Foto de Capa: Daniel Dias recebeu o troféu Laureus, espécie de “Oscar do Esporte”, como melhor atleta paralímpico em 2009, 2012 e 2016.

 

Na semana que vem, entre 24 de agosto e 5 de setembro de 2021, acontecem os Jogos Paralímpicos [1] de Tóquio 2020, no Japão.

Nesse evento, que só perde em números para as próprias Olimpíadas, participarão cerca de cinco mil atletas com diversas deficiências, como cegueira, amputações, mobilidade reduzida e paralisia cerebral, etc. Eles representarão países [2] dos cinco continentes e disputarão 539 competições em 22 modalidades esportivas. A seleção daqueles que terão esse privilégio é feita pelos comitês paralímpicos nacionais e mais quatro federações desportivas internacionais.

As metas do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado,  são conquistar  a  centésima medalha de ouro (faltam apenas 13) e manter o País entre os dez do mundo no quadro de medalhas. Essa classificação é feita de acordo com o número de medalhas de ouro que o país conquista. As medalhas de prata e bronze fazem o desempate, quando países têm o mesmo número de ouros.

Em 2016, no Rio de Janeiro, o Brasil ficou na oitava colocação, quando conseguiu 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes (72 no total). Nos Jogos de Londres, em 2012, a equipe brasileira foi a sétima mais bem colocada, com sete medalhas de ouro a mais, embora com menos pódios (43).

O  CPB espera conquistar entre 60 e 75 medalhas em Tóquio, com uma delegação de 253 atletas, entre deficientes e não deficientes [3], que  vão competir em 20 das 22 modalidades que compõem o atual programa paralímpico. O Brasil só não vai disputar a competição de basquete e de rúgbi em cadeira de rodas. A modalidade com maior número de competidores é o atletismo, com 64 representantes e 18 atletas-guia. Em seguida, vem a natação com 35 atletas. Os brasileiros convocados para as modalidades de natação e halterofilismo estão entre os oito melhores do ranking mundial.  Cerca de 95% dos atletas brasileiros de alto rendimento, incluindo os com deficiência, recebem o Bolsa Atleta, um programa de auxílio financeiro, para que possam se dedicar à preparação para os jogos.

Quer saber como as Paralimpíadas se tornaram o segundo maior evento esportivo do mundo e o Brasil, uma potência paralímpica?

Senta que lá vem história.

O primeiro registro de prática organizada de esportes por pessoas com deficiência é encontrado, após a  Primeira Guerra Mundial  (1914/1918), quando soldados lesionados se reuniam para praticar tiro ao alvo e arco e flecha, na Alemanha. A primeira competição internacional entre pessoas com deficiência de que temos notícia são os Jogos do Silêncio [4], organizados em Paris, em 1924, com a participação de 145 atletas surdos de nove países europeus.

Mas, a verdadeira semente das Paralimpíadas foi plantada pelo diretor do Hospital de Breslau, na Alemanha,  o médico alemão Ludwig Guttmann, considerado um dos melhores neurocirurgiões de seu país, nos anos 1930. Com a chegada dos nazistas ao poder, o Dr. Guttmann foi perseguido porque era judeu e teve prejudicado o exercício de sua profissão. Em 1939, surgiu a oportunidade de sair da Alemanha. Foi acolhido pelo Conselho de Assistência a Refugiados Acadêmicos da Inglaterra e reiniciou suas pesquisas sobre lesões medulares, em Oxford.

Em setembro de 1943, em reconhecimento à excelência de seu trabalho, Dr. Guttmann foi nomeado como diretor do Centro Nacional de Lesões da Coluna, no Hospital Stoke Mandeville, próximo a Londres, onde tratou de  mutilados de guerra e jovens com paralisias. Ele constatou que a expectativa e a qualidade de vida dessas pessoas eram muito baixas, devido a infecções, escaras e depressão, entre outras complicações decorrentes de suas lesões. Resolveu usar o esporte para mudar essa realidade, obtendo, assim, melhora da saúde e aumento da resistência física e da autoestima de seus pacientes. O Hospital Stoke Mandeville ficou famoso depois que veio a público o caso de um veterano da 1ª Guerra Mundial que, depois de ter estado 26 anos acamado, em seis meses,  conseguiu andar com auxílio de bengalas, como resultado dos novos métodos de tratamento do Dr. Guttmann, que enfatizavam a prática de  esportes.[5]

Em 29 de julho de 1948, no mesmo dia da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, o Dr. Guttmann organizou a primeira competição de arco e flecha para atletas em cadeiras de rodas. Do evento, que ele chamou de Jogos de Stoke Mandeville, participaram 14 homens e duas mulheres das Forças Armadas Britânicas. Em 1952, com o acréscimo de militares holandeses, a competição teve a participação de 130 atletas. Devido a seu sucesso, o evento se tornou anual e passou a se chamar Jogos Internacionais de Stoke Mandeville e são realizados até hoje, exceto em anos de Paralimpíadas.

