Em 1821, após um exitoso governo no Brasil, D. João retornou para Portugal na marra. Era isso ou perderia seu trono. Antes de voltar, aconselhou a seu filho, D. Pedro, que impedisse qualquer aventureiro de se apossar do Brasil. O rei português regressou muito triste e abatido às terras lusitanas, com muitas saudades de nossa terra. Nunca mais seria o mesmo homem. Nunca mais sentiria o calor do povo brasileiro, de sua alegria, de suas festas. D. João estava acostumado com o carinho, com o entusiasmo, com a paixão dos brasileiros em relação à sua pessoa. Quando ele saia às ruas, o povo acorria eufórico a saudá-lo.

Pedro sabia de tudo isso. Se retrocedesse, seria uma nação inteira a retroceder. Se voltasse para Portugal, voltaria frustrado e triste como seu pai. Sabia que, se ficasse, iria preservar  o legado de D. João e pavimentaria o caminho do Brasil como país livre. Por outro lado, sabia que haveria um grande custo nesse “chega pra lá” contra os portugueses. Sabia que Portugal declararia guerra ao Brasil. Os lusitanos não iriam abrir mão de sua mais rica e importante província de graça, sem luta. Ponderando prós e contras, vantagens e desvantagens, fatores positivos e negativos, Pedro tinha que tomar uma decisão. Lia e relia mentalmente as cartas das cortes portuguesas. Fazia o mesmo com as cartas de D. Leopoldina e de José Bonifácio. Finalmente, depois de muitas ponderações, como num estalo, D. Pedro começou a falar às suas tropas:

-Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. A partir de hoje as nossas relações estão quebradas. Nenhum vínculo nos unirá mais.

Continuou, arrancando as fitas azuis e brancas que simbolizavam Portugal, e ordenando aos seus comandados:

-Tirem suas braçadeiras, soldados. Viva à independência, à liberdade e à separação do Brasil.

Feito isto, prosseguiu:

-Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, eu juro dar ao Brasil a liberdade!

A seguir, veio o clímax. D. Pedro soltou o grito que estava entalado na sua garganta e na de milhares de brasileiros há tempos:

-Independência ou morte!

Domingo, 15 de março de 2020, vai ficar marcado na história como um novo Grito do Ipiranga. Neste dia, os gritos de inúmeros Ipirangas, simbolicamente, de forma arquetípica, se multiplicaram, aos borbotões, por este país continental. O povo brasileiro, deixando de lado o modo “deitado eternamente em berço esplêndido”; acionou o modo “verás que um filho teu não foge à luta”, vestiu-se de verde amarelo, empunhou suas bandeiras e foi em massa às ruas: crianças, jovens, adultos, idosos, de todas as etnias e estratos socioeconômicos.

No passado, os brasileiros sofreram intimidação das Cortes Portuguesas, que queriam tirar lhes a liberdade, às vésperas do 7 de setembro de 1822. Às vésperas do dia 15 de março de 2020, o povo brasileiro sofreu intimidação de outros tipos de “Cortes”. Desta vez, não foram os portugueses os responsáveis, mas maus brasileiros que querem, a todo custo, impedir o povo de se manifestar e de ter assegurado os direitos de exercício de suas liberdades constitucionais. Estas novas “Cortes” querem escravizar o povo brasileiro, assim como as Cortes portuguesas queriam fazer no passado.

Desta vez, o povo sofreu intimidação de uma velha imprensa militante, que não aceita a soberania popular. Uma imprensa que quer tutelar os brasileiros, como se estes fossem uns retardados e incapazes em tomar suas próprias decisões. Uma imprensa que não tolera o fato do povo tomar em suas mãos a responsabilidade por seus destinos. Uma imprensa que não aceita e não respeita o resultado das urnas de 2018, quando o povo resolveu sacudir seu jugo secular e eleger para Presidente da República Jair Messias Bolsonaro. Um outsider, sobre o qual a imprensa fazia chacotas de que nunca seria eleito Presidente da República. Um homem popular, com o qual o povo se identifica. Um homem que sobreviveu, por um grande milagre, a uma facada quase mortal. Um homem do povo que foi eleito Presidente da República, com quase 58 milhões de votos, e que resolveu adotar como lema do seu governo a sua frase de campanha: “Brasil Acima de Tudo. Deus Acima de Todos”. Um lema que calou fundo na alma da maioria dos brasileiros. Um lema que também foi adotado com entusiasmo pelo povo, visto que contém valores patrióticos e religiosos prezados pela nação. Bolsonaro foi o catalisador do patriotismo adormecido de milhões de brasileiros, que estavam envergonhados de serem filhos desta terra, por vários motivos, mas que, a partir da ascensão de Jair Bolsonaro, passaram a nutrir, novamente, o gosto pelo patriotismo.

O povo também sofreu intimidação dos velhos caciques políticos, partidários de um sistema fracassado, que levou o Brasil a um beco sem saída. E também sofreu intimidação de esquerdistas em geral, que odeiam tudo o que esteja vinculado aos valores patrióticos. Tentaram intimidar o povo até mesmo com uma campanha de terrorismo psicológico, em decorrência de um vírus trazido da China. Mas o povo não se intimidou. Mesmo sob o risco de contrair vírus, o povo foi em frente na luta por suas liberdades, como verdadeiro protagonista de  sua história. Fez jus ao epíteto de “um povo heroico”. E deu um alto brado, retumbante, que soou pelos quatro cantos da nação. Fez isto porque viu ressurgir o sol da liberdade, em raios fúlgidos, que brilhou no céu da pátria nesse instante.

