Este é um artigo muito especial para mim, pois se trata do meu 100º artigo escrito para a revista Vida Destra. Diante de um número tão especial, refleti muito acerca daquilo que escreveria. E diante de tudo o que temos testemunhado nos últimos anos em nosso país, considerei que seria oportuno escrever algo breve a respeito do Fascismo. Breve pois se trata de um tema complexo, que demandaria muito espaço para ser abordado de forma completa. E oportuno, pois afinal qual o conservador brasileiro que nunca foi injustamente chamado de “fascista” por militantes de esquerda?

De forma bem resumida, mas bem resumida mesmo, é possível afirmar que o fascismo não se enquadra plenamente nem à direita e nem à esquerda do espectro político, por conter elementos ideológicos pertencentes a ambos os lados. Por exemplo, da direita, o fascismo se apropriou do nacionalismo e da crença na inevitabilidade da desigualdade social, entre outras coisas; da esquerda, tomou a crença que um Estado forte é a solução, e a ideia da necessidade da criação de uma nova sociedade, entre outras. Mesmo entre os historiadores e estudiosos do assunto, não há um consenso sobre se o fascismo é de direita ou de esquerda.

Podemos compreender o fascismo como uma ideologia baseada na crença na necessidade da formação de uma nova sociedade, organizada a partir da ação de um Estado forte, conduzido por um líder detentor de todo o poder para decidir o que é melhor para a nação. Embora haja uma semelhança com o socialismo e o comunismo, no desejo de se criar uma nova sociedade, um “novo homem”, o fascismo não utiliza o princípio da luta pela igualdade social e eliminação de classes, como fazem os socialistas, que incentivam a luta de classes e a revolução dos trabalhadores, com a tomada dos meios de produção, para a implantação de uma ditadura do proletariado, e a criação de uma sociedade igualitária.

Ao invés disso, os fascistas creem ser natural a existência de classes, e não são contra a propriedade privada, embora desestimulem a livre iniciativa, ao utilizarem políticas regulatórias e intervencionistas para conduzir a economia. Os fascistas acreditam que a construção de uma nova sociedade se dá através da ação do Estado, que identifica  os problemas nacionais e toma as medidas necessárias para eliminar tudo o que estiver impedindo o país de crescer e se tornar autossuficiente. O objetivo do fascismo é o bem do Estado, e mobiliza e usa a sociedade para alcançar este propósito.

Regimes fascistas são extremamente nacionalistas e cultivam nas pessoas um sentimento de superioridade e pertencimento, porém não permitindo que haja sentimentos ou posições divergentes daquelas defendidas pelo Estado. Qualquer pessoa que se oponha ao que é estabelecido pelo regime logo se torna inimiga do Estado, estando à mercê da sua autoridade.  Dissidentes e opositores são tratados com violência, sendo esta utilizada de forma institucionalizada. É comum que regimes fascistas possuam milícias paramilitares que fazem o “serviço sujo” para o regime, como os Camisas Negras, no regime fascista de Benito Mussolini, na Itália.

No Brasil não há violência institucionalizada e não há nenhuma milícia paramilitar agindo em nome do Estado, perseguindo opositores do governo. Na verdade, há uma perseguição aos apoiadores do governo e àqueles que divergem das “verdades” ditas por jornalistas, políticos e ministros que agem em nome do establishment que ainda controla o país.

Muitos confundem nacionalismo com patriotismo. O Brasil atual vive um ressurgimento do sentimento patriótico, de amor pelo nosso país. O patriotismo foi enterrado pelos governos esquerdistas, que alimentaram a nossa síndrome de vira-latas. Uma nação formada por cidadãos patriotas é diferente de um regime nacionalista, que tenta impor valores não naturais para exaltar uma suposta superioridade nacional em relação às demais nações. Quem acusa um patriota de ser fascista, apenas por empunhar uma bandeira do Brasil, das duas uma: ou não sabe distinguir nacionalismo de patriotismo, ou é mau-caráter mesmo!

Aliás, é importante destacar que enquanto o socialismo busca subverter a estrutura hierárquica social vigente, a favor de uma nova forma de organização social, baseada na igualdade entre as pessoas, os fascistas são favoráveis à construção de uma estrutura social semelhante à militar, com hierarquia e funções definidas para todos. Os comunistas usam a utopia do fim da opressão das elites burguesas como pretexto para tal reforma social. Os fascistas acreditam que apenas um Estado forte é capaz de administrar as diferenças sociais e que somente ao Estado cabe tal responsabilidade. Os fascistas não acreditam que as pessoas sejam capazes de tomar decisões por si mesmas.

Enquanto os governos petistas passaram anos aparelhando o Estado e as suas instituições, hoje vemos o governo Bolsonaro lutando para diminuir o tamanho e as atribuições do Estado brasileiro. A pandemia deixou bem claro quem defende as liberdades e direitos individuais, e quem defende que o Estado tenha a autoridade de assumir o controle sobre as vidas das pessoas, ditando o que pode ou não ser feito pelos cidadãos, como se estes fossem incapazes de decidirem sozinhos. Quem realmente se parece com os fascistas?