A primeira Paralimpíada

Em 1958, quando a Itália se preparava para sediar as Olimpíadas, o diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia, Antônio Maglia, propôs que os Jogos Internacionais de Stock Mandeville de 1960 se realizassem após e na mesma cidade das Olimpíadas de Roma. Assim, com o apoio do Comitê Olímpico Italiano, cerca de 240 atletas com deficiência, de 23 países, participaram daquela que, mais tarde, seria considerada oficialmente como a primeira Paralimpíada.

Quatro anos depois, a  13ª edição dos Jogos Internacionais de Stoke Mandeville foi realizada em seguida aos Jogos Olímpicos de 1964, em Tóquio [6], Japão, e passou a ser considerada como a segunda edição dos Jogos Paralímpicos. Nove modalidades esportivas foram disputadas, com a participação de 375 atletas, representando 21 países.

Geralmente, por desorganização, ausência de acessibilidade e falta de interesse, até os Jogos de 1988, as Paralimpíadas não só deixaram de ser realizadas na cidade-sede dos Jogos Olímpicos, como também acabaram ocorrendo em países e até continentes diferentes. Foi o que aconteceu em 1968. Por problemas de organização do Comitê Olímpico Mexicano, a terceira edição das Paralimpíadas, em vez da Cidade do México, foi  realizada em Tel-Aviv, em Israel, onde participaram 1100 atletas, de 29 países.

Em 1972, novamente por falhas dos organizadores das Olimpíadas, a quarta edição dos Jogos Paralímpicos não ocorreu em Munique, mas, na cidade de Heidelberg, na Alemanha.  O evento teve a participação de 1400 atletas com deficiência representando 44 países, incluindo, pela primeira vez, o Brasil. Com uma delegação de 20 atletas masculinos. O País não ganhou nenhuma medalha. O primeiro pódio só aconteceria quatro anos mais tarde.

A primeira medalha do Brasil

Em 1976, quando as Olimpíadas foram realizadas em Montreal, os Jogos Paralímpicos foram sediados em Toronto, também no Canadá. Nessa quinta edição, além de pessoas com lesão na medula espinhal, pela primeira vez, participaram atletas deficientes visuais, amputados, entre outros, totalizando 1600 competidores de quarenta países.[7] Foi quando a dupla de brasileiros, formada por Robson Almeida e Luiz Carlos Costa, conquistou a primeira medalha representando o Brasil.  Eles ganharam a prata, no Lawn Bowls, um esporte semelhante à bocha.

A União Soviética, que sediaria os Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, recusou o convite para fazer as Paralimpíadas, alegando que “não existiam inválidos” no país.[8] Então, a Holanda realizou a sexta edição dos Jogos Paralímpicos de 1980, na cidade de  Arnhem, usando seu recém-inaugurado Centro Desportivo Nacional Papendal. Participaram 1973 atletas com deficiência que representaram 43 países. O Brasil mandou 14 atletas masculinos que disputaram jogos nas modalidades atletismo, natação e basquete em cadeira de rodas. Durante essa Paralimpíada, foi criado o Comitê Internacional de Coordenação, com representes  das federações de organizações esportivas para deficientes dos diversos países. Nove anos mais tarde, essa instituição se tornaria o Comitê Paralímpico Internacional, reunindo atualmente 174 países. A União Soviética enviou uma delegação pela primeira vez aos Jogos Paralímpicos só em 1988, exatamente os últimos em que o país existiu.[9]

Houve tentativas do COI de realizar os Jogos Paralímpicos de 1984, em Los Angeles, após os Jogos Olímpicos. No entanto, de maneira inédita, a sétima edição acabou sendo dividida entre dois países de continentes diferentes. Parte dos jogos foi realizada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e parte em Stoke Mandeville, na Inglaterra, com a participação de 2910 atletas. Nessa edição dos jogos, o Brasil conquistou as primeiras medalhas de ouro, na  história do País em Paralimpíadas, e ocupou o 24º lugar no quadro de medalhas. No total, foram  28 medalhas, sendo sete de ouro, 17 de prata e quatro de bronze.

