“Le Brésil n’est pas un pays serieux.” ou “O Brasil não é um país sério.” Não importa se tal frase foi dita por Charles de Gaulle, presidente da França, ou Carlos Alves de Souza, embaixador do Brasil naquele país no início dos anos 1960; o que importa é que tal afirmação sempre retratou o país muito bem. Não se trata de complexo de vira-latas, como dito pelo magistral Nelson Rodrigues, mas de constatação e crítica construtiva.

Veja só que paradoxo: elegemos um congresso e um presidente através do voto, mas somos governados por aqueles a quem não elegemos. Por que isso acontece? Ora, porque o ativismo judicial não foi criminalizado. E como se poderia fazer isso? Bom, já existe o PL 4754/2016, de autoria conjunta de vários deputados da Frente Parlamentar Evangélica. E o que isso mudaria? Impediria, por exemplo, que os ministros do STF usurpassem a competência do Congresso e votassem a criminalização da homofobia, só para citar um caso. Impediria também, que o STF retirasse a autoridade do presidente, passando-a aos governadores e prefeitos, no caso da “pandemia” do vírus chinês, fazendo com que ele nada possa fazer contra os arroubos tirânicos e ditatoriais desses políticos que estão impedindo você de trabalhar e destruindo a economia do país.

A PEC da bengala também nos protegeria de termos um judiciário ditatorial e subserviente aos seus “patrões”, à revelia do que quer e pede o povo. Um STF que não conhece limites e que afronta a todos sem distinção, interpretando a constituição ao seu bel prazer, pelo simples fato de não poder ser detido por ninguém além daqueles a quem ele tem nas mãos (os senadores).

Uma outra mudança que se faz totalmente necessária é a eleitoral, e ela já esteve muito perto, entretanto foi totalmente esvaziada, perdendo assim, seu foco principal e o antidoto que poderia ser para barrar os espertinhos e mal intencionados. Alguns exemplos: o voto distrital, o fim do quociente eleitoral e as candidaturas avulsas (essas enfraqueceriam os partidos políticos, verdadeiras organizações criminosas). Em que isso impactaria a sua, a minha vida? Vejamos: você vota em um candidato que você gosta e que acha que vai fazer um bom trabalho e ele obtém 500.000 votos, no entanto, essa pessoa não se elege por causa do quociente eleitoral enquanto um outro que recebeu apenas 70.000 (Botafogo?) ou menos vai conseguir se eleger. O candidato de 500.000 votos, que você confiava, não entra, enquanto o corrupto de 70.000 estará lá. A coisa é feita para não funcionar para o povo, e sim, para os de sempre.

Em outras palavras, amigos (as): não vejo mudança perene, a menos que muitos ajustes sejam feitos nas engrenagens do sistema Brasil. O personagem do Wagner Moura (Capitão Nascimento) já usava um palavrão para se referir ao conjunto de forças que mantém o nosso país atrasado para a população enquanto dá boa vida para todos que fazem parte do esquema. Não há como vivermos numa terra justa e soberana, enquanto não desmontarmos essa máquina de retrocesso.

Demos o primeiro passo, mas esse apenas não será capaz de acabar com o vício e instaurar a virtude que tanto sonhamos: uma pátria livre da subserviência, da corrupção, do clube de benesses que sempre beneficia as elites (quando uso essa palavra, a uso de uma forma muito mais abrangente do que a esquerda faz, pois incluo a própria) enquanto o povo trabalha para manter esse velho sistema abastecido em seu voraz apetite por poder e dinheiro.

Só temos o executivo e alguns deputados. Isso é muito pouco para lutar contra esse gigante muito forte e que está fazendo de tudo para não ser domado, derrotado, derrubado. A liga da corrupção e do crime está toda focada em destituir o presidente ou, no mínimo, fazer com que ele não governe, e tem se dado bem.

O Brasil não é um país comum. A nossa gente não é adepta do estudo, leitura e, muito menos, da luta pelo que realmente importa, apenas uma minoria está disposta a isso. Antigamente eu reclamava de o povo ser patriota apenas para usar a camisa da seleção na época da copa do mundo, mas nem isso o vejo fazer mais. Há pessoas amedrontadas, entregando seus direitos mais básicos nas mãos de tiranos por uma suposta segurança que eles nunca deram e nunca darão.