Não houve tentativa de intimidação da imprensa, não houve decreto de governador proibindo as manifestações, não houve terrorismo psicológico de coronavírus que metesse medo no  povo. A única coisa que o povo temia era o medo de ter medo. O povo só teme perder suas liberdades. Por isso, o povo foi à luta. Foi assim que o povo, neste 15 de março de 2020, multiplicou várias vezes os Ipirangas. Como fez D. Pedro, quase duzentos anos atrás, o povo resolveu lançar seu grito de Independência..

O povo foi até o Palácio do Planalto, para demonstrar seu apoio ao Presidente Jair Messias Bolsonaro que, pouco tempo antes, havia recomendado aos organizadores do movimento, em cadeia nacional de TV, que repensassem a possibilidade de remarcar para um novo dia a manifestação. O povo disse: “Desculpa Jair, mas eu vou”. E foi. Assim como D. Leopoldina e José Bonifácio entregaram cartas conclamando D. Pedro a tornar o Brasil independente de Portugal, o povo foi entregar a Bolsonaro cartas de procuração para que governasse em seu nome, para que fizesse uma nova independência.

Visivelmente emocionado com o apoio recebido de milhões de brasileiros, que se manifestaram, vestidos de verde amarelo, de norte a sul e de leste a oeste da nação, Bolsonaro fez algo surpreendente: desceu a rampa do Palácio do Planalto para saudar o povo. Normalmente, os Presidentes da República, no Brasil, sobem essa rampa quando vão tomar posse como titulares do cargo. Bolsonaro fez o contrário. Desceu a rampa, como se fosse dar posse ao povo no comando da nação.  O Presidente fez um gesto de reverência, se inclinando, diante do povo que estava ali em frente. Bolsonaro cumprimentou a multidão presente. Entregaram ao Presidente uma grande bandeira do Brasil, a qual, em gesto histórico, ergueu e, correndo,  a tremulou no ar várias vezes. Foi uma imagem que sintetizou perfeitamente a união do povo e do seu Presidente. Era como se Bolsonaro dissesse em alto e bom som:

-Vocês fizeram por merecer tudo isto que conquistaram, até aqui, com muita luta. Eu respeito e acolho a decisão de vocês de não ouvirem a minha recomendação e saírem de casa para me apoiar. Vocês são incríveis! Enfrentaram até mesmo a ameaça do infame Coronavírus para estarem aqui. Eu me curvo à escolha de vocês! A partir de hoje, vocês é que estarão, junto comigo, no comando desta nação, sob a direção de Deus. Eu sou apenas o representante de vocês. Eu sou do povo. Eu estou com vocês. Eu sou um de vocês! Eu e vocês somos um só!.

Seria perfeitamente crível imaginar Bolsonaro, repetindo D. Pedro há quase duzentos anos, ao final de seu breve discurso ao povo ali presente, a seguinte frase:

-Pela minha vida, pela minha honra, pelo meu Deus, eu prometo dar ao Brasil a liberdade!

Foi como se, domingo, 15 de março de 2020, depois disso tudo, o povo, simbolicamente, subisse, lado a lado, ombro a ombro, a rampa do Palácio do Planalto com o Presidente da República e se sentasse, junto com Bolsonaro, na cadeira presidencial. O povo passou, de fato, a governar junto com o Presidente!

Lívio Oliveira, para Vida Destra, 19/03/2.020.

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Livio Oliveira
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Jandir Rodrigues
Jandir Rodrigues
2 meses atrás

Emocionante! Que mais fizer? Só isso, tudo isso. Emocionante!

Marco Ferreira
Marco Ferreira
2 meses atrás

O Lívio sempre lúcido e claro em suas observações, nos dá à dimensão do que foi na história à passada de comando do Brasil de D.João ao filho Pedro. Trazendo essa narrativa pra os dias atuais, vemos o presidente Bolsonaro transmitindo o comando pra o povo. Gesto simbólico que marcou à união em torno de um projeto de governo pra todos! Emocionante!

Adriano
Adriano
2 meses atrás

Que texto, incrivel!!!

Eliana
Eliana
2 meses atrás

Fantástico!!!! Você simplesmente fotografou a alma do povo brasileiro e colocou neste artigo. Consegui me ver no seu comentário. Obrigada Lívio!!!!!

Mauro Tagliari
Mauro Tagliari
2 meses atrás

Nossa, lindo texto, emocionante. Parabéns!

Erli de Souza Pahl
Erli de Souza Pahl
2 meses atrás

Parabéns pelo excelente artigo Lívio.

Olimpia Brito Cabrini
Olimpia Brito Cabrini
2 meses atrás

Que final emocionante! Amigo Lívio, Salve Salve!!! Aplausos 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

Rose Carvalho Telles
Rose Carvalho Telles
2 meses atrás

Que emocionante! Que sensibilidade você tem, Lívio! Confesso que fiquei emocionada.
Excelente, estamos de parabéns, porque podemos contar com conteúdos de alto nível, obrigada Lívio! Um abraço!!!