Um marco na história das Paralímpiadas

A oitava edição dos Jogos, realizada em Seul, em 1988, na Coreia do Sul, é considerada um marco na história do movimento paralímpico.  Marcou a volta das Paralimpíadas para a cidade-sede das Olimpíadas, foi a maior e mais bem organizada, até então, com a participação de 3057 atletas, representando 61 países, e trouxe muitas novidades. Pela primeira vez, em 24 anos, os atletas paralímpicos usaram os mesmos locais de competição dos Jogos Olímpicos. As cerimônias de Abertura e Encerramento de ambos os eventos foram realizadas no Estádio Olímpico.  Houve o revezamento da Tocha Paralímpica que, deste então, se tornou compulsório. A nova bandeira paralímpica foi apresentada a um público de 75 mil pessoas. O Brasil ficou em 25º lugar no ranking, com um total de 27 medalhas, sendo quatro de ouro, nove de prata e 14 de bronze.

Quatro anos mais tarde, em 1992, a cidade espanhola de Barcelona apresentou um novo conceito. O mesmo Comitê Organizador seria responsável tanto pelos Jogos Olímpicos como Paralímpicos, unificando a maioria dos aspectos organizacionais e visuais dos dois eventos. Como consequência desse modelo de gestão, o Comitê Organizador diminuiu o número de atletas e aplicou regras de classificação mais restritas. Apesar das controvérsias iniciais, as novas regras simplificaram e elevaram o nível da competição e permitiram que atletas com diferentes deficiências participassem das mesmas modalidades de esportes. O novo sistema de classificação passou a ser a base do atual adotado pelo Comitê Paralímpico Internacional.[10]

Diversos contratos de patrocínio para os Jogos Olímpicos foram também estendidos para os Jogos Paralímpicos. O marketing se tornou parte integrante do evento. Pela primeira, a Paralimpíada foi transmitida ao vivo para o país-sede e teve uma média diária de 7 milhões de espanhóis assistindo às competições pela televisão. Foram vendidos todos os 120 mil ingressos disponíveis para as cerimônias de Abertura e Encerramento, que foram assistidas por milhões de telespectadores em todo o mundo, e contou com a presença do presidente do COI, do Rei Juan Carlos e da Rainha Sofia. Nessa nona edição dos Jogos Paralímpicos, em Barcelona, em 1992, competiram 3001 atletas que representaram 83 países. O Brasil ganhou apenas sete medalhas, sendo três de ouro, nenhuma prata e quatro bronzes. Ficou em 32º lugar, no quadro de medalhas.

Desde Albertville, na França, em 1992, os Jogos Paralímpicos de Inverno são realizados a cada quatro anos, em seguida e nas mesmas cidades e locais das Olimpíadas de Inverno.[11]

A décima edição das Paralimpíadas, realizada em Atlanta, em 1996, teve a participação de 3252 atletas que representaram de 104 países. O Brasil ficou em 37º lugar no quadro de medalhas, com duas de ouro, seis de prata e 13 de bronze. O evento foi marcado por problemas logísticos, mas, em contrapartida, com a realização, dias antes do início das competições, do Terceiro Congresso Paralímpico, trouxe ao debate, para além dos aspectos esportivos, outros temas de interesse das pessoas com deficiências, tais como políticas públicas e ações econômicas.

Nova fase na história da participação do Brasil nas Paralimpíadas

Do ponto de vista da organização, as Paralimpíadas de Sydney, em 2000, lançaram um novo paradigma. Houve recorde na venda de ingressos (1,2 milhão) e de jornalistas (2,3 mil profissionais) cobrindo o evento. Treze mil voluntários foram decisivos para o sucesso da décima primeira edição do torneio. Internautas de 103 países acompanharam a competição online e o site oficial das Paraolimpíadas de Sydney contou com cerca de 300 milhões de acessos durante o período da competição. O evento contou com delegações de 122 países que somaram 3881 atletas. O Brasil ficou no 24º lugar no ranking, com seis medalhas de ouro, dez de prata e seis de bronze.

Em 2001, o Comitê Paralímpico Internacional (CPI), fundado em 1989, assinou um acordo de cooperação com o Comitê Olímpico Internacional (COI). No ano seguinte, ambos abraçaram a política “Uma Eleição, Uma Cidade”, ou seja,  a partir de então, a eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos passa a incorporar exigências relativas aos Jogos Paralímpicos.

