Hoje, 9 de julho, é feriado aqui no estado de São Paulo. É o Dia da Revolução Constitucionalista de 1932. É uma data importante para nós, paulistas, pois foi nessa data que iniciamos um movimento que visava cobrar do ditador Getúlio Vargas a confecção de uma nova constituição para o país.

No ano passado, escrevi um artigo com referência a esta data, e volto a escrever hoje, pois creio que os valores defendidos pelos paulistas naquele longínquo 1932, foram perdidos ao longo dos anos. E não apenas os valores, mas o próprio brio dos paulistas, assim como o do povo brasileiro em geral, se perdeu. Hoje vemos o que restou dos nossos valores ser vilipendiado diariamente, somos humilhados e ultrajados, temos os nossos direitos solapados, vemos a ilegalidade e a imoralidade ganhando cada vez mais espaço, sem que a nossa sociedade reaja à altura.

Durante o Estado Novo, a ditadura de Vargas, os paulistas pegaram em armas para exigir que o então ditador se comprometesse com a confecção de uma nova constituição para o país, ou seja, o povo paulista queria que o país vivesse debaixo de um arcabouço legal que desse às pessoas a mínima segurança jurídica, garantindo seus direitos básicos, suas propriedades, e que a Justiça fosse feita quando necessário.

Naquela ocasião não foram apenas os militares que pegaram em armas, mas toda a população paulista se mobilizou, de várias formas. Houve campanhas onde as mulheres contribuíam doando joias de ouro para arrecadar fundos para a organização do movimento. E estudantes foram participantes ativos, tanto que a sigla MMDC, conhecida por ser associada ao movimento, é formada pelas letras iniciais dos nomes de quatro estudantes que morreram no conflito: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo.

Por que aqueles paulistas tinham um brio e um senso de dever que não vemos mais hoje? Creio que uma das respostas é que muitas pessoas, em 1932, ainda tinham frescas na memória as virtudes da monarquia, derrubada apenas 43 anos antes. Essa memória, somada à sucessão de desastres políticos e econômicos ocorridos na República Velha, deve ter contribuído para que os paulistas se revoltassem contra mais um golpe e mais um ditador.

Sim, mais um ditador porque a república, que iniciou a partir de um golpe militar em 1889, já iniciou como uma ditadura, com o primeiro presidente, marechal Deodoro da Fonseca, decretando o fim da liberdade de imprensa e a perseguição a simpatizantes e defensores do antigo regime. O segundo presidente, o marechal Floriano Peixoto, acabou conhecido como o marechal de ferro, devido à forma ditatorial e enérgica com a qual governou. Mesmo durante os governos civis, o que se viu foi a elite tomando conta do poder, e usufruindo da estrutura de Estado para vantagens pessoais, bem diferente da ética pública que vigorava durante o império.

Por tudo isso, creio que o povo paulista não quis continuar se submetendo às vontades do ditador do momento, e resolveu colocar um fim ao caos político que vigorava na nação.

Hoje vivemos momentos semelhantes. A única diferença é que hoje não temos um ditador ocupando a presidência da república. Porém, a elite continua a controlar o Estado e a usufruir dos bens e dos recursos públicos em proveito próprio. Os políticos não veem a política como um serviço público, a ser exercido por aqueles que querem servir à sociedade. As cortes de Justiça não aplicam as leis, os juízes julgam de acordo com seus próprios conceitos pessoais e a justiça já não é garantida ao cidadão. Por mais que se tente trabalhar para o progresso do país, há sempre uma força contrária impedindo que o cidadão de bem possa viver com dignidade.

Apesar de tudo o que temos testemunhado, nos tem faltado o mesmo brio dos paulistas de 1932, para lutar por aquilo no que acreditamos. E coragem para enfrentar todos os obstáculos, e até mesmo a morte, para defender os nossos valores. O povo paulista pegou em armas para garantir um Estado justo, sob o império da lei. Hoje creio que não teremos essa mesma coragem. Até porque, a doutrinação esquerdista a que estamos sendo submetidos há décadas. contribuiu para destruir nosso senso de dever e enterrar o nosso brio.

O brasileiro contemporâneo se acostumou à luta verbal, e mais recentemente, à luta virtual. As pessoas tratam dos problemas do país como se fossem algo distante da realidade delas, como se os problemas do país não as afetassem. Se já é difícil que o povo vá às ruas para lutar por pautas como o voto impresso auditável, não podemos imaginar que esse mesmo povo teria coragem para pegar em armas para lutar por seus direitos e pelo futuro do país. Aliás, já pisaram nos nossos direitos e na nossa Constituição, e a reação foi aquém da necessária diante da gravidade das violações que sofremos.

Só espero, mais uma vez, que a lembrança dos fatos de 1932 nos sirva de inspiração para que possamos fazer o que for necessário para garantir que o nosso país não afunde de vez. Nós nos lembramos com orgulho dos bravos paulistas de 1932. Como será que as futuras gerações se lembrarão de nós?

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 09/07/2021.
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Welton Reis
3 meses atrás

A maldade do socialismo desde Vargas foi macular a moral coletiva, daí a ausência do povo em decisões importantes para a nação. Vivemos em um estado torporizado pela corrupção! Excelente artigo para remomerizar a nossa história, parabéns!