Quem é de direita provavelmente já foi alvo da expressão “pobre de direita”, utilizada em tom pejorativo para se referir àqueles que são de direita e, como a maioria do povo brasileiro, são pobres – como se houvesse algo relacionado entre condição econômica e posição política. A expressão, de cunho preconceituosa, tem o objetivo de ridicularizar uma parcela da sociedade que discorda de políticos corruptos roubando o nosso dinheiro porque a outra parcela acha que sua visão de mundo, que se limita a um mero recorte da realidade, está certa. Vamos entender nesse artigo se ser pobre e de direita faz sentido, ou se a esquerda está certa de fato, algo que dificilmente ocorre.

Na ciência política, os termos mudam seu significado ao longo dos anos. Direita e esquerda, por exemplo, foram criados durante a Revolução Francesa pelo fato de que, na Assembleia, aqueles que eram contra as ideias do Rei se sentavam à esquerda e os que eram a favor, à direita, o que posteriormente, com o marxismo, acabou criando a dicotomia de que “quem é de direita são os ricos que defendem seus interesses e quem é de esquerda são os pobres que defendem os seus”. No entanto, se formos levar esse raciocínio a sério, o PSOL, partido socialista que arroga para si o monopólio de defesa dos pobres e oprimidos, é um partido de direita, visto que alguns de seus membros são ricos, como o ex-candidato Ivan Valente, que declarou, em 2018, patrimônio de 1,4 milhão de reais. No mesmo sentido, o PSL, que representou a direita em 2018, seria um partido de esquerda, visto que alguns de seus candidatos, como Carla Zambelli, declararam patrimônio de apenas 35 mil reais.

O fato de candidatos de direita em 2018 declararem serem pobres e candidatos de esquerda declararem serem ricos mostra que as antigas definições de direita e esquerda – que um defende os pobres e os outros os ricos – não faz mais o menor sentido, embora esse discurso seja utilizado hoje para adestrar as massas, principalmente de esquerda. Mas, se não fazem sentido, qual seria, hoje, a definição desses dois lados?

Hoje podemos classificar a dicotomia antigamente definida como direita e esquerda como conservadores e revolucionários, sendo esses termos utilizados no sentido mais amplo possível. Assim, nos ensina Olavo de Carvalho que “a mentalidade revolucionária é o estado de espírito permanente ou transitório no qual o indivíduo ou grupo se crê habilitado a remodelar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao ‘tribunal da história'”.

Perceba que essa definição se encaixa perfeitamente em tudo o que os ditos esquerdistas – das esquerdas antiga e da nova – defendem, tanto que é ele que fornece o fundamento sócio psicológico para justificar os genocídios que ocorreram nos governos de esquerda, principalmente nos episódios Grande Fome e Revolução Cultural, do ditador Mao Tsé-Tung, na China, no Holodomor, na URSS de Stalin, no Genocídio Cambojano, no Camboja de Pol-Pot, etc. O fato é que todas essas pessoas, de Stalin ao militante socialista moderno, acreditam que tais assassinatos foram justificáveis porque, devido a eles, um mundo melhor supostamente surgiria – a saber, com o advento de sua ideologia vermelha, o socialismo. Assim, o revolucionário peca apenas por não ser revolucionário o suficiente, a saber, apenas por não ter matado cada vez mais e para tal, é necessária cada vez mais concentração de poder nos meios possíveis de realizar tais ações de forma mais ou menos legítima, isto é, cada vez mais concentração de poder no Estado, bem como o seu aparelhamento.

Em contrapartida, o conservadorismo parte primeiramente do ceticismo, isto é, o conservador é alguém, sobretudo, humilde, que reconhece a possibilidade de não poder mudar completamente o mundo, ou, nas palavras de Olavo de Carvalho, “a essência da mentalidade contrarrevolucionária é a aversão a qualquer projeto de transformação abrangente, a recusa obstinada a intervir na sociedade como um todo, o respeito quase religioso por processos sociais regionais e a negação de toda autoridade aos profetas do futuro hipotético”. Por este motivo, os conservadores vão dar muito valor à religião e às instituições políticas que veem funcionando de fato, pois elas são institutos que, desde a fundação da sociedade, dão respaldo e garantia de funcionamento de uma ordem social, a qual é aprimorada através de um processo que flui conforme os avanços civilizatórios. Por isso também que conservadores vão se opor veementemente ao socialismo: reiteradas experiências provaram que esse sistema econômico entrega o oposto daquilo que prometia, basta ver o que aconteceu com o lado oriental de Berlim, o que acontece na Coreia do Norte e o que acontece em Cuba, país no qual as pessoas sempre arriscam as vidas para fugir para a Flórida, ao passo que não existem americanos que desejem morar na ilha socialista.

Agora que sabemos as definições, podemos responder à pergunta: faz sentido ser pobre e de direita, ou, melhor dizendo, conservador, já que os ditos revolucionários de esquerda dizem lutar por nossos direitos? Vamos entender como a riqueza é criada na sociedade e como as pessoas se tornam ricas: o único meio de se criar riqueza é se apropriando de recursos escassos que a natureza nos fornece e aplicar neles técnicas de trabalho a fim de transformá-los em produtos úteis. É assim, e somente assim, que são criados nossos celulares, mesas, casas, livros, etc. Veja, portanto, que para a criação desses produtos é necessária, sobretudo, a propriedade privada, algo que os ditos revolucionários e esquerdistas são contra, ao passo que os conservadores são completamente a favor, visto que a propriedade privada é uma instituição que se mostrou necessária para o avanço civilizacional. Logo, se pobres não tiverem acesso à propriedade privada, algo que a esquerda é contra, pois defende o socialismo, dificilmente eles terão acesso aos bens e serviços escassos, o que evidencia uma contradição no pensamento esquerdista, visto que, para defender os pobres, é necessário defender a propriedade privada.

