“O melhor uso do capital não é fazer dinheiro, mas sim fazer dinheiro para melhorar a vida” (Henry Ford)

Não é de hoje que o sistema de saúde da Amazônia brasileira agoniza por falta de logística, planejamento e descaso dos governantes locais.

A falta de oxigênio e o aumento de casos de COVID-19, falta de leitos e em especial, a total falta de médicos, UTI ou qualquer mínima estrutura hospitalar robusta, nos leva a pensar que tipo de vida os governantes locais querem que as pessoas que moram no interior da Amazônia vivam?

Em um mundo cada vez mais digital, não é só a saúde que se encontra doente, mas sim todo o sistema industrial e de valor dos produtos e negócios do interior Amazônico. Em meio à retomada verde e do crescente avanço da economia digital e suas facilidades, mais e mais distantes do comércio moderno vão ficando os amazonidas. Como vai ser quando acabar o dinheiro de papel?

No início da civilização, o dinheiro era cunhado em metal, em moedas, depois a China inventou o dinheiro de papel no século VII. O dinheiro é eficiente por que as pessoas “acreditam” que ele o é e todo o mundo “literalmente” o reconhece como sendo uma ferramenta de intermediação de trocas de produtos e serviços.

Neste século, a quarta revolução industrial nos trouxe a internet como principal meio de comunicação e de transações comerciais, uma tendência global em expansão.

O poder do meio etéreo virtual é tão grande que entre as 8 empresas mais valiosas no mundo, três: a Google (USD$ 167,7 bilhões), a Amazon (USD$ 97 bilhões) e o Facebook (USD$ 88,9 bilhões) não produzem materiais físicos, apenas prestam serviços virtuais.

Entretanto, ainda nos dias de hoje, o dinheiro de papel serve como referência para expressar os valores dos bens e serviços, como reserva de valor, como o ouro e o dólar, e como meio de troca para aquisição de patrimônio.

Para que um real de papel chegue até o interior da Amazônia, é necessário gastar quase que mais um real. Isto aumenta o custo das operações financeiras. Com a falta de internet em banda larga e o escasseamento do dinheiro de papel, mais e mais se torna imperativo modernizar o interior

Assim como na saúde, levar usinas de oxigênio para o interior foi uma solução logística para melhorar as condições de combate à pandemia, interiorizar os meios de pagamento digitais, em especial os modelos de criptoativos para pagamento de serviços ambientais ou fomento do comércio local é uma solução viável para mitigar o crescente desaparecimento do dinheiro físico (fiduciário).

Nesse contexto, a China mais uma vez partiu na frente com estudos avançados desde 2014. Em abril a China informou ao mundo que sua cripto estatal, a e-RMB, será a moeda oficial para suas importações e exportações, em substituição ao dólar americano.

Não é novidade para ninguém que a China lucrou bilhões e bilhões de dólares com a recessão mundial causada pela tsunami COVID-19. A próxima tsunami será a repadronização do comércio mundial, das bolsas de valores convencionais para as trocas instantâneas de recursos, vendas e compras pelos meios digitais, como o WECHAT (que manda dinheiro em segundos, de uma conta para outra, sem a necessidade de bancos intermediários) operativo na China há mais de 5 anos.

Para quem não está habituado, um criptoativo é uma moeda digital cuja base criptografada impede que seja cunhada uma mesma “moeda” duas vezes, ou seja, uma alternativa mais barata e segura de transacionar produtos e serviços por ser extremamente veloz e flexível, sendo desnecessário usar bancos tradicionais, ou seja, o comércio será ponto a ponto, sem intermediários.

Esse novo modelo econômico, um mundo com menos intermediários financeiros como bancos, irá afetar o mercado financeiro de forma tão impactante como foi o lançamento da “bomba atômica”, que deu por fim a II Grande Guerra em 1945.

Os impactos serão tão expressivos que economistas estimam uma maxi desvalorização do dólar que, em tese, beneficiará mercados cuja integração com a China seja mais intensa, como o Brasil.

Não obstante, a COVID-19 e suas exigências de isolamento e distanciamento social aceleraram a busca por meios digitais para realizar compras, trocas, diversão e trouxe consigo o seguinte questionamento: se o contágio por coronavírus pode vir pelo contato com objetos, o dinheiro não seria uma fonte? Será que usar dinheiro digital não reduz as chances de contaminação, sendo uma medida eficaz de proteção?

Os reflexos da pandemia serão tão incisivos na saúde quanto na economia. É fato que economistas brasileiros já estudam a emissão de mais dinheiro de papel para reduzir os efeitos da depressão econômica que se aproxima, o que causará, certamente, uma inflação maior do que a planejada.

