Bem vindos à Orquestração!

Sinceramente, a lacração do pseudomovimento negro no BBB 2021 foi uma coincidência? Ou a mídia viu uma oportunidade de colar mais uma tarja antirracista no principal experimento sociológico do momento? Será que não seria a oportunidade perfeita para que os heróis do BBB levantassem a causa, mostrando como são maravilhosos os eleitos antirracistas?

A orquestração nada mais é do que a repetição de uma ideia por diversas formas de comunicação: rádio, TV, Facebook, cinema, Twitter, teatro, escola, WhatsApp, LinkedIn, YouTube e outros mais.

Para ilustrar o que estamos apresentando, vamos utilizar um exemplo da campanha eleitoral de 2020 nos EUA – VIDAS NEGRAS IMPORTAM, um movimento que levou milhares de atores, atletas e outras celebridades a emplacar o discurso em meio a milhões de mortes ocorridas na Pandemia em 2020. Um jovem negro foi morto na frente das câmeras e isso incendiou os EUA, culminando na derrota dos Republicanos para os Democratas.

Black Lives Matter foi um mantra em 2020, e isso, naturalmente influenciou nossos intelectuais do Show Business a colocar 50% dos participantes do BBB 21 pertencentes e militantes do movimento negro no Brasil.

Possivelmente, o objetivo era o de convencer que o racismo é crime e deve ser extirpado da sociedade – quer saber, muito justo. Entretanto, a vida é “como ela é”, nem sempre quem discursa a favor de uma causa, cumpre com suas premissas básicas. Desde quando discriminar pessoas brancas por simplesmente estar em um jogo ou pessoas negras por namorarem pessoas brancas, não é racismo, um racismo raiz no sentido de discriminar “pessoas pela cor de sua pele”?

O que os idealizadores desta iniciativa lacradora não esperavam era o efeito “Tropa de Elite”. O filme Tropa de Elite de 2007 foi concebido para causar, na audiência, um certo tipo de “asco” contra o bruto, mal educado, “macho escroto”, militar, idealista e patriota Capitão Nascimento. E pasmem, o resultado foi o contrário, as pessoas esqueceram os 3 primeiros adjetivos, ficando apenas com a admiração pelos três últimos.

O BBB 2021 mostrou-se exatamente sob a mesma lógica. As pessoas esqueceram o racismo do bem e ficaram enojadas com o comportamento repulsivo de certos pretensos heróis da consciência negra. A maior demonstração disso foi a votação, arrasadora, que tirou uma das militantes com expressivos 99,3% de rejeição. Não dá para esconder que o experimento social fracassou e mostrou a cara conservadora que a maioria dos brasileiros tem. Um ódio profundo aos dissimulados, tidos como traidores e mentirosos, segundo seus conceitos.

Assim, a ideia de conservadorismo aliada a conceitos como: autoritarismo ditatorial, a falta de cultura, a misoginia, a transfobia, o nazismo, o fascismo, o armamentismo e o racismo, foi derrubada por meio do voto eletrônico de muitos daqueles que, da boca para fora, defendem tais ideias, por conforto politicamente correto, mas que por dentro, eliminam, com força, aqueles que traem sua confiança, falando uma coisa e sendo outra em comportamento.

As verdades e meias verdades apresentadas pela mídia sempre visam confundir e afastar as pessoas do seu perfil real conservador, usando e abusando da orquestração para conectar a palavra conservadorismo a um equivocado estigma de ser de extrema direita e portanto a favor da violência. Uma conexão nada racional mas fortemente emocional, bem ao estilo dos programas de novela que o brasileiro médio tanto admira.

Todavia, ficou provado que o uso do racismo para agredir o bom senso e a verdade havia sido uma auto mutilação, pensada e executada com o objetivo específico de causar repúdio às causas conservadoras, mas que deu um efeito reverso.

A orquestração para a disseminação de todo o ideal contido no episódio citado se deu pela disseminação viral de vídeos e textos, nas grandes mídias, nas independentes e nas individuais, em especial na exposição após a saída da casa. Os temas sempre tentam “passar pano” para o extremismo da militância, tentando jogar para você a normalidade da anormalidade que é ser racista contra brancos. Não é racismo reverso, é simplesmente racismo, crime hediondo, crime.

O objetivo de polarizar as opiniões é constantemente perseguido com a intenção de causar uma divisão profunda na sociedade brasileira entre apoiadores do conservadorismo e os demais integrantes da sociedade, forçando a todos a tomar uma posição politicamente correta, sempre.

A polarização da opinião pública, ou seja, uma polarização constante de opiniões,  mina o discernimento e transforma as pessoas em decisoras binárias: ou é sim ou você está fora, cancelada.

O divisionismo binário facilita a manipulação da informação, tendo em vista que se reduz as respostas apenas a sim e não, eliminando a dúvida (o talvez) e assim se formam partidos e bandeiras que podem ser conduzidos aos objetivos de quem pretende manipular a realidade a seu favor.

O resultado da eliminação da militante no BBB 2021 decretara a derrota desta campanha antirracista, e em especial, as razões do insucesso foram: o descolamento da realidade da mensagem antirracista e as ações praticadas pelos eleitores heróis da raça negra superior dentro da casa; a inexistência de fatos que comprovassem a veracidade das posições racistas daqueles ditos heróis e a incoerência entre o discurso politicamente correto e as atitudes manifestas da eliminada com K.

Esse conjunto de fatores causou uma dissonância cognitiva que gerou repulsa nos fãs brasileiros do BBB 2021, que descobriram que de alguma forma eram conservadores em sua essência e repudiavam a tentativa de manipulação de suas consciências.

O controle da narrativa é uma forma de fazer com que a “opinião pública” pareça uníssona, dando a impressão de que o mundo inteiro apoia as ideias disseminadas pelo mainstream.

O perigo da narrativa mainstream reside na parcialidade da verdade e nos interesses ocultos na real manipulação do senso de verdade e de coerência dos fatos. Entretanto, mesmo em tempos de pós-verdade, as maravilhas da tecnologia moderna ajudam a minimizar o efeito deste tipo de orquestração.

O brasileiro é conservador em sua alma, mesmo que não admita em sua fala!

 

 

Clynson, para Vida Destra, 05/03/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

 

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores e não expressam necessariamente a opinião do Vida Destra. Para entrar em contato, envie um e-mail ao [email protected]
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Welton Reis
1 ano atrás

Acostumada a manipular o mercado de entretenimento a emissora concecionária optou pelo ativismo político e aí quebrou a cara. Excelente artigo, parabéns!

Luiz Antonio Santa Ritta
Luiz Antonio Santa Ritta
1 ano atrás

Neste primoroso artigo de @ClysonOliveira sobre a tentativa de emplacar a narrativa antirrascista no BBB21 culminou com a eliminação estratosférica de Karol Conká com 99,3%. Ainda tivemos que ler nos Tweets Ana Maria Braga falando de racismo reverso. É demais! Melhor foi a pesquisa dos Pingos I em que Karol Conká foi superada pelo STF com 99,5%, de rejeição.

FABIO PAGGIARO
1 ano atrás

Excelente e auspiciosa análise, Clynson. Auspiciosa porque a racista foi rejeitada até pelo público imbecil que assite a um programa desse tipo. Há luz no fim do túnel.