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Relatório ‘Crack – cocaína, corrupção e conspiração’: documentário da Netflix repleto de queixas e contradições

Fonte: Breitbart News

Titulo Original: ‘Crack Cocaine, Corruption & Conspiracy’ Review: Netflix Doc Is All Complaints and Contradictions

Link da matéria original: (https://www.breitbart.com/entertainment/2021/01/23/crack-cocaine-corruption-conspiracy-review-netflix-doc-is-all-complaints-and-contradictions/)

Por: John Nolte                                                                                                  (escritor, roteirista, diretor de cinema)

23 de janeiro de 2021

O documentário de Stanley Nelson, Crack: cocaína, corrupção e conspiração, lançado esta semana na Netflix, é uma versão sensacionalista. Essa coisa tem duração de apenas 89 minutos. Mal começa, acaba. E isso da mesma Netflix que já usou 1.200 minutos tentando libertar um assassino, em Wisconsin.

Prioridades, eu acho.

Essa trapalhada desonesta simula uma análise ampla e irrestrita de todos os temas relacionados à crise do crack, nos anos 1980 e 1990. Na verdade, não passa de um exercício vazio de ativismo identitário raso, e, como todo ativismo identitário, é um amontoado ridículo de queixas, contradições e mentiras.

  • Raça: OK.
  • Mulheres sendo mais maltratadas do que os homens: OK.
  • Justiça criminal: OK.
  • Reagan maligno: OK.
  • É tudo culpa da CIA: OK.
  • Fake News: OK.
  • Tédio!!!: OK.

De acordo com o documentário, todos foram responsáveis pela epidemia de crack, exceto, é claro, os verdadeiros traficantes de drogas (que foram entrevistados e mitificados como vítimas/capitalistas) e os usuários.

Depois de ver o que o FBI fez ao liderar um golpe contra o Presidente Trump, estou mais do que propenso a acreditar que a CIA olhou para o outro lado e permitiu que a cocaína inundasse o nosso país. Mas é nesse ponto que o documentário extremamente maçante nos golpeia com uma de suas maiores e mais vergonhosas contradições.

Veja isso…

Vezes sem conta, ouvimos que o número de brancos que usavam crack era maior do que o de negros. De fato, dizia-se que mais de 2/3 de todo o crack comercializado nos EUA era vendido para brancos… Mas, aí, nos disseram que o fato de a CIA permitir a cocaína no país era um complô racista contra os negros.

Como é???

Se, em comparação com a população negra, mais pessoas brancas usavam crack (e não vejo razão para não acreditar nisso), como foi que a CIA se envolveu em um complô racista? O complô racista era contra os brancos?

Percebe o que quero dizer? Esse lixo de documentário afirma as duas coisas…

  • Que mais pessoas brancas do que negras usavam crack!
  • O crack é racista!

Escolha uma narrativa, pessoal.

A contradição de que mais gosto é que a primeira metade do documentário ataca a polícia por não fazer o bastante para combater a epidemia de crack e a segunda metade reclama do policiamento. De novo, esse lixo de documentário afirma as duas coisas…

  • Onde diabos está a polícia!?
  • Por que todos esses policiais estão aqui!?

O documentário é ruim demais e nos diz algo como Você não podia comprar um charuto cubano no país, nos anos 1980, mas podia comprar cocaína.

E então mostra um clipe do filme Wall Street, de 1987, em que o ator do filme… fuma… charutos… cubanos.

Meu Deus! Nos anos 1980, charutos cubanos estavam em toda parte.

Hei! Não há dúvida de que a América fez muita coisa errada durante a epidemia de crack.

Com base em um pequeno estudo, nossa fake mídia espalhou toneladas de mentiras sobre os “bebês do crack” (bobagens como esta aqui https://web.archive.org/web/20201111234232/https:/www.nytimes.com/1990/05/25/us/children-crack-are-schools-ready-special-report-crack-babies-turn-5-schools.html). Sem dúvida, focamos demais em prender e pouco em recuperar. E quando um dos entrevistados, um ex-viciado em crack que cumpriu pena de prisão, afirma que, quando o usuário de crack é negro, todo mundo alardeia a prisão, e quando é um branco que faz uso abusivo de opiáceos, todo mundo alardeia a recuperação, isso é fato.

O documentário é tão ruim que o ex-deputado Charlie Rangel (Democratas, Nova York) se torna a voz da razão. Ao ser confrontado com suas próprias demandas e votos favoráveis à ação policial rigorosa e condenação de traficantes e usuários de crack, e com a disparidade das sentenças entre crack e cocaína, ele se explica dessa maneira…

À época, acreditávamos que o crack era usado mais abertamente na comunidade negra e que a cocaína era uma droga secreta usada por pessoas de classe média que não prejudicavam ninguém. Elas não estavam assaltando. Elas não estavam matando. Elas não estavam roubando. A ideia geral era concentrar a ação onde estava o dano maior para a sociedade.

Esse era exatamente o pensamento da época (em meados dos anos 1980, minha esposa e eu vivíamos em uma cidade do interior de Milwaukee e podemos atestar isso). A repressão ao crack nada tinha a ver com raça e tudo a ver com pessoas desesperadas nas comunidades negras, exigindo que algo fosse feito após anos de roubos e assaltos, após anos sentindo-se prisioneiras em suas próprias casas.

Então, sim, pessoas brancas, em Connecticut, talvez tenham comprado e traficado e fumado muito mais crack do que pessoas negras, mas foi a comunidade negra que sofreu a maior devastação.

Em retrospecto, Rangel descreve o que aconteceu como “exagero”, e ele não está errado, mas aquele foi o único momento de clareza moral de todo o período. O único momento em que senti que via acontecer, em vez de OUVIR FALAR.

E, desculpe, mas apesar do que esse documentário tenta emplacar, traficantes e usuários têm, sim, uma tremenda responsabilidade pelo que aconteceu. Ninguém forçou ninguém a usar drogas, nem a traficá-las. Não nos esqueçamos (e teria sido razoável que o documentário se lembrasse disso) que uma porcentagem AVASSALADORA de pessoas negras não usava ou traficava crack.

Hei! a CIA poderia bater na minha porta, hoje, e me entregar um pacote de crack, mas isso não significa que eu usaria ou venderia para os meus vizinhos. A maioria de nós não faria isso.

O documentário também mente sobre pequenas coisas. Ronald Reagan levou a culpa pela recessão que herdou da era Carter, mas a recuperação milagrosa da economia que implementou por 20 anos, essa foi ignorada.

FATOS: entre 1980 e 1989, a renda familiar aumentou em 10%. O desemprego despencou de 10,8% para 5,4%. A inflação (o tributo mais cruel para os pobres) desabou de 11,8% para apenas 4,7%. A arrecadação tributária federal praticamente dobrou.

Então, sim, talvez o mesmo governo federal corrupto, que tentou dar um golpe em Trump, tenha permitido a entrada de cocaína no país. Mas essa é uma história que merece bem mais do que 89 minutos repletos de mentiras e fake News.

 

 

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Telma Regina Matheus
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Nunes
Admin
14 dias atrás

Sensacional!

Renata Araujo
13 dias atrás

O interessante é que já conseguimos enxergar essas manipulações! Evoluímos! Parabéns pelo texto!