Em 2001, eu morava no Japão, e no início de setembro daquele ano eu tinha cancelado uma viagem programada ao Brasil, devido ao aumento do volume do meu trabalho. A viagem deveria ocorrer por volta de 10 de setembro. E como naquela época eram poucas as opções de rotas de voo para o Brasil, eu viria pela rota com escala nos Estados Unidos. Nas viagens anteriores, peguei o voo com escala em Los Angeles, mas naquela oportunidade tinha optado pelo voo Tóquio – Nova Iorque – São Paulo. Mal sabia eu, que apenas alguns dias depois ocorreria um evento traumático e que marcaria para sempre a vida de muita gente, e que a minha decisão de cancelar a viagem tinha sido acertada!

No dia 11 de setembro de 2001, eu estava trabalhando no turno da noite, e foi num dos intervalos de descanso, que eu vi o noticiário sobre o que estava acontecendo em Nova Iorque. Era manhã nos Estados Unidos e por conta do fuso horário, já era noite no Japão. Havia um debate entre os que assistiam ao telejornal, se a colisão daquele avião contra uma das torres do World Trade Center tinha sido acidental ou intencional. Foi quando testemunhamos a TV mostrando ao vivo um segundo avião colidindo com a segunda torre, o que imediatamente descartou, para nós, a possibilidade de algo acidental.

Estávamos todos perplexos, em silêncio, com os olhos fixos na TV. Foi difícil retomar o trabalho após ver aquelas cenas chocantes. Eu nunca tinha visto nada parecido. O choque foi substituído pela preocupação com as consequências, principalmente econômicas, que viriam a seguir.  Com as notícias vindas do Pentágono, e com o colapso e desabamento das duas torres, as preocupações apenas aumentavam.

A economia japonesa é fortemente integrada à economia americana. Costumávamos brincar dizendo que quando os Estados Unidos espirram, o Japão pega uma pneumonia! Eu me preocupava com as consequências econômicas, pois como ex-bancário, sabia que as duas torres do World Trade Center que acabavam de ser destruídas, abrigavam muitas empresas do mercado financeiro e também mesas de operações que atuavam nos mercados de capitais e de câmbio. O impacto no mercado financeiro seria imediato, e as consequências, difíceis de dimensionar. Mas de uma coisa eu tinha certeza, seriam extremamente sérias.

De fato, alguns dias depois nós já sentíamos na pele estas consequências, com os cancelamentos de vários pedidos, e o nosso trabalho caindo para menos da metade do volume normal. O iene valorizou, exportações foram afetadas, e a economia japonesa que lutava para sair de um longo processo deflacionário, se viu mais uma vez em maus lençóis.

Mas as consequências do maior atentado terrorista da história não se limitaram às econômicas, mas também houve consequências políticas que levaram a decisões que afetariam a geopolítica global. Acabamos de ver os Estados Unidos se retirando do Afeganistão, após duas décadas de uma ocupação iniciada como resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001.

Há vinte anos, os Estados Unidos eram a grande superpotência ferida, e hoje, duas décadas depois, parecem mais feridos e vulneráveis que antes. São liderados por um presidente visivelmente inapto para conduzir um pais como os Estados Unidos. A América lembrará os mortos nos atentados de 11/9, e ao mesmo tempo, verá que todas as mortes ocorridas desde então, em guerras como a do Afeganistão, foram em vão. Mesmo com declarações como a de Joe Biden, que tentou justificar a saída americana do Afeganistão dizendo que o objetivo era apenas a captura de Osama Bin Laden, o terrorista líder da Al Qaeda, a organização responsável pelo planejamento e execução dos ataques terroristas contra alvos nos Estados Unidos. Mesmo com Bin Laden tendo sido encontrado e morto em 2011, no Paquistão. Se o objetivo real era tão somente encontrar Bin Laden, o que justificou mais uma década de guerra, que foi agora encerrada de maneira caótica?

Estes atentados às torres do World Trade Center e ao Pentágono foram os eventos que marcaram o início do século XXI, e causaram mudanças que são sentidas até hoje. Desde o uso dos serviços de informática em nuvem, para impedir que se percam dados e se paralisem mercados por causa de danos físicos às empresas atuantes no mercado financeiro, até mudanças nas regras de segurança de voos, para impedir que outros aviões fossem novamente usados como armas contra civis. Foram muitas as medidas tomadas como resultado destes atentados.

Nestas duas décadas, vimos a China consolidar a sua posição como segunda maior economia mundial, desbancando o Japão, que ocupou esta posição por décadas. E também vimos a China mostrar a força da sua influência ao redor do mundo, e a demonstração de seu poderio militar. A Rússia não ficou para trás, e sua atuação também tem causado alterações nas forças da geopolítica global. Como exemplos, há a anexação da Crimeia pelos russos, e o recente acordo que praticamente anexará a Bielo-Rússia à Rússia.

O balanço destas duas décadas pós 11 de setembro de 2001 é extenso, e demandaria muitas linhas para ser registrado. Mas com certeza todos nós temos histórias desse dia fatídico para contar, e sentimos as consequências destes atos terroristas. Ninguém passou incólume!

Como sempre escrevo, precisamos manter vivas as lembranças de eventos históricos desta importância e refletir acerca das lições que podemos tirar deles.

Caro leitor, como os atentados de 11 de setembro de 2001 afetaram a sua vida?

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 10/09/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Luiz Antonio Santa Ritta
6 dias atrás

Neste excelente artigo em que @Srsjoejp revisita o atentado às torres gêmeas do Word Trade Center, só posso dizer que meu filho não gosta mais de comemorar o seu aniversário como antes, tendo o seu níver no dia 11.