Em 2004, na décima segunda edição dos Jogos Paralímpicos, em Atenas, 3808 atletas representaram 135 países, e a sensação foi o sul-africano Oscar Pistorius, suas próteses futurísticas nas duas pernas e suas duas medalhas de ouro.  O nadador  brasileiro Clodoaldo Silva não ficou atrás e brilhou ao conquistar seis medalhas de ouro e uma de prata no revezamento. O Brasil também levou o ouro com a Seleção Brasileira de Futebol de Cinco, derrotando a Argentina por 3 x 2.  A Seleção Brasileira foi a única equipe invicta na competição, marcando 14 gols e sofrendo apenas seis. Nessa edição, o Brasil iniciou uma nova fase na história de sua participação em Paralimpíadas. Ficou em 14º lugar no quadro de medalhas, com 14 ouros, 12 pratas e sete bronzes (33 medalhas no total).

Nos Jogos Paralímpicos de Pequim, em 2008,  apesar da badalação em torno do sul-africano Oscar Pistorius, o grande vencedor foi o nadador brasileiro Daniel Dias, com nove medalhas, sendo quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze. O nadador brasileiro André Brasil também alcançou o estrelato, com quatro ouros e uma prata. Outra fera das piscinas foi o australiano Cowdrey Matthew, com cinco medalhas de ouro e três de prata. No atletismo, o canadense Petitclerc Chantal ganhou cinco medalhas douradas. A décima terceira edição das Paralimpíadas teve a maior cobertura televisiva da história, com uma audiência acumulada de 3,8 bilhões. O evento contou com 3951 atletas que representaram 146 países. O Brasil ficou em 9º lugar no quadro de medalhas, com 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes.

Paralimpíadas mudaram atitude em relação às pessoas com deficiências

O então presidente do Comitê Paralímpico Internacional, o inglês Sir Philip Craven, classificou os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, como a “maior Paralimpíada de todos os tempos”. Foram vendidos 2,7 milhões de ingressos. Várias provas tiveram capacidade de público esgotada. Além do sucesso na internet, o canal de TV inglês, Channel 4, fez mais de 150 horas de cobertura, assistida por quase 40 milhões de pessoas, ou seja,  70% da população da Inglaterra. A décima quarta edição dos Jogos foram transmitidos para mais de 100 países. O sul-africano Oscar Pistorius não conseguiu defender a medalha de ouro nos 200 metros conquistada quatro anos antes em Pequim e foi superado pelo brasileiro Alan Fonteles. Os atletas da natação foram as grandes estrelas do evento. A australiana Jacqueline Freney faturou oito medalhas de ouro,  o brasileiro Daniel Dias conquistou seis medalhas douradas, o australiano Matthew Cowdrey ficou com cinco ouros e duas pratas e um bronze e o bielorrusso Ihar Boki  levou cinco ouros e uma prata. No quadro de medalhas, o Brasil ficou em 7º lugar, com 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze. Pesquisas mostraram que um em cada três adultos do Reino Unido mudou sua atitude em relação às pessoas com deficiências depois das Paralimpíadas de Londres, da qual participaram 4237 atletas, representando 164 países.

A décima quinta edição dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro, em 2016, teve a participação de 4500 atletas, que representaram 176 países. Os atletas russos foram expulsos dos Jogos, em virtude de um escândalo de doping praticado pelo governo de Moscou. Foram vendidos mais de 2,1 milhões de ingressos para o evento, número que ficou atrás somente de Londres 2012, e o presidente do Comitê Paralímpico Internacional,  Sir Philip Craven, disse brincando que gostaria “de levar o barulho da torcida carioca para todas as arenas do mundo”.

Jefinho,  o “Pelé Paralímpico”, foi a estrela no Futebol de Cinco, marcando alguns dos gols mais improváveis durante a conquista do quarto título paralímpico consecutivo do Brasil na modalidade. O nadador Daniel Dias, ao conquistar nove medalhas, subiu ao pódio mais do que qualquer outro atleta nos Jogos, com quatro medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze. O Brasil, com 87 medalhas de ouro, conquistadas ao longo de sua história de participações em Paralimpíadas, ultrapassou a Suíça, a Bélgica e a Finlândia, ao saltar do 26º para o 23º lugar, no quadro geral.

