – a mais alta honraria da Faculdade de Direito. Posteriormente, atuou por quase 25 anos como assistente permanente de um juiz federal de apelação, no Tribunal de Apelações do Sétimo Circuito. Cleveland foi professora universitária em tempo integral e agora leciona como assistente, de tempos em tempos. Sendo mãe de um jovem com fibrose cística, Cleveland o educa pelo método homeschooling, enquanto escreve frequentemente sobre questões culturais relacionadas à criação de filhos com necessidades especiais.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 24/12/2022.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  mtelmaregina@gmail.com ou Twitter @TRMatheus

 

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