Será realmente necessária tal medida em um momento em que se teve deflação de 0,31% em abril passado, a menor taxa dos últimos 22 anos?

Além do problema econômico e de saúde, a sustentabilidade do clima do mundo é uma preocupação de todos nesse momento de pandemia. A partir de 2020 entra em vigor o acordo de Paris, no qual mais de 100 países signatários, entre eles o Brasil, se comprometeram a implementar ações que concorram para evitar que a temperatura da Terra se eleve em 2º C até 2050.

Novo ouro verde digital

A emissão de criptoativos verdes, colateralizados com créditos de carbono, quase infinitos no território brasileiro, podem ser a solução para evitar a inflação e colaborar positivamente na balança comercial brasileira.

No mercado brasileiro dois criptoativos inovam com infinitas possibilidades, a Amazonascoin e o MCO2. A Amazonascoin tem uma proposta de investir 25% de suas moedas em projetos socioeconômicos e ambientais, com a finalidade de desenvolver o empreendedorismo no interior da Amazônia, salvando o meio ambiente e proporcionando uma vida mais confortável a quem lá habita.

Tal qual uma reserva de valor, como o ouro ou o Bitcoin, a Amazonascoin poderá utilizar plataformas compatíveis com a tecnologia PIX para realizar pagamento de benefícios, compras via QR code, e transações sem que necessite estar conectados com a internet.

A emissão de criptoativos vem de sua mineração. Ela já é uma atividade produtiva reconhecida pelo Banco Central do Brasil. A mineração da Amazonascoin é muito mais barata do que outros criptoativos e menos custosa do que a impressão de dinheiro físico.

Em tempos de pandemia, a Amazonascoin poderia ser utilizada para distribuir os benefícios da renda cidadã.

Poderia ser emitida tendo como lastro o crédito de carbono de terras devolutas ou áreas de preservação, evitaria a inflação e distribuiria a maior riqueza brasileira por meio digital de forma segura, confiável e sem intermediários, evitando a fraude e o desvio de recursos públicos.

Esta solução brasileira, com tecnologia brasileira poderia se tornar uma alternativa à emissão de dinheiro de papel e seu consequente nefasto impacto em nossa economia, já fragilizada pelos reflexos da Pandemia do Coronavírus.

A união de aspectos ambientais com a economia digital real, colateral com commodities como o crédito de carbono, traz uma série de benefícios para a economia, como redução de custos associados à fabricação, armazenagem e transporte de papel-moeda, e rastreabilidade que possibilitará uma fiscalização mais efetiva das transações, inibindo atividades ilícitas como a lavagem de dinheiro.

A Amazonascoin já é uma solução implementável frente aos problemas econômicos pós COVID-19. A China é a maior poluidora do mundo, o Brasil é um dos seus maiores parceiros comerciais, e o Acordo de Paris é um protocolo a ser seguido para que se possa preservar o meio ambiente no planeta, considerando estes três fatores é possível ver o potencial e o alcance da Amazonascoin.

A Amazonascoin será a criptomoeda ideal para fazer compensações ambientais internacionais de maneira segura e lastreada em um ativo abundante no Brasil, o carbono armazenado nas imensas áreas de cobertura vegetal preservadas.

A riqueza gerada pode ser distribuída para toda a população brasileira sem afetar a economia nacional convencional, podendo vir a tornar o Brasil um exemplo de inovação no combate à depressão econômica que se aproxima.

Estamos vivendo um tempo extraordinário de mudanças, e apesar do alto número de mortos, os 97% de curados no Brasil apontam para um fim da pandemia muito em breve, teremos uma guinada de 180 graus na economia, migrando definitivamente para uma economia digital sem dinheiro físico no Brasil.

A Amazônia não está em chagas, está pronta para se tornar a maior potência econômica no século XXI!

 

 

Clynson, para Vida Destra, 19/02/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

 

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Sander Souza
Editor
7 meses atrás

Ótimo artigo!

Nunes
Admin
7 meses atrás

Importante artigo. A economia está mudando em todos os sentidos.

Luiz Antonio Santa Ritta
7 meses atrás

Neste brilhante artigo de Oliveira sobre criptoativos, que podem ser o novo Ouro Verde para pessoas, empresas e países, que necessitam de créditos de carbono. Aliás os Estados Unidos também é um grande poluidor e retorno ao Acordo de Paris, fato que beneficia o Brasil, com créditos de carbono.

Lívio Luiz Soares de Oliveira
7 meses atrás

Congratulações pelo artigo Clynson!