Após mais de ano e meio do início da decretação da pandemia de Covid-19 no Brasil, chegamos ao ponto em que é proibido falar, ou sequer insinuar qualquer questionamento sobre questões básicas em torno dos imunizantes utilizados contra o Covid-19, tais como segurança e eficácia.

Antes de mais nada, é preciso lembrar algumas questões. Praticamente todos que se manifestaram sobre esse assunto tinham por certo que qualquer vacina que surgisse nos meses seguintes seria uma esperança para a humanidade. Mas também afirmavam com clareza que elas teriam que ser acompanhadas continuamente, uma vez que seriam usadas na sua maioria, em caráter experimental.

Aliás, foi nessa condição que a Anvisa aprovou em 17 de janeiro de 2021 o uso emergencial, temporário e experimental das vacinas Coronavac e AstraZeneca. Era a decisão mais acertada naquele momento, considerando o avanço da pandemia. A autorização ainda colocava exigências adicionais a serem apresentadas posteriormente, como os estudos de imunogenicidade, que é a capacidade de uma vacina incentivar o organismo a produzir anticorpos contra o agente causador da doença.

Já no caso da Pfizer, a Anvisa aprovou o registro definitivo da sua vacina em fevereiro deste ano, para pessoas a partir dos 16 anos. A empresa optou por não pedir antes a autorização para uso emergencial, e submeteram já o pedido de registro. Mas os estudos para a ampliação a outras faixas etárias continuaram e ensejaram novas avaliações da Anvisa, que mais recentemente liberou o uso para adolescentes a partir dos 12 anos.

Experimentação, observação, ajustes e aperfeiçoamentos são etapas naturais e esperadas dentro de uma discussão científica, ainda mais sobre uma doença nova. No entanto, o que estamos presenciando é um patrulhamento ridículo sobre esse tema. Os fundamentalistas da vacina, que antes não falavam de outra coisa, agora interditam e censuram qualquer um, leigos ou especialistas que ousam fazer perguntas incômodas sobre elas.

Não estamos falando de produtos que passaram por anos de estudo, aperfeiçoamento e cumpriram todas as etapas necessárias para o seu desenvolvimento. Aliás, é exatamente por isso que nem se faz necessário lembrar que boa parte delas são de caráter obrigatório no Brasil. Mas não é o caso, ainda, dessas vacinas contra o Covid-19. É por isso que não faz sentido algum impor um passaporte sanitário a ninguém, ferindo as leis, a Constituição e a própria ética médica.

Esse obscurantismo, muitas vezes motivado por razões políticas, é um desserviço à própria ciência. Mas a mordaça imposta pelos talibãs da vacina não é capaz de esconder algumas questões relevantes. Da mesma forma que é preciso ter empatia com os que morreram devido à doença, também é preciso que haja interesse quando alguém vem a óbito, supostamente, por conta de vacinas ainda em estudo. É uma questão de bom senso.

O que essa gente tem a dizer às famílias daqueles que perderam entes queridos, de pessoas que podem ter sido vítimas de efeitos ainda não conhecidos de uma vacina que serviria para protege-las de uma doença mortal? Por que os fabricantes não vêm a público explicar as providências que irão tomar, ao invés de indicar que o cidadão procure o “SAC”? Por que o Ministério da Saúde não se posiciona de maneira firme sobre esses casos, ao invés de amarelar ante o patrulhamento dos talibãs da vacina?

O que fica claro é que essa perseguição ao questionamento científico pode influenciar negativamente no esclarecimento de fatos que podem minar a confiança da sociedade nas vacinas contra o Covid-19. A quem interessa que esses esclarecimentos não ocorram? A quem interessa que não haja um debate honesto a respeito dos vários relatos de efeitos adversos mundo afora? À ciência é que não é!

Num país onde a liberdade de expressão está constantemente ameaçada, até mesmo por aqueles que deveriam garantir esse direito constitucional, não é de se admirar que tentem calar quem ousa questionar esses seres que detém a verdade universal sobre todas as coisas. Isso seria um sacrilégio digno de apedrejamento, enforcamento ou lançamento do alto de prédios, não é mesmo? Mas tudo em defesa da ciência, claro.

 

 

Ismael Almeida, para Vida Destra, 21/09/2021.
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