Outra característica muito semelhante entre fascismo e comunismo, é o culto que ambos fazem aos “salvadores da pátria”, mudando apenas o objeto de adoração. Enquanto os comunistas colocam o Partido Comunista no papel de entidade responsável pelo bem-estar de todos, os fascistas dão este papel ao líder e ao Estado. Por conta deste “culto”, ambos os regimes promovem a arregimentação das massas populares, promovendo eventos onde símbolos do Partido Comunista ou que remetam ao líder fascista e ao Estado são ostensivamente utilizados, assim como a propaganda que manipula as pessoas a acreditarem naquilo que está sendo vendido como a verdade pelas lideranças, comunistas ou fascistas.

No Brasil percebemos facilmente este mesmo modus operandi, com os partidos de esquerda realizando eventos nos quais são exaltados símbolos como as bandeiras vermelhas que remetem ao comunismo e a imagem de líderes, como as de Che Guevara ou Lula.

E o que dizer da imprensa, que de forma escancarada, tenta impor as suas narrativas à opinião pública? E o que dizer da perseguição aos sites e mídias conservadoras, que são cerceadas e banidas apenas por defenderem a difusão da verdade dos fatos? O que dizer a respeito de pessoas presas por emitirem opiniões críticas ao sistema vigente? Tudo isto é exatamente o que um regime fascista faz, mas não é o presidente Bolsonaro quem está por trás destas medidas persecutórias.

Tentar associar as manifestações populares pró governo e o uso das cores e da bandeira nacionais ao fascismo, só mostra o conhecimento raso ou o mau-caratismo daqueles que propagam estas falácias. Até porque a bandeira nacional é a mesma há mais de um século. Sob ela já estiveram militares e civis, democratas e ditadores, esquerda e agora, direita. Portanto não é um símbolo que pode ser associado a um único grupo, pois pertence a todos os brasileiros, inclusive à esquerda, que não usa a bandeira nacional ou as cores nacionais por opção própria, por considerar que tais símbolos contrariam os ditames da ideologia na qual acreditam.

E também é totalmente equivocada a ideia de associar as manifestações de apoio ao presidente Bolsonaro, aos cultos à imagem do líder, feito pelos fascistas, já que estes são levados ao culto à imagem do ditador pela manipulação promovida pela propaganda do regime e pela mídia estatal. Onde está a mídia que “manipula” as pessoas para que saiam às ruas em defesa de um presidente que tem as suas atribuições invadidas e é impedido de governar pelos opositores?

Na área econômica, os fascistas são intervencionistas, sendo inimigos do livre mercado, e muitas vezes se apresentando como anticapitalistas. No entanto, a história nos mostra que eles são, na verdade,  contrários à ambição natural que as pessoas possuem ao viverem num regime de livre mercado e livre iniciativa, que permite a qualquer um buscar a sua própria riqueza. A ambição capitalista faz com que as pessoas desviem o seu foco do Estado, e para os fascistas este é o problema. Tanto é assim, que o regime fascista italiano permitia a existência de empresas privadas e até beneficiava alguns empresários “escolhidos”, que se colocavam a serviço do Estado. Embora houvesse forte intervenção e controle estatal, o fascismo não intencionava se apoderar dos meios de produção e planificar a economia, como ocorre nos regimes comunistas. Esta política fascista de escolher empresas para serem “campeãs nacionais” é muito similar ao que foi feito no Brasil pelos governos petistas, que escolhiam empresas consideradas “estratégicas” para receber gordos subsídios estatais, via BNDES. Vocês viram o que aconteceu com o empresário Eike Batista, um desses beneficiados?

Já aqueles que produzem de verdade, geram empregos e produzem riquezas sem depender do Estado, mas apesar do Estado, são perseguidos e tratados como inimigos públicos, como aconteceu recentemente com o empresário Luciano Hang, proprietário das lojas Havan.

Somos patriotas. Amamos e defendemos o Brasil, respeitamos o Estado e as suas instituições, mas jamais os colocaremos acima da sociedade. O Estado foi criado pela sociedade para servi-la, e não aceitamos o contrário. Não queremos ser servos do Estado, como querem os fascistas.

Acreditamos que as pessoas possuem direitos naturais, e que nenhuma lei, ou poder estatal, pode passar por cima destes direitos, ignorá-los ou aboli-los. E acreditamos que o ser humano é dotado de livre arbítrio, sendo capaz de tomar as suas próprias decisões. Não aceitamos delegar esta responsabilidade a burocratas ou políticos. Porém, toda decisão requer reflexão e informações, e no Brasil de hoje obter informações confiáveis e que nos permitam tomar as melhores decisões, está cada vez mais difícil, por conta da própria imprensa, que ao invés de informar, está prestando um serviço a favor da idiotização da sociedade.

As pessoas são naturalmente diversas umas das outras. Portanto querer impor uma suposta igualdade entre pessoas diferentes, é eliminar o desenvolvimento natural e o amadurecimento da sociedade. Este desejo de romper com os valores que nos constituem enquanto civilização, são comuns aos comunistas e fascistas, mas não é compartilhado por nós, conservadores.

Enfim, meus amigos, nada temos de fascistas. Os que nos acusam de sê-lo, nada mais fazem que colocar em prática o velho ensinamento leninista: “acuse-os do que você é“. Não tenhamos medo de defender os nossos valores e as nossas ideias, mesmo que sejamos punidos por isso.

Da nossa resistência, dependem a liberdade e o futuro da nossa nação. Somos patriotas sim! Tememos a Deus e amamos o nosso país! Nossa bandeira jamais será vermelha, no que depender de mim! E aos militontos esquerdistas, se querem ver os verdadeiros fascistas, basta olharem-se no espelho!

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 01/10/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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