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Poupe-nos de suas palestras ambientais, William

 

 

Fonte: Spiked Online

Título original: Spare us your environmental lectures, William

Link para a matéria original: aqui

Publicado em 6 de junho de 2022

 

Autor: Fraser Myers

 

Por que a realeza insiste em agir como uma Greta crescida?

A família real supostamente está “acima da política”. A neutralidade premeditada da rainha, mantida ao longo de 70 anos, é aspecto central da resistência dessa estrutura feudal. Seus descendentes, porém, aparentemente não conseguem manter silêncio sobre seus pontos de vista.

Durante as celebrações do Jubileu de Platina, neste fim de semana, o Príncipe William marcou a ocasião com uma palestra aos súditos de sua avó, falando sobre “a necessidade premente de proteger e restaurar o nosso planeta”. Embora tenha destacado os “desenvolvimentos tecnológicos inimagináveis” que melhoraram o destino da humanidade no decorrer dos últimos 70 anos, ele alertou que o “impacto provocado pelos seres humanos em nosso mundo tornou o planeta mais ‘frágil’.

Por algum motivo, a realeza colocou na cabeça que o meio ambiente e a mudança climática não são temas políticos. Eles agem como se já fosse consenso que algo deve ser feito em relação à mudança climática – e, mesmo que esta parte quase sempre fique inconfessa, [o Príncipe William insinuou] que as pessoas comuns devem se dispor a fazer grandes sacrifícios para ‘salvar o planeta’.

Claramente, o Príncipe William não pretende fazer, ele próprio, muitos sacrifícios para reduzir o impacto da humanidade no clima. Ele chegou à festa do Jubileu, como sempre faz a realeza, em um helicóptero. De fato, graças a todos os helicópteros, jatinhos privados, comboios que esbanjam combustível e vastos palácios à disposição deles, a família real produz uma pegada de carbono que é 50 vezes o tamanho da produzida por uma família britânica mediana.

A hipocrisia da realeza na questão climática é um fenômeno recorrente. Quem já se esqueceu do Príncipe Harry usando um jatinho particular para ir a um recanto da Sicília [só pesquisar no Google], onde fez uma palestra, descalço, sobre os perigos da mudança climática? O Príncipe Charles é, de longe, o que mais fala sobre questões ambientais. Orgulhosamente, ele exibe suas credenciais verdes enquanto dirige um Aston Martin ‘movido a queijo’ e conversa com suas plantas. Mas ele também tem, de longe, a pegada de carbono mais alta de toda a realeza – em grande parte, devido à inacreditável quantidade de terras que possui.

O discurso no Jubileu também não foi a primeira ofensiva do Príncipe William nas políticas verdes. No passado, ele reclamou do potencial impacto do turismo espacial no planeta; debateu a mudança climática com David Attenborough no Fórum Econômico Mundial; e lançou o prêmio Earthshot para inovações ecológicas.

Toda essa defesa verde poderia soar inofensiva – até mesmo caridosa. Mas há um porém. Enquanto pessoas como o Príncipe William espalham frases de efeito sobre ‘restaurar o planeta’ e ‘cuidar melhor do nosso mundo’, o que isso significa na prática se torna mais claro a cada dia. A agenda Net Zero [volume líquido de emissões = zero] representa uma redução significativa da nossa qualidade de vida e uma tremenda restrição ao crescimento econômico. No Reino Unido, as políticas climáticas já contribuem para um pico sem precedentes nos preços de energia, causando enormes dificuldades para residências e indústrias.

E isso é só o começo. O Comitê de Mudança Climática do Reino Unido acredita que mais de 60% das emissões futuras não resultarão de melhorias tecnológicas, as quais poderiam ser indolores e inobjetáveis, e sim das ‘mudanças comportamentais e escolhas individuais’. Desnecessário dizer que não serão mudanças voluntárias. Métodos eficientes, baratos e comprovados para produzir energia, aquecer nossas casas e permitir nossa locomoção serão gradualmente eliminados, banidos ou pesadamente tarifados. Métodos ecológicos mais caros e menos confiáveis serão incentivados ou impostos.

Essas medidas não são a consequência inevitável da situação em que nos encontramos. Elas representam uma opção política de colocar os interesses ambientais acima de nossas liberdades e dos nossos padrões de vida. E o impacto delas será sentido principalmente pelos menos favorecidos, que serão cobrados pelas conveniências modernas que, hoje, consideram como certas. É simplesmente indefensável que um membro hiperprivilegiado da família real exija tal inclemente ecoausteridade do público, enquanto posa de isento no debate político.

O Príncipe William faria melhor se cuidasse da própria vida.

 

*Fraser Myers é editor adjunto na spiked e apresentador do the spiked podcast.

 

 

Traduzido por Telma Regina Matheus, para Vida Destra, 11/06/2022.                                  Faça uma cotação e contrate meus trabalhos através do e-mail  [email protected] ou Twitter @TRMatheus

 

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