No entanto, este não é o único aspecto econômico no qual a esquerda peca ao se arrogar como o arauto dos pobres: existe, na economia, algo chamado “função epistemológica do mercado”, que basicamente significa que, para comprarmos algo, alguém tem que oferecê-lo antes, isto é, oferta e demanda, que são construídas através de uma rede de interações entre empresas e consumidores. Quanto mais esse processo for aprimorado e livre, isto é, quanto mais fácil for a interação de um comprador com o produtor, mais esse processo tende a ser aprimorado e mais acesso a bens e serviços as pessoas tendem a ter – principalmente os mais pobres.

Porém, se há, no processo de compra e venda ou oferta e demanda, a cobrança de impostos, que encarecem o produto, e a imposição de regulações, que restringem a produção, o processo de oferta diminui e as pessoas passarão, necessariamente, a consumir menos, seja por falta de produtos, seja pelo aumento de preços. Acontece, no entanto, que a esquerda defende esses dois pontos: o aumento de impostos e a imposição de regulações desnecessárias. A justificativa para o aumento de impostos é que, uma vez que se “taxem os ricos”, o Estado terá mais dinheiro para redistribuir para os pobres, o que é uma falácia, porque o Estado não detém todo o conhecimento acerca de oferta e demanda na sociedade de modo a realizar uma distribuição de renda perfeita. O mercado também não detém tal conhecimento, mas, uma vez que ele seja cada vez mais livre, cada vez mais pessoas, pobres e ricos, terão acesso a empregos, o que permite a elas aumentarem suas rendas e consumirem cada vez mais.

Foi assim que os EUA se tornaram a maior potência do mundo e, se a intervenção do Estado, com altos tributos e regulações, fosse realmente boa, a União Soviética teria vencido a Guerra Fria e seríamos, hoje, todos socialistas, algo que nem de longe aconteceu. Além disso, a ideia de “taxar os ricos” tem outro problema: ela é entendida como um desincentivo para a produção, o que faz muitos endinheirados levar seu capital para outros países, que cobrem menos impostos, para investir em negócios que darão mais retorno financeiro a eles, ao invés de desperdiçar com impostos.

Foi o que aconteceu quando França, Argentina e Itália tentaram implementá-lo e também foi o que fez Reino Unido, Austrália e Canadá desistirem de implementá-lo depois de estudarem esse imposto com intermináveis relatórios. Além disso, esse imposto é anti-desenvolvimentista, visto que o patrimônio nada mais é que renda acumulada que já foi tributada ao longo do processo acumulativo, o que faz o agente econômico produzir renda no país, mas acumulá-la no exterior, o que acaba empobrecendo ainda mais um país, visto que as fortunas influenciam diretamente no processo de formação da poupança, que por sua vez influencia a política macroeconômica no geral. Assim, o imposto sobre grandes fortunas, se fosse implementado no Brasil, seria, como dizia Roberto Campos, um excelente meio para enriquecer a Flórida, paraíso de muitos brasileiros endinheirados.

Mas a ótica econômica não é a única que prova que ser pobre e de direita faz todo o sentido, a história não nos deixa mentir. Os países com governos de esquerda, principalmente os socialistas revolucionários, foram os que mais mataram pobres em sua história, além de homossexuais, outro grupo que a esquerda se arroga o monopólio da virtude, mas que foram muito oprimidos (e ainda são) em países onde essa ideologia governa, a exemplo de Cuba e Coreia do Norte, países que a mesma esquerda, que diz defender os pobres e homossexuais, defende hoje com unhas e dentes.

Além de todos esses pontos, essa dicotomia “pobre de direita” é fruto da mentalidade marxista que existe no Brasil, um dos países mais marxistas do mundo, segundo Nelson Rodrigues. Nos Estados Unidos, por exemplo, os pobres tendem a votar no partido Republicano, mais à direita, ao passo que os ricos tendem a votar no partido Democrata, de esquerda. Basta olhar para qual candidato foram, ano passado, as doações do Vale do Silício, o polo tecnológico dos EUA que abriga bilionários com pensamento extremo de esquerda, como Mark Zuckerberg, que já falou que “bilionários não deveriam existir”, mas, óbvio, não doou sua fortuna para os pobres, o que revela também que a esquerda é por si só um antro de hipocrisia, e até uma doença mental segundo alguns autores, como Lyle H. Rossiter, psiquiatra norte americano que escreveu o livro A Mente Esquerdista – As Causas Psicológicas da Loucura Política. A tese do Dr. Rossiter é que, pessoas normais tendem a querer viver suas vidas em paz, trabalhar e progredir através dos anos, e uma pessoa de esquerda, por outro lado, se julga incapaz de tais feitos e, por isso, quer viver sustentada pelo Estado.

Assim, vimos apenas alguns aspectos que provam que faz muito mais sentido ser pobre e de direita, do que ser pobre e de esquerda, ou até não seguir ideologia nenhuma, algo que a maioria das pessoas fazem hoje em dia, visto que a política é complexa demais para qualquer um entender. E essas pessoas que ignoram a política estão certas porque, diferente das de esquerda, elas reconhecem que não são capazes de compreender toda a complexidade que há por trás dos processos que envolvem economia, sociedade, eleição e outros pontos que a política cuida, mas, uma coisa é fato: se não faz sentido ser pobre de direita porque a esquerda governa para os pobres, então os tais pobres nunca deixarão de sê-los, uma vez que, se deixassem, parariam de votar nos políticos de esquerda e não concorreriam a cargos pelo PSOL.

 

 

Vinicius Mariano, para Vida Destra, 12/07/2021.
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