Recentemente, o atual presidente do Comitê Paralímpico Internacional, o brasileiro Andrew Parsons, foi eleito como membro do Comitê Olímpico Internacional. Ele e Thomas Bach, presidente do COI, assinaram um acordo para aprofundar a relação entre as duas organizações até 2032.[12]

O movimento paralímpico está animado com a possibilidade de, finalmente, conquistar a atenção e o poder que merece. Há quem defenda que os dois eventos devam ser realizados simultaneamente. Outros, que devam se fundir e se tornar um só. Uma coisa é certa: tempos excitantes estão a frente e o céu parece ser o limite.

Notas:

[1] O certo é paralímpico ou paraolímpico? Segundo a gramática da língua portuguesa, a única flexão possível  é paraolímpico. No entanto, a pedido do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), a partir de 2011, durante a campanha de lançamento do logotipo dos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) passou a adotar o termo “paralímpico”, para harmonizar com a grafia internacional “paralympic”. A partir disso, o CPB também passou a divulgar que esse “para” não se refere a paraplégico, como sempre se pensou. Segundo a explicação atual esse “para” significa “ao lado” (preposição grega “para”). Então, Paralimpíada significa “ao lado” da Olimpíada.

[2] O Comitê Paralímpico internacional (CPI) convidou seis atletas refugiados, de quatro países, para disputar quatro modalidades esportivas. Os atletas do Time Paralímpico de Refugiados mostram “o melhor do espírito humano” e “representarão com orgulho os 12 milhões de refugiados com deficiência” que existem no mundo, disse Ileana Rodriguez, chefe de missão do time de refugiados e refugiada cubana que competiu pelos Estados Unidos, em Londres 2012.  Na Rio 2016, apenas dois atletas refugiados participaram.

[3] Esses atletas atuam como guias de velocistas cegos; como calheiros na bocha; goleiros, no futebol de 5 para deficientes visuais e timoneiro, no remo.

[4] Durante esse evento, foi fundado o Comitê International des Sports Silencieux (CISS). Embora tenham participado, entre 1986 até 1995, do movimento paraolímpico, o CISS sempre realizou de forma independente seus próprios jogos. Atualmente é denominado International Committee of Sports for the Deaf (ICSD) e tem como representante brasileiro a Confederação Brasileira de Desportos para Surdos (CBDS).

[5] Saiba mais http://hospitaldocoracao.com.br/wp-content/uploads/2016/01/LUDWIG-GUTTMANN.pdf

[6] Ao comparar os jogos que ocorrerão semana que vem com os que foram realizados, há 57 anos, na mesma cidade, podemos ver a evolução dos equipamentos e dos esportes praticados por pessoas com deficiência. Assista aqui neste raro filme!

[7] Esta edição também é marcada pelo primeiro boicote da história dos Jogos Paralímpicos, porque alguns países não mandaram seus atletas, em protesto pela participação no evento da África do Sul que, na época, vivia sob o regime do apartheid, no qual os cidadãos negros não tinham os mesmos direitos dos brancos. Esse regime de dura discriminação racial começou a ruir em 1990, quando o presidente Frederik Willem de Klerk iniciou negociações para acabar com o apartheid, o que culminou com a realização de eleições multirraciais e democráticas em 1994, que foram vencidas pelo Congresso Nacional Africano, sob a liderança de Nelson Mandela.

[8] Mais informações aqui!

[9] Em 2014, as Paralimpíadas de Inverno foram realizadas em Sóchi, na Rússia.

[10] Alguns esportes são disputados apenas por deficientes visuais, como judô, futebol de 5 e goalball. Outros, somente por cadeirantes, como é o caso do tênis. Há esportes disputados por atletas com vários tipos diferentes de deficiência, mas cada um deles disputa em sua categoria, como ocorre no atletismo ou no tênis de mesa. Para garantir o equilíbrio entre competidores com diferentes graus de deficiências, uma comissão, formada por médicos, fisioterapeutas e profissionais da área esportiva, faz uma classificação a partir da lesão ou patologia do atleta, do seu potencial considerando sua lesão ou patologia e o impacto que as limitações trazem ao seu desempenho esportivo. Alguns esportes, como a vela, o remo e o adestramento hípico, atletas com tipos diferentes de deficiência participam da mesma equipe.

[11] Os primeiros Jogos de Inverno da história dos Jogos Paralímpicos foram realizados na Suécia, em 1976.

[12] Leia mais aqui!

 

 

Lia Crespo, para Vida Destra, 16/08/2021.                                                              Sigam-me no Twitter, vamos debater o meu artigo! @liacrespo

 

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