A dança das cadeiras promovida na Esplanada pelo Presidente Bolsonaro deixou muita gente de cabelo em pé, sem entender a razão de algumas mudanças. O movimento veio na esteira de uma mexida que já seria feita no Itamaraty. O fato de Donald Trump ter perdido a eleição alterou a lógica de relação dos EUA não só com o Brasil, mas também com outros países.

Não se trata de rompimento, mas apenas de reposicionar o Brasil escalando interlocutores menos ligados, ideologicamente inclusive, à administração anterior. Portanto, algo totalmente dentro do script, mesmo considerando o barulho desproporcional que alguns fizeram pedindo a sua saída.

Seguiu-se a isso uma narrativa de que a mudança na Defesa, e a consequente troca dos Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, estava dentro de um projeto ufanista de poder do Presidente Bolsonaro. Segundo essa narrativa, o Comandante em Chefe das Forças Armadas quer que os militares o apoiem num suposto “autogolpe”. Mas, convenhamos, essa tese não se sustenta em pé!

Primeiro, como considerar que alguém que já está no cargo mais alto da República iria planejar um golpe contra si mesmo? Isso não faz sentido! Segundo, a mera troca do comando das Forças Armadas, por si só, não significa a preparação para um suposto golpe. Ora, Lula e Dilma também trocaram os ministros militares durante os seus mandatos, e nem por isso foram acusados de usar politicamente as Forças Armadas.

Bolsonaro promoveu mudanças: na Casa Civil da Presidência da República, no Ministério da Justiça e Segurança Pública e na Secretaria de Governo da Presidência da República. Aqui, é importante entender que a correlação de forças no Congresso Nacional também sofreu mudanças. A eleição de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco gerou uma fatura política que precisaria ser paga em algum momento.

Ao escalar a deputada Flávia Arruda (PL/DF) para a Secretaria de Governo, Bolsonaro fez um gesto à política, pois aglutina o Centrão ao seu lado, evitando o canto da sereia de Lula, que já vinha se insinuando nesse sentido. Por outro lado, a articulação política, antes nas mãos do General Ramos, pode acabar sendo mais fluida quando se tem alguém do próprio Legislativo operando os interesses do Planalto na Casa.

Por fim, a saída de André Mendonça do MJSP, e de José Levi, da AGU, também é uma sinalização de que o Presidente quer uma atuação mais efetiva dessas pastas, sobretudo, na reação jurídica a tantos abusos contra direitos fundamentais cometidos nessa pandemia. E a nomeação do Delegado Anderson Torres também é um bom indicativo de que essa linha de atuação poderá mudar.

Portanto, longe de parecer um recuo ou acovardamento por parte do Executivo, as mudanças feitas nessa reforma ministerial têm mais a ver com uma adaptação do Governo ao novo campo de guerra, cuja vitória virá através da política!

Tudo que os inimigos do Governo querem é que ele parta para soluções autoritárias e fora do jogo político. Aliás, quem criticava o Presidente por negligenciar a articulação política, deveria elogiá-lo agora por ele ter decidido fazê-la.

Vamos em frente!

 

 

Ismael Almeida, para Vida Destra, 31/03/2021.
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Luiz Antonio
6 meses atrás

Neste primoroso art. de @Ismael_DF s/a reforma ministerial,ressalto q a esquerda fica em pânico c/a troca dos comandantes, e pensa até q é,1 de abril. Agora André Mendonça volta ao status quo de AGU. Torcer p/Bolsonaro não indicar na vaga de M. Aurélio.