Desde que me entendo por gente que ouço a expressão “o Brasil é o país do futuro”. E à medida que fui crescendo e estudando, não foi difícil entender o por quê dessa crença popular. Afinal, somos um país de dimensões continentais, com riquíssimos recursos naturais, com um povo trabalhador e uma economia que se esforça para se diversificar e acompanhar o restante do mundo. Ou seja, um país com todas as condições para ser bem sucedido!

Na minha infância e juventude, era dito que o grande problema que nos impedia de alçar voos mais altos -e não meros voos de galinha- era a inflação. E de fato era um problema muito grave, que ao longo de anos a fio cavou o abismo que vemos hoje entre as classes sociais. Mas, com o dragão da inflação finalmente domado, não vimos o Brasil alçar o seu tão almejado voo rumo ao olimpo das nações. Ainda estávamos com o freio de mão puxado.

Após o Plano Real, em 1994, com a inflação sob controle, vimos governo após governo encenando várias tentativas de fazer do Brasil um país desenvolvido. Hoje sabemos que eram meras tentativas, sem a real intenção de resolver os problemas, pois havia um projeto de poder em curso, e que tudo era feito com o objetivo de perpetuar este projeto e os seus integrantes no poder. Mesmo ao custo do futuro de milhões de pessoas.

Hoje, vejo muitas pessoas culpando a corrupção pelas nossas mazelas. A corrupção é um crime que deve ser combatido e punido, mas não devemos vê-la como a causa dos problemas. Ela é um sintoma de um problema maior e, se analisarmos bem, ela é a fonte de recursos que sustenta um projeto maior. O mesmo projeto de poder que já vimos antes, e que não foi debelado com a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República em 2018. O projeto foi apenas retirado do poder, e perdeu o acesso fácil aos recursos que o sustentavam. Mas nem de longe deixou de existir ou se enfraqueceu.

A luta travada pelo presidente Bolsonaro para governar é a prova disso. Instituições aparelhadas, politização e judicialização de pautas, jornalismo militante. Tudo isso corrobora o fato que o projeto de poder teve sua implementação bem sucedida, está presente em várias áreas da esfera pública, e não podemos ser ingênuos e acreditar que o presidente sozinho poderá vencê-lo.

Tivemos uma oportunidade de ouro no ano passado, para consolidar o movimento conservador na política, através da eleição de prefeitos e vereadores conservadores. Esta base seria fundamental não apenas para o apoio político ao presidente, mas até mesmo para enfrentar os problemas cotidianos. O combate à pandemia poderia ser diferente, se tivéssemos mais prefeitos e legislativos municipais alinhados com o governo federal, e que se opusessem aos desmandos dos governadores.

Diante da constatação que o projeto de poder da esquerda nunca deixou de existir e ainda está forte, a ponto de ameaçar a reeleição do presidente Bolsonaro em 2022, e a continuidade do governo de direita a partir de 2026, resta a pergunta: para onde o país está rumando?

Mantidos os fatores atuais, com os mesmos personagens, corremos um sério risco de ver o projeto conservador brasileiro ser encerrado de forma prematura. Se dependesse apenas de uma disputa limpa entre Bolsonaro e seus adversários políticos, não teríamos com o que nos preocupar. Mas todos sabemos que, de limpa, a disputa eleitoral do ano que vem não terá nada. E já vimos o que o establishment foi capaz de fazer com o então homem mais poderoso do mundo, o ex-presidente americano Donald Trump.  Não nos iludamos, estamos enfrentando no Brasil as mesmas forças que derrubaram Trump.

Com o nível de reação atual do povo brasileiro, e com o engajamento atual, tudo leva a crer que veremos a história se repetir por aqui. Já ocorreram vários acontecimentos sérios que poderiam ter servido como estopim para uma reação popular que pudesse fazer um verdadeiro contraponto a tudo o que está sendo planejado e executado pelos adversários. Porém, o inimigo avança dia a dia, tem vitórias constantes, nos imobilizam enquanto seguimos sem reação. Não sei o que mais precisa acontecer para que as pessoas caiam na real.

Longe de querer ser pessimista, o que afirmo é que temos que encarar a realidade e parar de nos enganar. Estamos perdendo o jogo e precisamos reagir rápido. Estamos colocando toda a responsabilidade da vitória sobre o presidente Bolsonaro e estamos deixando-o sozinho na luta. Precisamos fazer a nossa parte.

O primeiro passo é: desligue a sua televisão! Pare de se permitir manipular! Deixe de fazer parte da massa de manobra que está sendo utilizada para desestabilizar o país. Temos que aprender a ser mais críticos e mais exigentes quanto às informações que consumimos, e temos atualmente inúmeras opções de veículos de comunicação confiáveis onde buscar informação de qualidade. A revista Vida Destra está aqui para fazer este papel.

O segundo passo é deixar de lado o medo. A covid-19 pode ser letal, e exige cuidados de todos, mas não é nenhuma sentença de morte. Falam muito nos mortos, mas não falam nos que venceram a doença, que já são mais de 10 milhões de brasileiros. Conheça a doença, saiba quais as melhores maneiras de preveni-la e, na medida do possível, procure viver a sua vida. O pânico serve apenas para fortalecer a narrativa daqueles que querem tomar o poder.

O passo seguinte, munidos de informação, conhecimento e coragem, é deixar o comodismo de lado e ir à luta! Temos que defender os nossos interesses. Se não fizermos isso, ninguém fará por nós. Ou vocês viram algum sindicato defendendo os empregos? Ou Associações Comerciais defendendo o comércio? Viram a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) defendendo os empregos na indústria? Viram algum conselho de classe de fato defender os seus integrantes?

Tudo o que vemos são instituições aparelhadas e movidas por interesses que não são os daqueles que deveriam defender. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) é um exemplo claro disso.

Por isso, amigos leitores, ou tomamos de vez as rédeas do país nas nossas mãos, ou a experiência da direita no poder durará pouco. Você pode até discordar das minhas palavras, mas discorde agindo! Não podemos ficar parados. O tempo está passando e logo poderá ser tarde demais.

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 26/03/2021.
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Fábio Paggiaro
1 ano atrás

Se o povo não acordar, Sander, nosso futuro será idêntico ao da Venezuela.

Luiz Antonio Santa Ritta
Luiz Antonio Santa Ritta
1 ano atrás

Neste excelente artigo de @Srsjoejp em que indaga para onde estamos indo, só posso dizer aos leitores para verificarem se estão inscritos no canal do Youtube do e ativar o sininho, porque, geralmente, temos excelentes lives na [SEXTA DESTRA) discutindo os principais assuntos da semana com os nossos articulistas.