No dia 30 de outubro, publiquei no Twitter uma Thread sobre o senador Alcolumbre e o caso das rachadinhas, porém o mais importante disso é como ocorreram as denúncias, e a nossa responsabilidade sobre esse caso em particular, e muitos outros que acontecem na política.

O senador que foi presidente do Senado, no período de 1 de fevereiro de 2019 a 1 de fevereiro de 2021, hoje preside a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, tendo atuação abaixo da média, com o pior desempenho de uma CCJ de todos os tempos.

Em termos de comparação, desde que assumiu, foram 19 pareceres proferidos (relatórios analisados, aprovados ou não) em 12 reuniões neste ano. Em 2020, quando já havia a pandemia e as reuniões eram limitadas ou remotas, a CCJ teve 47 pareceres em 15 encontros, conforme levantamento do site Poder360

Sendo que a indicação do ex-ministro da Justiça André Mendonça para o STF, feita pelo presidente Bolsonaro, está a espera de sua aprovação para votação a três meses, numa espécie de represália.

No dia 20 de outubro, o primo do senador — Isaac Alcolumbre — foi preso com grande soma em dinheiro, numa operação da PF que tinha como alvo o tráfico de entorpecentes, dentre outros ilícitos.

A partir deste evento, a revista Veja, uma das mídias que fazem forte oposição a Bolsonaro, publicou duas matérias contra Alcolumbre.

A primeira, sobre um áudio vazado, mostra que Alcolumbre combinou com ex-funcionária do TJ-AP a melhor forma de lhe pagar um salário sem ela precisar trabalhar, em favor ao amigo Gilberto Pinheiro, desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-­AP)

A segunda, sobre uma suposta rachadinha de aproximadamente R$ 2 milhões — prática que sabemos ser utilizada por 90% dos políticos, tanto a nível federal, estadual e municipal, pelos motivos descritos em minha thread  — onde o senador teria ficado com parte do salário de seis assessoras.

Desse relato, duas coisas me chamaram muito a atenção:

Primeira, foi o fato das duas denuncias terem partido da revista Veja – como falei: de alta oposição ao governo, parecendo denúncias plantadas, apesar de verdadeiras, por alguém insatisfeito com as posições do senador.

Segunda, que corrobora a primeira, é o fato de dizerem que as assessoras resolveram denunciar por arrependimento. 

Vejam, essas mulheres não tinham parte dos salários confiscados, a verdade era que fizeram acordos para receberem algo em torno de 800,00 a 900,00 reais sem trabalhar, sem mesmo terem que assinar ponto e ainda com o benefício de terem o tempo contado para aposentadoria.

Porém, o (fato) mais triste desta história, é o fato do senador Rodrigo Pacheco, atual presidente do Senado, não se incomodar nem um pouco com essa situação, nem com o fato da produtividade da CCJ ser a mais pífia de todos os tempos, ao ponto de dar uma entrevista onde diz que o Senado fará esforço concentrado entre 28 de novembro e 2 de dezembro por sabatinas, e que Alcolumbre está ciente, ou seja, consentiu.

Alcolumbre é um político experiente, tendo sido vereador de Macapá no período de 01/2001 a 02/2003, deputado federal pelo Amapá no período de 02/2003 a 02/2015 e senador a partir de 01/2019.

Pacheco está em seu segundo mandato parlamentar, tendo sido deputado federal por Minas Gerais entre 02/2015 e 01/2019, e senador a partir de 02/2019.

Sendo que, no caso do Pacheco, muitos votos foram para evitar que a ex-presidente Dilma fosse eleita senadora.

Os dois são provas incontestes de que, se queremos mudar esse país realmente, teremos que pesquisar e verificar muito bem a vida de nossos candidatos, como agem, como vivem, o que pensam, e se na vida particular são mesmo o que dizem ser, ou então ficaremos eternamente trocando seis por meia dúzia, como fizemos em 2018, apesar da renovação de 85% do Senado.

 

 

Adilson Veiga, para Vida Destra, 09/11/2021.
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