Acordem! Sem que se mexa na estrutura dessa engrenagem não haverá mudança real. Ademais, o sistema que nos escraviza enquanto sangra nossos cofres e divisas, tem seus tentáculos em todas as áreas da sociedade; basta ver como se comportam certas instituições que deveriam zelar pelo Brasil e pelos brasileiros. Basta olhar para a imprensa militante, sem-vergonha e inconsequente que, muito senhora de si e certa de que nada lhe acontecerá, tem atacado o executivo de todas as formas possíveis. Claro, que nesse caso, eu também culpo o executivo por não tomar as providências cabíveis.

Pense comigo. Tirando a reforma da previdência, qual a mudança estrutural Bolsonaro realmente conseguiu implementar no país? Viu? Nada mudará sem que a estrutura seja mudada. É isso que devemos lutar, é isso que devemos pedir, exigir… Ou o povo toma o seu lugar na batalha, exigindo que aqueles a quem ele elegeu façam as mudanças necessárias, ou em breve estará tudo como antes. As bases que servem de apoio para a ideologia do atraso que infectou nosso Brasil por tantos anos estão todas mantidas, só aguardando a volta do câncer que tinha tomado todo o nosso tecido social e órgãos públicos.

Agora você pode estar se perguntando de quais transformações necessitamos. Bom, na atual situação, muito pouco ou quase nada do Brasil pode ser aproveitado. Precisamos das mudanças já citadas nos parágrafos anteriores e também de uma nova constituição que seja realmente criada para impedir que um novo sistema corrupto se apodere do país e que a vontade da maioria seja sempre respeitada. Precisamos também aprender a votar e a impedir que maus elementos galguem o poder. Uma mudança muito útil, seria, por exemplo, um “Recall” através do qual políticos corruptos ou incompetentes pudessem ser retirados do poder pelo próprio povo. Imaginem se já tivéssemos esse dispositivo em nossas mãos nesse ano de 2020? Fica a dica!

Obrigado pela leitura! Eu fico por aqui! Até breve!

Dica de livro: Podres de Mimados, Theodore Dalrymple

 

João Alves, para Vida Destra, 21/05/2020
Sigam-me no Twitter! Vamos conversar! @Joao71Alves

João Alves
Acompanhe me
Últimos posts por João Alves (exibir todos)
Subscribe
Notify of
guest
7 Comentários
mais antigos
mais novos mais votados
Inline Feedbacks
View all comments
Rogério Antonio Gonçalves
16 dias atrás

Perfeito. Nenhuma palavra a menos eu diria sobre sermos um país de mentirinha. Parabéns pelo artigo.

Welton Reis
16 dias atrás

Excelente! Eu acrescentaria duas leis, a lei da mentira, hoje somente diante do juiz o mentiroso é punido; a lei que torna como crime hediondo sem progressão a corrupção.

Gogol
16 dias atrás

Muito bom, amigo! Vou colocar uma observação sobre nossa situação aqui. Eu gosto muito do professor Olavo, mas, quando ele diz que nós tínhamos que ter construído uma base de direita conservadora antes de eleger um presidente, eu contesto um aspecto somente: não podíamos deixar o Haddad ganhar, não podíamos deixar voltar a esquerda petista na Presidência da República. Não tínhamos para onde correr, era o que estava ao nosso alcance naquele momento. Porém, tudo o que o professor diz sobre o restante dessa situação é bem verdadeiro e justo: nós jogamos nosso único homem aos leões. Mas realmente não… Read more »

Ivete
Ivete
16 dias atrás

A leitura também foi o mais do mesmo.

WALTER DOS SANTOS MAGALHAES JUNIOR
WALTER DOS SANTOS MAGALHAES JUNIOR
13 dias atrás

Sempre falamos em leis, nos esquecendo de que, quem faz as leis no Brasil são aqueles que mais pagariam sob o jugo da obra que aprovariam. Inútil esperar ou clamar por algo vindo deste lado do sistema. Se há dúvidas sobre isso, lembrem-se que algo como a “prisão após segunda instância” não passa, exatamente para não pegá-los. Temos é que nos convencer que o problema está é no sistema político adotado. O sistema republicano deixa o poder na mão de homens que sofrem do sentimento de inferioridade. Não há solução dentro de um sistema que dá poderes a homens mal… Read more »

Lia Souza
Lia Souza
13 dias atrás

Sou apenas uma idosa sem conhecimento de estratégias militares, creio que juristas íntegros deveriam se unir ao governo e traçarem formas de atingir os inimigos de dentro e fora do País. Do jeito que está morreremos na praia.😪

Nunes
Admin
6 dias atrás

Excelente artigo meu amigo.