Os amigos leitores já devem ter notado o meu interesse por fatos históricos. Eu acredito que o estudo dos fatos passados, além de nos ajudar a entender o presente, nos dá os meios para que o nosso caminho rumo ao futuro permaneça nos trazendo progresso e coisas boas, ao evitar que erros passados sejam novamente cometidos.

Que o socialismo e o comunismo não funcionam todos já sabem, ou ao menos deveriam saber. Afinal há inúmeros fatos históricos atestando o fracasso destas doutrinas políticas e econômicas. Porém, mesmo em um mundo onde as informações abundam, ainda há pessoas ignorantes quanto ao fato do comunismo e do socialismo serem sistemas fadados a levar todos os que neles creem, à pobreza e à miséria! Por isso acredito que, sempre que possível, devemos revisitar os fatos históricos referentes a esses sistemas, e relembrar (ou ensinar) as pessoas que tudo isso já caiu por terra, justamente por não funcionarem.

Há trinta anos, em 1º de julho de 1991, ocorria em Praga, na então Tchecoslováquia, a reunião onde a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas reconheceu formalmente o fim do Pacto de Varsóvia, a aliança militar criada para integrar os países comunistas do leste europeu e a própria União Soviética.

Assinado em 14 de maio de 1955, o Pacto de Varsóvia (também chamado de Tratado de Varsóvia) determinava o alinhamento dos países membros com Moscou, e também firmava o compromisso de defesa mútua em caso de agressões vindas de agentes externos ao bloco. Na prática, porém, o Pacto serviu para legalizar a presença das tropas soviéticas que estavam espalhadas pelos países do leste europeu desde o final da Segunda Guerra Mundial, e também contribuiu para que Moscou reprimisse com mão de ferro qualquer tentativa de oposição aos regimes vigentes nos estados-membros, como aquela repressão que ocorreu durante a chamada Primavera de Praga, em 1968, quando o exército soviético invadiu a Tchecoslováquia para pôr fim às reformas descentralizadoras e pró-democracia que vinham sendo implementadas pelo governo local.

O Pacto de Varsóvia também foi a resposta direta da União Soviética à criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, em 1949, pelos Estados Unidos e seus aliados na Europa ocidental, com o objetivo de defesa mútua em caso de agressões externas. Embora não tenha ocorrido conflitos diretos entre os países signatários dos dois tratados, foi a existência desses pactos que alimentou durante anos a Guerra Fria entre as potências ocidentais e o bloco comunista.

O último líder soviético, Mikhail Gorbatchev, iniciou em 1986 uma série de reformas econômicas, conhecidas como Perestroika, e uma abertura política, conhecida como Glasnost. Na esteira dessas reformas internas, Gorbatchev também anunciou, em 1988, mudanças na política externa soviética, com o fim da chamada Doutrina da Soberania Limitada, também chamada de Doutrina Brejnev, implementada pelo líder soviético Leonid Brejnev, e que visava, numa explicação simples, alinhar e centralizar as ações dos países do bloco comunista com a União Soviética, e determinava o apoio dos partidos comunistas entre si. Com a mudança, Moscou passou a permitir que os seus países satélites definissem livremente os rumos de suas políticas locais.

Uma das consequências diretas dessa mudança na política externa soviética, foi o movimento político na Alemanha Oriental, que culminou com a queda do Muro de Berlim, em 1989. O abandono da Doutrina Brejnev contribuiu não só para o enfraquecimento do Pacto de Varsóvia, como da própria União Soviética, que apresentava sérios problemas internos, e que acabou colapsando, sendo declarada extinta ao final de 1991.

É importante revisitarmos esse relevante fato histórico, neste momento em que vemos a Rússia, herdeira natural da União Soviética, buscando expandir a sua influência geopolítica, seja através da anexação de territórios, como fez com a Criméia, tomada da Ucrânia, seja com o apoio a grupos separatistas e a governos com posicionamentos pró Moscou. O xadrez da política internacional é muito complexo, mas entender, pelo menos minimamente, como funcionou o Pacto de Varsóvia, nos ajuda a compreender como o cenário atual foi construído.

Embora a postura da Rússia hoje não seja uma postura como nos moldes soviéticos, já que não envolve o comunismo/socialismo, isso não quer dizer que seja uma postura política saudável para as relações internacionais.

De qualquer forma, meu objetivo aqui foi trazer uma pequena lembrança do que foi o Pacto de Varsóvia e do seu fim para, quem sabe, despertar o interesse pelo assunto.

Lembrar do fim de tudo o que remete ao socialismo e ao comunismo é algo muito importante e que nunca devemos deixar de fazer, para mostrar à geração atual que muitas das suas crenças políticas são mais que furadas, são fracassadas!

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 02/07/2021.
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Edna Márcia
Edna Márcia
1 ano atrás

Texto muito bom ??? aumentando mais meu conhecimento.